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MLS aposta em tecnologia e redes sociais para conquistar o público americano

Disputar espaço no esporte americano é uma tarefa dura. Um país que tem o esporte universitário tão forte e popular e algumas das maiores ligas do mundo em alguns esportes, como a NFL, a MLB e a NBA, tem uma oferta de esportes que dificulta para que novas ligas ganhem espaço. Mesmo assim, a MLS, que em 2015 chega à sua 20ª temporada, conseguiu crescer em popularidade e se torna cada vez mais relevante no cenário americano. O crescimento da liga tem muito a ver, segundo os dirigentes, com a tecnologia e as redes sociais.

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A MLS e os times investem muito no relacionamento com os torcedores. Um dos melhores canais para isso são as redes sociais. “Nós exploramos a tecnologia para diferenciar o time dos Royals [time da MLB] e dos Chiefs [da NFL]”, disse Robb Heneiman, dono do Sporting Kansas City. “Nós percebemos que há um terabyte de informação saindo [dos torcedores dentro do estádio] em uma partida de 90 minutos”, explicou ainda Heneiman.

Para aprender com os torcedores, o Sporting Kansas City investiu muito no sistema de Wi-Fi do estádio e começou a recolher informação enquanto os torcedores usavam a rede durante os jogos. Com isso, o time aprendeu o que os torcedores querem, o que compram e com quem eles vão ao estádio. Com essa informação, tentam tornar a experiência de ir ao estádio ainda melhor. “Nós queremos que todo mundo sinta que é um VIP”, disse Heineman.

A estratégia do Portland Timbers é um pouco diferente. O time, que é outro sucesso de público na MLS, intencionalmente deixa a rede Wi-Fi no estádio mais fraca para que os torcedores assistam com atenção ao que acontece em campo. O foco do time é investir no relacionamento com os torcedores nas redes sociais, incentivando que postem fotos tiradas no estádio, com a mascote do time, por exemplo. “Não é só o número de seguidores”, disse o executivo-chefe do Timbers, Marritt Paulson. “É o quanto de engajamento você tem”.

Heineman, do Sporting Kansas City, também disse que as redes sociais ajudam muito o time. Os torcedores que voluntariamente fornecerem informações básicas, que incluem a sua conta de Twitter, concorrem a ingressos de graça para jogos fora de casa, por exemplo. Os times também tentam usar seus canais de mídias sociais como veículo para anúncio de novidades, como uniformes ou informar sobre ingressos. Usam para falar de contratações e até rumores – algo que os ingleses costumam usar também, ao reproduzir as especulações da imprensa em seus sites.

Mais do que as mídias sociais, a tecnologia tem tido um papel importante no relacionamento dos torcedores com os times. Isso tem ajudado a tornar o futebol mais popular também, além de economizar custos. O Seattle Sounders, time de maior média de público da liga, conseguiu cortar custos e melhorar a experiência do usuário usando a tecnologia. Para os donos de ingresso de temporada, foi enviado um cartão eletrônico ao invés de ingressos em papel, como ainda é muito usado em outros esportes. O cartão [que, aliás, é bastante usado para programas de sócio-torcedor no Brasil também] é mais seguro e mais barato de produzir do que dezenas de ingressos em papel. A economia foi de cerca de US$ 100 mil.

Adrian Hanauer, sócio-minoritário do Seattle Sounders, disse que o time pretende investir também em tecnologia para os programas de jogo, uma tradição que os americanos herdaram do futebol inglês. Os programas atualmente são feitos em papel, mas o dirigente acredita que esses dias estão chegando ao fim. Em breve, o time oferecerá os programas digitalmente.

Dá para dizer que os esforços têm tido bons resultados. Quando se fala de público, a liga de futebol é a terceira na lista com 19.149 pessoas por partida em média, atrás apenas da NFL, maior média de público de uma liga esportiva do mundo com 67.604 pessoas por jogo, e a MLB, que tem 30.458. Ainda há uma grande diferença em relação, especialmente, à parte financeira. Os contratos de TV são muito maiores nas outras ligas e isso faz diferença grande. Mas o esforço para tornar o futebol parte da vida das pessoas tem causado uma boa presença de público e cada vez mais atenção, o que é um grande mérito.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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