Bernard volta à Europa com a missão de auxiliar a reconstrução do combalido Panathinaikos
Depois de um ano nos Emirados Árabes, Bernard chega como negócio de peso do Panathinaikos para melhorar seu rendimento no Campeonato Grego
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Às vésperas de completar 30 anos, Bernard está de volta ao futebol europeu. O ponta não tem mais mercado nas grandes ligas do continente, mas vai se aventurar na tentativa de reerguer um clube bastante tradicional. Ao longo dos últimos anos, o Panathinaikos se acostumou com um papel secundário na Grécia e tenta recuperar seu peso histórico dentro da liga nacional. Neste sentido, o brasileiro é uma aposta não somente para garantir “alegria nas pernas”, como também para impulsionar a competitividade dos alviverdes. O camisa 10 assina contrato por duas temporadas, em negócio sem custos aos atenienses, depois que o jogador deixou o Sharjah nos Emirados Árabes Unidos.
O Panathinaikos atravessou momentos difíceis nos últimos anos, com problemas financeiros e administrativos. Não à toa, um dos maiores clubes do país passou a frequentar o meio da tabela do Campeonato Grego. O título da liga nacional não vem desde 2009/10, enquanto os atenienses não disputam a fase de grupos das competições europeias desde 2016/17. Ao menos, um alívio aconteceu na temporada passada, quando o Trevo conquistou a Copa da Grécia depois de oito anos na seca. Valeu a vaga na Conference League, apesar da eliminação para o Slavia Praga logo na fase de entrada.
Treinado pelo sérvio Ivan Jovanovic, o Panathinaikos se reforçou bem para o Campeonato Grego. Os alviverdes contrataram o centroavante Andraz Sporar e o ponta Benjamin Verbic, dois jogadores importantes da seleção eslovena. Ainda assim, Bernard é mesmo a principal aquisição pela experiência e pela qualidade técnica. Independentemente dos 7 a 1, o ponta disputou Copa do Mundo com o Brasil e isso conta no currículo. Também acumulou participações na Champions League e na Premier League.
A principal fase de Bernard na Europa aconteceu no Shakhtar Donetsk. Após estourar no Atlético Mineiro durante a conquista da Copa Libertadores, o ponta teve boa passagem pelo clube ucraniano. Disputou cinco temporadas com os Mineiros e conquistou três títulos do Campeonato Ucraniano, embora tenha levado um tempo para engrenar. Essa ascensão auxiliou sua projeção rumo à Premier League, contratado pelo Everton ao final de seu contrato com o Shakhtar. Tais condições garantiram um salário polpudo ao brasileiro, na época cortejado por clubes como Milan, Internazionale e Chelsea.
Bernard teve seus momentos positivos na Premier League, especialmente sob as ordens de Marco Silva. Foi titular absoluto do Everton na primeira temporada, em 2018/19, e registrou boas atuações. Perdeu espaço no segundo ano, mas ainda assim com algumas aparições importantes pelos Toffees. Entretanto, o ponta seria pouco utilizado por Carlo Ancelotti em seu terceiro ano no Goodison Park e esquentou o banco de reservas. Indicava que não tinha mais nível para uma das principais ligas e foi fazer dinheiro no Sharjah. Permaneceu só um ano nos Emirados Árabes, antes de se mudar à Grécia.
Talento não falta para Bernard emplacar no Campeonato Grego. Por aquilo que produzia na Ucrânia ou mesmo no início na Inglaterra, dá para deixar sua marca no Panathinaikos. O contexto é de muita pressão, mas uma boa passagem pode gravar seu nome junto a uma das torcidas mais fanáticas da Europa. Resta saber qual o seu comprometimento a essa altura da carreira, bem como a capacidade física em relação às lesões. A promessa que um dia se imaginou no Galo e na Seleção nunca se concretizará. Mas ainda dá para escrever uma história bonita em busca da reconstrução de um gigante maltratado como o Trevo.