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Entenda como o fim dos fundos de investimento pode ter consequências pesadas sobre a MLS

No fim de setembro, a Fifa anunciou que não permitiria mais que fundos de investimento, agentes ou qualquer pessoa ou empresa de fora do futebol tenha direitos econômicos sobre os atletas. Os pormenores da nova regulamentação ainda estão sendo definidos, e haverá um período de adaptação de alguns anos para que tudo se estabilize, mas as consequências que isso trará já são discutidas. Dentre os países que mais serão impactados pela nova regra estão os Estados Unidos. Na Major League Soccer, a própria liga divide os direitos sobre alguns atletas com os clubes, o que ajuda na manutenção do equilíbrio entre as franquias, mas esse sistema agora está ameaçado.

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Entra ano, sai ano, e a MLS sempre tem algum jogador de renome internacional se juntando a algum clube da liga, aumentando sua exposição e também o interesse geral sobre a competição. Essa é uma das ferramentas do torneio em sua estratégia de crescimento. Porém, a própria liga tem participação no direito econômico desses atletas, ajudando a levá-los para os Estados Unidos, mas tendo voz na definição de seu destino dentro da própria liga. Como foi com Jermaine Jones.

O meio-campista estava no Besiktas, foi comprado e depois repassado pela MLS para o New England Revolutions. O Chicago Fire era a outra possibilidade, e o próprio atleta queria ir para a Cidade dos Ventos, mas a MLS definiu sua transferência para a outra franquia por esse interesse em seguir com o sistema que mantém a competição mais equilibrada. Com as novas regulamentações, isso pode estar ameaçado.

A participação de terceiros nos direitos econômicos de um atleta faz mais mal que bem ao futebol. Clubes ficam reféns de empresários, não têm voz no que fazer com seus atletas (como foi o caso do zagueiro Cléber, que deixou o Corinthians para ir para o Hamburgo), e o dinheiro acaba sendo movimentado fora das agremiações. A diferença é que, no caso da MLS, ele é benéfico – e, juridicamente, defensável.

Como os detalhes da nova legislação ainda estão sendo definidos, o mais provável é que se encontre um modo de manter o sistema utilizado pela MLS atualmente. Não há enriquecimento de terceiros por esse processo, afinal os próprios clubes são sócios da liga, o que significa dizer que os direitos econômicos que ela tem sobre os atletas são os direitos econômicos – não necessariamente federativos – que as próprias agremiações têm sobre eles. Isso, no entanto, não impede que a situação preocupe os norte-americanos. Em um momento de tanto crescimento, qualquer possibilidade de retrocesso é compreensivelmente temida.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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