Atrás e na frente, Bernardo Silva teve um papel decisivo na sapatada do Manchester City
Além de um gol importante que deixou o Bayern atordoado, o meia-ala-direita foi muito importante na defesa, com oito desarmes
Bernardo Silva tem mais dois anos de contrato, mas, diante de especulações de que estaria interessado em respirar ares catalães, tanto o jogador quanto o técnico Pep Guardiola emitiram algumas mensagens cifradas sobre o seu futuro, aquela história de “ninguém sabe o que vai acontecer”. Abriu pelo menos uma incerteza sobre a permanência em longo prazo do meia português de 28 anos que foi contratado do Monaco em 2017 e nesta terça-feira deu mais uma demonstração de que é extremamente valioso a qualquer clube que defender.
Silva tem muita técnica. É perceptível pela maneira como bate na bola e a domina ou a carrega, sempre mudando bem de direção. Também tem muita inteligência, sabe a hora de entrar na área e dar o passe o certo, e pode atuar em múltiplas posições. Esse arsenal de atributos fez com que fosse uma peça decisiva no sistema do Manchester City que derrotou o Bayern de Munique por 3 a 0 no jogo de ida das quartas de final da Champions League. Tanto na frente quanto atrás.
Guardiola, acusado de inventar demais em jogos decisivos, como na final contra o Chelsea de Thomas Tuchel em que entrou sem Rodri ou Fernandinho como primeiro volante, armou o City em um esquema comum à atual temporada, com quatro zagueiros em campo. A interpretação das posições pode variar. Nesta terça-feira, por exemplo, John Stones alternou entre volante e zagueiro, com Nathan Aké mais à esquerda e Manuel Akanji à direita. Rodri ficou ao seu lado, atrás de Kevin de Bruyne e Gündogan. Os pontas precisaram fazer uma função híbrida pelos lados.
Bernardo Silva foi um pouco meia-direita e um pouco ponta direita e um pouco ala direito e também ajudou muito na defesa. Um dos destaques dos ingleses foi a quantidade de desarmes: 29 a 10. O português foi o líder do City no quesito, com oito, um a mais que Akanji. Essencial para dar equilíbrio naquela região do gramado, quando Akanji precisava fechar mais como zagueiro com Stones pelo meio. Com o zagueiro inglês ao seu lado, Rodri não se preocupou em chegar perto da área e, aos 27 minutos, recebeu de Silva e abriu o placar com um lindo chute colocado de perna esquerda.
Ele vira e mexe aparece em momentos decisivos. Na última temporada, marcou o quarto gol da vitória por 4 a 3 sobre o Real Madrid. E nesta terça-feira, fez o tento que deixou o Bayern de Munique atordoado e abriu a porta para uma vitória contundente que deixa os ingleses com um pé na semifinal. Aos 25 minutos do segundo tempo, leu muito bem a jogada. Encontrou um espaço solitário dentro da área para encontrar o cruzamento de Haaland e marcou com uma cabeçada firme. Foi o único chute do eficiente meia que deu mais dois passes para finalização, além da assistência.
“Bernardo é um jogador de futebol”, disse Guardiola, pegando todo mundo de surpresa. “O que isso significa? Ele jogará em qualquer lugar, qualquer posição, até lateral esquerdo, porque ele entende o jogo em todas as ações. Bernardo tem a habilidade de ler o jogo. Mas Bernardo é um jogador tão importante, especialmente nesse tipo de jogo. Pode ser volante, pode ser falso 9. Precisamos desse tipo de jogador. E tem feito muitos gols recentemente. Ele é um jogador que se você coloca em uma posição não precisa dizer mais nada, ele entende tudo. Entende tudo. Ele é um dos melhores jogadores que eu treinei na vida. Ele é especial, um jogador de futebol especial”.
Guardiola nunca parou de trabalhar para encontrar o melhor sistema coletivo em torno de Erling Haaland. O norueguês também foi destaque no Etihad Stadium, com um passe decisivo e um gol de centroavante, e o City começa a entrar naquela toada tão familiar e temida pelos adversários. Essa foi a nona vitória consecutiva por todas as competições. O catalão é muito bem pago para buscar soluções e tem um histórico que passa a segurança de que sempre as encontrará. Ajuda também ter jogadores tão especiais quanto Bernardo Silva.



