Champions League

Arco e flecha, o entendimento entre Neymar e Mbappé foi importante aos ataques fulminantes do PSG

Enquanto Neymar foi excelente nas assistências, em especial no lançamento para Marquinhos, Mbappé decidiu com dois gols

O Paris Saint-Germain conquistou uma vitória excelente em Munique por causa de sua eficiência. O Bayern teve muito mais volume de jogo e finalizou cinco vezes mais, mas não apresentou a mesma capacidade dos franceses em resolver o jogo. Das seis finalizações do PSG, três terminaram nas redes, uma foi salva por Manuel Neuer e outra acabou afastada em cima da linha – sem contar o gol anulado por impedimento. A contundência que faltou na decisão da Champions passada sobrou no reencontro com os bávaros. E a noite marcante aos parisienses contou, também, com o ótimo entendimento entre Neymar e Kylian Mbappé. Tal entrosamento, tão cobrado nos jogos grandes do torneio continental, esteve afiado na Allianz Arena.

Nem sempre Neymar e Mbappé se apresentam juntos em seu máximo. Na Champions passada, enquanto o brasileiro se destacou, o francês ficou devendo. Enquanto isso, o show do garoto contra o Barcelona aconteceu sem o camisa 10 ao lado. Com os dois astros em seu máximo, o PSG é candidato ao título. E os dois foram bastante necessários nesta quarta, especialmente quando os parisienses não contavam com vários de seus principais coadjuvantes à disposição.

Keylor Navas, vale ponderar, também foi decisivo ao resultado com uma dezena de defesas seguras e ótimo posicionamento. Marquinhos brilhou enquanto esteve em campo, enquanto Idrissa Gana Gueye limpou os trilhos na cabeça de área. Mesmo Di María, sem estar em seu melhor, foi importante ao acelerar com seus passes. Mas o resultado positivo corresponde muito à maneira como Neymar e Mbappé se combinaram. Desta vez, sem titubear diante de Neuer. Enquanto o brasileiro foi primoroso na criação, o francês se responsabilizou pela definição e também contou com a sorte.

O resultado está na conta de Neymar por sua precisão nos passes no momento mais oportuno para o Paris Saint-Germain construir sua vitória. O camisa 10 desequilibrou por sua capacidade criativa, assumindo a função de armador e entregando dois passes decisivos. O lance do primeiro tento conta com um Neymar buscando o jogo e tabelando com Di María antes de disparar, abrindo um buraco na marcação do Bayern. Perseguido por quatro, entregou para Mbappé guardar. Depois, o lançamento para o segundo gol é um espetáculo à parte. O brasileiro precisou de frações de segundo para ler a movimentação dos bávaros e perceber Marquinhos do outro lado do campo. De primeira, com a canhota, deixou o compatriota de frente para o gol.

Não foi o jogo mais participativo de Neymar, que em sua única finalização parou em Neuer. O talento, no entanto, pesou em dois lances e permitiu que o Paris Saint-Germain pudesse fazer o seu jogo – se segurando mais na defesa e apostando nas individualidades para os contragolpes. Deu certo. E ainda que os questionamentos sobre o camisa 10 sejam frequentes, não se pode negar como ele gosta de brilhar na Champions. São 41 gols e 31 assistências em 65 partidas, produzindo mais de um tento por jogo na competição. Em 26 aparições nos mata-matas, contabiliza 13 gols e nove assistências. As lesões impedem um desempenho mais expressivo pelo PSG nas fases decisivas, não que ele suma quando está em campo. Chamar a responsabilidade não é o problema.

Mbappé, por sua vez, saiu com o prêmio de melhor em campo entregue pela Uefa. Era quem puxava os contra-ataques em altíssima velocidade do PSG e, jogando como homem de referência, se responsabilizava pela definição. Contou com a falha de Neuer em seu primeiro gol e com um desvio no segundo. Também veria Davies salvar uma bola em cima da linha, além de disparar em duas ótimas jogadas canceladas por impedimento – uma delas, acionado por Neymar. Com o arco de mira precisa vestindo a camisa 10, o camisa 7 serviu como uma potente flecha que atormentou o Bayern.

E é importante salientar como o PSG teve problemas na transição pelos desfalques. O melhor lateral, Alessandro Florenzi, não jogou. O time também não tinha Leandro Paredes e Marco Verratti, além de perder Marquinhos, os três principais responsáveis pelas bolas longas vindas de trás. Di María é um garçom, mas não exatamente do tipo que arma o time a partir da defesa. Até por isso, os parisienses não foram muito capazes de criar ao longo do segundo tempo, mesmo sobrando surgindo espaços.

O Paris Saint-Germain precisa repetir tal eficiência também no Parc des Princes. É bem provável que o Bayern domine o volume de jogo mais uma vez e pressione a defesa francesa, com Keylor Navas seguindo muito exigido. De qualquer maneira, as fragilidades defensivas dos bávaros são conhecidas e está claro como poucos ataques são tão capazes de explorá-las quanto a linha ofensiva do PSG. O entendimento entre Neymar e Mbappé, como visto nesta quarta, é o que mais pode garantir os gols para evitar o sufoco em Paris e carimbar a classificação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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