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Ainda com gasolina no tanque, Modric foi um coadjuvante precioso na virada do Real Madrid

O meia se destacou defensivamente e foi simplesmente brilhante em toda a jogada do segundo gol do Real Madrid no Bernabéu

Karim Benzema marcou três vezes em 17 minutos e liderou uma virada histórica do Real Madrid sobre o PSG nas oitavas de final da Champions League. Receberá todos os elogios, e fez por merecê-los, mas alguns também têm que ser direcionados a Luka Modric. O croata de 36 anos mostrou que ainda tem muita gasolina no tanque e foi um coadjuvante precioso ao que os merengues conseguiram fazer nesta quarta-feira.

O espaço de Modric na história do Real Madrid seria proeminente mesmo se ele não fizesse mais nada além de ganhar quatro Champions League e fazer parte do histórico trio de meio-campo ao lado de Toni Kroos e Casemiro, uma combinação que segue sendo um dos pilares do time merengue. Com idade mais avançada, a regularidade não é a mais a mesma, mas a qualidade perdura. Como Modric mostrou no Santiago Bernabéu.

O trio não estava lá. Casemiro, suspenso, foi desfalque. Toni Kroos teve uma atuação mais apagada, substituído por Eduardo Camavinga antes da reação começar. Modric não fizera um primeiro tempo ruim. Havia batido para o gol, dado dois desarmes, alguns dribles, mas o Real Madrid não estava bem. Atacava pouco, ameaçava menos ainda, era um Deus nos acuda toda vez que Mbappé arrancava. A chavinha virou mesmo no segundo tempo, depois do primeiro gol.

Porque passaram juntos por tanta coisa, foi como se Benzema e Modric tivessem ao mesmo tempo olhado um para o outro, balançado a cabeça e concluído: nós sabemos que dá. E enquanto o Real Madrid subia em cima, e Benzema fazia os gols, Modric fazia outras coisas. Como um pique na retomada em que percorreu dezenas de metros e acertou um carrinho preciso para desarmar Lionel Messi. Um jogador de 36 anos com características ofensivas terminou com quatro desarmes.

A sua participação mais destacada foi no segundo gol. O lance começou com uma arrancada do campo de defesa, deixando Neymar para trás. O passe acionou Vinícius Júnior em velocidade pela esquerda. O ponta brasileiro não conseguiu espaço para finalizar e devolveu para Modric. Dominou pela direita da grande área. Lucas Vázquez avançava pela direita. Modric chegou a fazer o gesto com o braço, pedindo a passagem do lateral, mas imediatamente emendou o passe para Benzema.

Se foi um drible corporal ou se ele simplesmente pensou muito rápido e mudou de ideia, é impossível saber. Mas o passe foi perfeito. Deixou Benzema na entrada da pequena área, girando e batendo firme para fazer o segundo gol do Real Madrid, suficiente para empatar a eliminatória.

Talvez Modric nunca mais alcance o nível que o fez ser eleito melhor jogador do mundo. Mesmo nesta partida, precisou escolher os ataques em que aparecia na frente, às vezes o último a chegar com o ataque circulando a bola. Mas que seja capaz de ainda marcar seu nome em mais uma página brilhante do Real Madrid na Champions League não é pouca coisa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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