Champions League

Erro de Donnarumma abre a porta, Real Madrid sobe em cima do PSG e consegue uma classificação épica

Tudo parecia controlado para o PSG até o erro de Donnarumma que permitiu ao Real Madrid empatar a partida e dar início a uma virada heroica no Santiago Bernabéu

O PSG vencia no Santiago Bernabéu, com dois gols de vantagem na eliminatória. Estava tudo mais ou menos controlado. Os donos da casa ameaçavam pouco. Kylian Mbappé castigava em todas suas arrancadas. Mas Gianluigi Donnarumma cometeu um erro na saída de bola e abriu a porta. E então, o Real Madrid lembrou que é o Real Madrid. Karim Benzema numa havia deixado de ser Karim Benzema, e Luka Modric nunca havia deixado de ser Luka Modric. O PSG não conseguiu nem perceber o que estava acontecendo, muito menos reagir. Karim Benzema marcou três vezes em um intervalo de 17 minutos, o Real Madrid venceu por 3 a 1 e eliminou os franceses das oitavas de final da Champions League.

Ficara claro desde o primeiro tempo a diferença que faz ao Real Madrid ter um Karim Benzema em forma. No Parque dos Príncipes, estava longe das condições físicas ideias. Fez mais número que qualquer outra coisa. Nesta quarta-feira, era o ponto focal dos ataques merengues, como costuma ser, e foi tão decisivo quanto um jogador de futebol pode ser em um momento tão importante. Não o fez sozinho, mas foi o líder que faltou, por exemplo, ao Paris Saint-Germain.

Às vésperas de muitas discussões sobre o futuro de Mauricio Pochettino, o irônico é que o PSG fez três tempos muito competentes neste confronto. Imensamente superior no jogo de ida, muito superior no primeiro tempo da volta. Poderia ter chegado ao intervalo ganhando por mais. Mas desmoronou a partir do erro de Donnarumma e não soube o que fazer para impedir o rolo compressor do Real Madrid. Não teve ninguém, nem Neymar, nem Messi, nem Mbappé (por melhor que tenha jogado no geral), nem Marquinhos, nem Verratti, para assumir um papel de liderança, botar a bola embaixo do braço e tentar frear a empolgação adversária, manter a bola no campo de ataque, esfriar o jogo.

A eliminação tão precoce é uma tragédia ao PSG. Não apenas pelo tanto que foi investido, por toda a badalação de um mercado com Lionel Messi e Sergio Ramos (por onde anda?), mas porque praticamente encerra a temporada do PSG no começo de março. Não tem nem uma copinha francesa e lidera o Campeonato Francês com 13 pontos de vantagem para o segundo colocado. Mal dá para dizer que existe uma disputa de título.

É sempre difícil avaliar psicológico dos jogadores, mas os do PSG pareceram absolutamente estupefatos que uma classificação que era questão de tempo virou de cabeça para baixo, enquanto os do Real Madrid, alguns deles tri ou tetracampeões europeus, souberam administrar os minutos finais com muita experiência.

O jogo

Carlo Ancelotti repetiu a escalação do jogo de ida, apenas com as entradas de Nacho Fernández e Federico Valverde nos lugares de Ferland Mendy e Casemiro, suspensos. E teve os mesmos problemas. O seu vulnerável lado direito foi atacado repetidas vezes pela velocidade de Mbappé e Neymar, de vez em quando Nuno Mendes, e era uma questão de quanto tempo demoraria para o PSG encaixar uma jogada por ali para ampliar sua vantagem no confronto.

Até que demorou bastante. A primeira chegada surgiu de uma roubada de bola, antes de Mbappé invadir a área e bater em cima de Courtois. Após troca de passes com Neymar, o francês teve outra oportunidade por ali, novamente defendida pelo goleiro belga. O Real Madrid tentava jogar mais do que no Parque dos Príncipes – meio que não tinha outro jeito -, mas não chegou a ser extremamente perigoso. Uma chapada de Benzema após desarme de Messi em cima de Modric foi a chance mais real nos primeiros 30 minutos. Donnarumma desviou com a ponta dos dedos.

Messi tentou uma cavadinha, após tabela com Neymar, mas, sem ângulo, a bola apenas correu na boca do gol, sem ninguém para completar. Mbappé chegou a abrir o placar, aos 34 minutos, mas Nuno Mendes estava impedido no começo da jogada, e Benzema teve um par de cabeçadas que poderiam ter sido mais perigosas, mas uma parou em Donnarumma, a outra foi para fora.

Aos 39 minutos, enfim o gol saiu. Neymar deu um tapa na bola do campo de defesa, Mbappé disparou pela esquerda, ficou no mano a mano com David Alaba, fingiu que bateria colocado no outro canto, mas bateu no mais próximo para deixar a vida do Real Madrid mais complicada. Os espanhóis retornaram do intervalo tentando atacar, mas não iam além de escanteios, uma ou outra batida de fora da área, circulando em torno da área do Real Madrid, sem muita infiltração. O PSG não matou de vez a parada por centímetros, quando Neymar rolou para Mbappé driblar Courtois e fazer o segundo, mas o francês estava completamente impedido.

E aí, tudo mudou. Aos 16 minutos, Nuno Mendes recuou para Donnarumma. Benzema apareceu voando para pressioná-lo, o goleiro italiano se complicou e apenas tocou de lado. Vinícius recolheu e rolou para Benzema empatar o jogo. Dois minutos depois, Benzema teve uma ótima cabeçada que passou perto da trave, e Vinícius perdeu uma chance, cara a cara com Donnarumma, após a bola bater em Kimpembe no meio da área. Era um erro que parecia que custaria caro. Mas não custou não

Porque três minutos depois, Vinícius foi lançado pela esquerda, não conseguiu ângulo para chutar e devolveu para Modric, que encontrou um passe maravilhoso para deixar Benzema girar batendo e empatar o confronto em 2 a 2 no placar agregado. Antes que o PSG pudesse se assentar na partida, uma saída de bola meio mole pelo meio do campo foi interrompida, Rodrygo acionou Vinícius, que tentou invadir a área. Marquinhos fez o desarme, mas bateu para o lado. Benzema chegou como um raio, com um tapa com a parte de fora do pé, no canto de Donnarumma, para completar um dos maiores hat-trick da Champions League e um dos confrontos mais emocionantes.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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