Por que ‘constrangedora’ visita de Messi e Inter Miami a Trump na Casa Branca poderia ser evitada
Franquia da Flórida recebeu convite pelo título da MLS na última temporada
Em meio aos conflitos bélicos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, e que tem abalado as relações geopolíticas desde a última semana, Lionel Messi e o elenco do Inter Miami visitaram a Casa Branca nessa quinta-feira (5), acompanhados pelo presidente Donald Trump, que tem comandado os ataques americanos na Península Arábica.
O encontro serviu para celebrar a conquista da Major League Soccer (MLS), a primeira da franquia da Flórida. Como de praxe, os presidentes dos Estados Unidos convidam as equipes campeãs das principais ligas nacionais (beisebol, basquete, futebol americano, entre outros esportes) para parabenizá-las e ressaltar o orgulho nacional.
O momento vivido pelos Estados Unidos, entretanto, fez com que esta visita de Messi, Luis Suárez, Javier Mascherano, entre outros nomes, fosse utilizada como “palanque” do presidente norte-americano, em meio à tensão geopolítica. Jorge Mas, dono da franquia, e secretários de Estado de Trump, como Marco Rubio, Scott Bessent e Sean Duffy, também estiveram presentes.
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Trump exaltou ataque ao Irã durante visita do Inter Miami
Trump utilizou do momento para exaltar no início da apresentação, durante longos minutos, a participação e os feitos do exército americano no Irã, país que é bombardeado desde o último fim de semana de que é uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos e do Oriente Médio — e de que tem posse de um arsenal nuclear. Tudo isso em meio a “constrangedores” aplausos do elenco do Inter Miami.
— As Forças Armadas dos EUA, juntamente com os maravilhosos parceiros israelenses, continuam a destruir totalmente o inimigo muito antes do previsto. Estamos destruindo mais mísseis e drones iranianos a cada hora. Tivemos 47 anos, dependendo da forma como se conta, 47 anos de horror com esse grupo — disse o presidente americano.
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A ação militar em Teerã, capital iraniana, já matou mais de 1,2 mil civis, segundo informações da agência estatal Islamic Republic News Agency (IRNA). Além desses, outra dezena de líderes militares e políticos, assim como o aiatolá Ali Hosseini Khamenei, Líder Supremo do Irã, foram assassinados durante os ataques.
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Clubes já recusaram convites de Trump à Casa Branca
Em Washington D.C., Trump seguiu seu discurso falando sobre futebol e elogiando o Inter Miami. O encontro, como um todo, poderia ser evitado — principalmente em um momento no qual os Estados Unidos matam milhares do outro lado do globo. Desde que foi eleito pela primeira vez, ainda em 2016, o republicano teve seu convite recusado por diversos times campeões na América do Norte.
Golden State Warriors, Philadelphia Eagles, Tom Brady (então quarterback do New England Patriots) e a seleção americana de futebol feminino não visitaram a Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump, mesmo tendo sido campeões. Desde que retornou à cadeira, em 2025, a seleção feminina de hóquei no gelo, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano, também se recusou a ir até a sede do executivo.
Enquanto isso, Messi, que se manteve em silêncio pela maior parte do encontro — já que não se comunica em inglês —, deu “um passo raro na política ao entrar na órbita do presidente Trump com o Inter Miami”, como destacou o “The New York Times”. Desde que chegou à Flórida, em 2023, o camisa 10 da Argentina ainda não havia visitado a Casa Branca, mesmo convidado pelo então presidente Joe Biden, em 2025.
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“É um privilégio dizer o que nenhum presidente americano jamais teve a oportunidade de dizer antes: Bem-vindo à Casa Branca, Lionel Messi”, disse Trump, se utilizando do fato para exaltar o seu mandato. Enquanto Teerã era bombardeada, o presidente brincou com o atacante sobre quem é melhor no futebol, ele ou Pelé, e cometeu gafe ao confundir e chamar o uruguaio Suárez de um “centroavante brasileiro”.
Se aproximar do esporte e de figuras públicas como Messi é um dos objetivos de Trump. Ele já conseguiu “controlar” a Copa do Mundo de 2026, dada sua parceria e amizade com Gianni Infantino, presidente da Fifa, e também levou Cristiano Ronaldo à Casa Branca — na primeira visita do português aos Estados Unidos nesta década.
Trump comentou sobre Cristiano Ronaldo diante de Messi, já que ambos mediram forças ao longo da última década e dominaram os prêmios de melhor jogador do mundo. Em comum, tanto na visita do português quanto na do argentino, estão os ataques ao Irã: em maio, quando o atacante do Al-Nassr foi à Casa Branca, os Estados Unidos orquestraram um ataque ao Oriente Médio poucos dias depois.
O efeito imediato da vista do atacante e do Inter Miami à Casa Branca são às críticas feitas a opositores de Trump. Menos de 24 horas depois da visita, os Estados Unidos anunciaram uma nova onda de ataques ao país. E em Washington D.C., o presidente americano foi agraciado com um troféu e uma camisa do time da Flórida, dias depois de também afirmar que não se importa se o Irã irá desistir ou não de disputar a Copa do Mundo.