Europa

Alemanha contra França apresenta contraste entre um time em construção e outro consolidado

Finalista de uma Euro e duas Copas nos últimos anos, França vive momento consolidado contra Alemanha, iniciando trajetória com Nagelsmann

Pela história no futebol, títulos mundiais e vários craques em campo, o duelo entre França e Alemanha, neste sábado (23), é um dos mais legais de se assistir nesta Data Fifa. Disputado no Groupama Stadium, em Lyon, o confronto começa às 17h (horário de Brasília) e, apesar do peso das seleções, há um abismo em planejamento e construção de trabalho entre os dois selecionados.

A seleção alemã vive fase instável no comando técnico. Após cair na fase grupos da Copa do Mundo de 2018 e ter campanha não empolgante na Eurocopa 2020 (disputada em 2021), trocou Joaquim Low por Hansi Flick, que permaneceu no cargo apenas dois anos ao cair novamente na fase inicial do Mundial (2022) e fazer um ano passado esquecível. Julian Nagelsmann assumiu e ainda não conseguiu ter um impacto tão absurdo. Tanto que 2023 foi o pior ano do selecionado da Alemanha em quase sete décadas. Com seis derrotas em 11 amistosos, teve aproveitamento de apenas 33,3% pelas três vitórias e dois empates.

Nagelsmann comandou o time em quatro dessas partidas, vencendo apenas uma, empatando outra e perdendo as duas últimas do ano, para Turquia (3 a 2) e Áustria (2 a 0).

A pressão é enorme, principalmente porque a Alemanha vai receber a Euro no meio do ano e não pode fazer feio em casa. O jovem técnico de 36 anos ainda não tem uma estrutura clara no time, já testou diferentes escalações e não encontrou, ainda, uma solução. O teste contra a França é muito bem-vindo, além do jogo contra a Holanda, na próxima terça-feira (26).

— Esta questão da pressão é algo que vem de fora. Faríamos bem em aproveitá-. A questão é que é futebol. Nada mais, nada menos. Deve inspirar e despertar emoções — disse Nagelsmann, em entrevista coletiva, tentando afastar a pressão.

O jornal alemão Bild revelou os planos de Nagelsmann para montar o time. Segundo a reportagem, o objetivo é colocar alguns jogadores mais “trabalhadores” para trazer equilíbrio e dar liberdade para técnica de İlkay Gündoğan, Florian Wirtz e Jamal Musiala. Assim, seriam escalados Benjamin Henrichs ou Maximilian Mittelstädt na lateral esquerda e Robert Andrich ou Pascal Gross ao lado de Toni Kroos no meio-campo. Ainda há uma dúvida entre quem será o centroavante: o mais pesado Niclas Füllkrug ou o rápido Kai Havertz. Para dar ainda mais qualidade para essa escalação, Joshua Kimmich vai jogar de lateral-direito.

Há muito trabalho para o jovem técnico, que foi contratado justamente para trazer um time competitivo para Eurocopa porque seu contrato finaliza já ao término da competição. A ver haverá extensão do vínculo ao menos até a próxima Copa ou terão que “resetar”, de novo, o trabalho de um técnico.

Provável escalação da Alemanha contra a França: Ter Stegen; Kimmich, Rudiger, Tah e Raum; Gross (Mittelstädt) e Kroos; Wirtz, Gundogan e Musiala; Fullkrug (Havertz). Técnico: Julian Nagelsmann.

França é o contraste da atual Alemanha: técnico há mais de 10 anos no cargo e estrutura clara

Se de um lado está a seleção que caiu duas vezes seguidas na fase da principal competição do mundo e não vê uma final de Euro desde 2008, do outro está apenas quem esteve na decisão de três dos últimos quatro torneios mais importantes (Eurocopa 2016 e Copas de 2018 e 2022). Pelo longo trabalho de Didier Deschamps e, principalmente, pela geração estrelada de jogadores, a França entra como favorita em qualquer confronto ou campeonato hoje.

Deschamps está no cargo desde 2012 e já montou e remontou esse time em diferentes estruturas. Se em 2018 tinha Blaise Matuidi como meia pela esquerda para ter melhor recomposição defensiva, hoje a equipe tem sido menos conservadora ao utilizar dois pontas “raiz”, um centroavante e normalmente Antoine Griezmann como meia logo atrás. Frente a Alemanha, sem o craque do Atlético de Madrid, lesionado, deve escalar mais um meio-campista, provavelmente Warren Zaïre-Emery, mas não abre mão de Ousmane Dembélé e Kylian Mbappé (este, cortando para dentro e deixando o corredor para Theo Hernández) pelos lados do ataque e Marcus Thuram por dentro.

Se para Alemanha é um teste pesado, para França é um jogo para ir colocando óleo na máquina para Euro, competição que entra como franca favorita, bem a frente de Inglaterra, Portugal, Itália e outros selecionados.

O mais inusitado é, mesmo nessa crise, a seleção alemã foi a última a vencer os Bleus em um amistoso, em setembro do ano passado, sob comando do interino Rudi Völler. Antes disso, o último revés tinha sido para Tunísia na rodada final dos grupos da Copa — até porque, na decisão, só caiu para Argentina nos pênaltis após empate no tempo normal e prorrogação.

Desde a derrota para Alemanha, venceu três, incluindo um 14 a 0 em Gibraltar pelas Eliminatórias para Euro, e empatou outra quando já estava garantido na competição europeia.

Provável escalação da França: Samba; Koundé, Pavard, Upamecano e Hernandez; Zaïre-Emery, Tchouaméni, e Rabiot, Dembélé, Thuram e Mbappé. Técnico: Didier Deschamps.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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