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Alyssa Naeher só tentou ficar calma e foi a heroína dos EUA ao defender três pênaltis

A goleira de 33 anos, sucessora de Hope Solo, teve uma participação decisiva na classificação dos EUA às semifinais em Tóquio 2020

Alyssa Naeher não é uma novata. Tem 33 anos, mais de 70 jogos pela seleção norte-americana e conquistou a Copa do Mundo sendo titular. Mas nem por isso deixou de ficar nervosa nesta sexta-feira quando os Estados Unidos encararam um jogo de vida ou morte e cheio de reviravoltas a contra a Holanda nas quartas de final da Olimpíada de Tóquio. Para se acalmar, a goleira do Chicago Red Stars usou uma fórmula até que fácil: “Tentei que lembrar que o pior que poderia acontecer era a gente perder o negócio inteiro”.

Os EUA não perderam o negócio inteiro, apesar do grande jogo da Holanda, em parte por causa das defesas de Naeher, que pegou um pênalti de Lieke Martens aos 36 minutos do segundo tempo e garantiu a prorrogação. Depois, na disputa de pênaltis, pegou as batidas de Vivianne Miedema e Aniek Nouwen e se consagrou de vez como a grande heroína norte-americana.

Começou a treinar futebol aos quatro anos e um dia a irmã gêmea, Amanda, bateu a porta do carro em suas mãos. Enquanto Alyssa gritava de dor, a irmã falou que “ainda bem que você não usa as mãos no futebol”. Esse erro de avaliação começou a ficar histórico em 2014 quando Naeher foi eleita a melhor goleira da National Women’s Soccer League e passou a ser convocada para ser reserva de Hope Solo na seleção norte-americana.

Naeher esteve na Copa do Mundo de 2015 e na Olimpíada do Rio de Janeiro, sempre reserva da lendária goleira dos EUA. Sua primeira grande competição como titular foi no Mundial de 2019 – com título. Ela chegou a Tóquio com 44 jogos sem ser vazada em 77 pela seleção do seu país, segundo dados da Federação Norte-Americana de Futebol.

“O time continuou tentando os 90 minutos, os 120 minutos, continuamos acreditando que encontraríamos uma maneira de vencer”, afirmou Naeher que assiste debaixo das traves aos Estados Unidos fazerem uma campanha longe de brilhante, mas que chegou à disputa de medalhas após serem eliminadas nas quartas de final dos Jogos do Rio. “Estou muito orgulhosa das quatro jogadoras que se prontificaram e converteram seus pênaltis, quatro em quatro, isso foi enorme”.

As defesas de Naeher foram decisivas e, quando Rapinoe fechou a vitória dos EUA, a goleira de 33 anos apenas cruzou os braços e sorriu. “Eu tentei ficar calma. Eu sempre digo a mim mesma: ‘o pior que pode acontecer é perdemos o negócio inteiro’”, brincou.

O poder de decisão de Naeher, entre as seis melhores goleiras do mundo segundo o prêmio The Best da Fifa em 2020, não passou despercebido pelas suas companheiras. “Ela tem uma personalidade enorme, é uma companheira incrível, uma ser humana incrível”, afirmou Lynn Williams, autor de um gol e uma assistência no empate por 2 a 2 com a bola rolando. “Eu acho que a calma dela é o que a ajuda no gol e é o que vimos. Ela teve um jogo incrível. Ela nos manteve no páreo e não sei como ela faz isso. Estou maravilhada”.

O treinador da seleção, Vlatko Andonovski, também elogiou o profissionalismo de Naeher. “Ela é uma verdadeira profissional. Faz qualquer coisa pelo time e mostra isso todos os dias, nos treinos, nos jogos, ou quando está apenas no hotel. Ela é uma soldada. Estou muito feliz de ter a chance de trabalhar com alguém como ela”, disse o treinador de 44 anos que assumiu a equipe depois de Jill Ellis conquistar a Copa do Mundo de 2019.

Os EUA têm um histórico absurdo na chave feminina das Olimpíadas, com apenas duas derrotas desde que perdeu a medalha de ouro para a Noruega em 2000 (!). Uma delas foi durante a fase de grupos em Pequim, novamente para as norueguesas, mas não impediu o time de conquistar o ouro no fim (contra o Brasil). A outra aconteceu na estreia dos Jogos de Tóquio, contra a Suécia.

No entanto, embora tenham ficado invictos no Rio de Janeiro, os EUA foram derrotados pelas suecas nas quartas de final, nos pênaltis, e, com quatro ouros e uma prata, pela primeira vez terminaram uma Olimpíada sem ganhar medalha no futebol feminino. Enfrentarão o Canadá na próxima segunda-feira para tentar evitar que isso aconteça novamente.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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