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A atuação descomunal de Benzema contra o PSG fica para a história e vira o símbolo maior da grandeza do craque

Benzema carregou o Real Madrid em tantos momentos do jogo, ressuscitou um time que parecia morto e protagonizou uma virada memorável

Karim Benzema já tinha sua história gravada na Champions League com letras douradas. O atacante levantou a taça continental quatro vezes, com 19 gols acumulados nessas campanhas e várias atuações decisivas. Porém, mesmo uma trajetória tão ilustre na competição não tinha uma atuação do gabarito do que se viu nesta quarta-feira, dentro do Santiago Bernabéu. O escudeiro de outrora é o craque indiscutível do time durante os últimos anos. E o que se concretizou contra o Paris Saint-Germain foi o melhor do melhor de Benzema. Só assim para dimensionar uma exibição inesquecível do artilheiro, muito provavelmente a maior de sua carreira, em que sua tripleta garantiu a gigantesca virada por 3 a 1 e ainda algumas marcas ao francês.

Benzema disputou seu primeiro jogo de Champions League em dezembro de 2005. São mais de 16 anos presente na competição, com 17 edições disputadas e 137 partidas em campo. O centroavante já teve várias facetas no torneio. Foi o prodígio de um Lyon dominante, uma aposta de um Real Madrid em reconstrução, uma estrela dos merengues que voltaram a dominar o continente. Nem sempre unânime, mas muito eficiente e participativo para a equipe. Se os louros ficavam principalmente com Cristiano Ronaldo, não se nega a importância do camisa 9 em também fazer parte desse sucesso, inclusive por tanto servir o companheiro. Mas que bom é ver esse Benzema protagonista desde 2018/19, para que seu valor ao clube seja totalmente reconhecido.

Nestes últimos anos, Benzema carregou o Real Madrid em tantos e tantos momentos para garantir ao menos um título no Campeonato Espanhol – em busca do segundo. Seu talento na Champions por si não seria suficiente a campanhas tão longas, embora tenha rendido importantes atuações. Na atual temporada, ainda assim, Benzema consegue exceder seu futebol em altíssimo nível desses anos anteriores. A noite no Bernabéu é daquelas que gravam isso na memória.

Benzema vinha de uma fase de grupos ótima, com cinco gols marcados em cinco partidas. Voltando de lesão, estava claro também como ele seria fundamental nos duelos contra o PSG. E não ter o francês em suas melhores condições, reintegrado exatamente no embate do Parc des Princes, teve o seu preço ao Real Madrid. O camisa 9 não foi sombra do que costuma produzir pelos madridistas e sua falta de forma seria um problema na derrota em Paris. As semanas de intervalo entre um jogo e outro, ao menos, garantiram mais ritmo e a recuperação plena do artilheiro. Para fazer o que fez no Bernabéu.

Durante o primeiro tempo, o PSG seria melhor em campo. O Real Madrid foi bem nos momentos em que teve Benzema. As principais oportunidades da equipe dependeram do centroavante e estava claro como os companheiros procuravam seu homem de referência. Teve um tiro perigosíssimo ao lado da trave e outra cabeçada que passou raspando, mas a bola não entrou. Os espaços concedidos atrás custaram mais caro aos merengues e, numa noite também inspirada de Mbappé, o jovem prevaleceu. Era um duelo particular entre os amigos, companheiros de seleção francesa.

Durante o segundo tempo, Benzema seguiu se apresentando e chamando o jogo para si. A história sorriu para o camisa 9. O gol de empate simplesmente ressuscitou o Real Madrid, num momento em que o time parecia morto. Dependeu do esforço do craque, para pressionar Gianluigi Donnarumma e forçar o erro do goleiro. Após o passe de Vinícius Júnior, a frieza do artilheiro garantiu o gol. A partir de então, os ânimos se transformariam no Bernabéu. Foi o PSG quem se perdeu em campo, enquanto o caminho se abria para o Real devorar seus adversários. Para Benzema completar sua exibição memorável. Quase o veterano já daria a virada, numa cabeçada perigosa para fora minutos depois.

Benzema continuou buscando, lutando, liderando. Continuou marcando. O gol da virada, seu segundo, é uma aula de posicionamento. Méritos da tacada de sinuca de Luka Modric, mas também da maneira como o centroavante se colocou perfeitamente na linha de impedimento e parecia até invisível entre os marcadores parisienses, para se infiltrar na área. Por fim, o golpe fatal para a classificação veio num lance em que o francês mostrou como se puxa um contragolpe também sem a bola, aproveitando o erro de Marquinhos para fuzilar. Impressionou também o gatilho rápido, para bater com a parte de fora do pé e não permitir que qualquer adversário reagisse. Já não era necessário dizer mais nada sobre a noite mágica.

Um grande símbolo desta atuação é que Benzema chegou aos 309 gols pelo Real Madrid, superando ninguém menos que Alfredo Di Stéfano como terceiro maior artilheiro da história do clube. Com sua tripleta aos 34 anos, o camisa 9 também se tornou o mais velho a emplacar um hat-trick na Champions desde 1965, atrás apenas de outra lenda merengue, Ferenc Puskás. Além disso, o francês se tornou o primeiro jogador a balançar as redes em 18 anos diferentes pelo torneio continental, desde 2005. Longevidade e efetividade que garantem seu lugar especial na história. Agora, essa partida contra o PSG vem em primeiro lugar na lembrança.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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