Espanha

‘Se Xabi Alonso tivesse se mantido firme com Vini Jr, a torcida ficaria do lado dele’

Técnico espanhol, agora anunciado pelo Chelsea, teve problema com o atacante brasileiro meses antes de demissão no Real Madrid

Recém-anunciado pelo Chelsea para a próxima temporada, Xabi Alonso teve uma experiência curta no comando do Real Madrid. Durou apenas sete meses, entre o meio do ano passado e janeiro de 2026, demitido após o vice na Supercopa da Espanha para o rival Barcelona.

Foi uma passagem marcada pelas dificuldades do técnico espanhol em lidar com a gestão do vestiário. Vinicius Júnior, que marcou na vitória do Real Madrid neste domingo (17), foi um dos principais casos. O brasileiro era frequentemente substituído pelo treinador e via seu status de estrela se transformar em coadjuvante.

Em uma dessas trocas, em um El Clásico em outubro, o atacante se revoltou, gritou “sempre eu” e foi direto para o vestiário, o que expôs a crise com Alonso que também pesou em sua demissão meses depois.

Toñín Llorente, ex-jogador de basquete do Real Madrid e formado dentro do clube, detalhou como faltou a Xabi ter sido mais pulso firme. Para ex-atleta, a torcida apoiaria a decisão, exatamente o que fez depois da demissão, vaiando, além de Vini, Fede Valverde, Jude Bellingham e Eduardo Camavinga.

— Quem tem que bater na mesa é o treinador e dizer: ‘Esse cara não joga comigo’. Se Xabi Alonso tivesse bancado a decisão e deixado Vinicius três jogos sem jogar, queria ver o que teria acontecido, porque a torcida estava com Xabi Alonso. No fim, o que acontece? Você acaba engolindo a situação e, no final, te mandam embora, porque Florentino é assim, Florentino te demite — disse ao “Colgados del Aro”.

Vinicius Júnior reclama de ser substituído em jogo do Real Madrid
Vinicius Júnior reclama de ser substituído em jogo do Real Madrid (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

Llorente também viu como equivocada a decisão de Alonso ter assumido o time para a disputa do Mundial de Clubes, entre junho e julho, que terminou com eliminação na semifinal, 4 a 0 para o PSG. “Não entendo o que ele fez”, iniciou.

— Se o Real Madrid te contrata e te diz para ir lá assumir um problema que não é responsabilidade sua? Eu diria: ‘Olha, deixa o Carlo Ancelotti [técnico anterior], [Álvaro] Arbeloa [então técnico do Real Madrid Castilla] ou quem quer que seja ir ao Mundial. Eu não vou para uma equipe que não treinei’. O normal é você ir, o PSG te pegar e meter quatro gols.

Chelsea é diferente do Real Madrid, sorte de Xabi Alonso

O vestiário pesado do Real, praticamente único no futebol mundial, não é o mesmo do Chelsea. Alonso, que já fez sucesso no Bayer Leverkusen, é um técnico promissor que mostrou que pode evoluir na gestão de grupo, mas é muito capacitado e moderno.

Nomeado como “manager”, cargo com obrigações de planejamento, poder de decisão dentro do clube e papel nas contratações — além de questões táticas e de treino –, o espanhol encontrará um vestiário muito jovem, com nomes promissores e que se encaixam em sua filosofia intensa e dominante com a bola.

Se o contexto conturbado da gestão da BlueCo dos Blues não atrapalhar, pode ser uma passagem interessante de Xabi em Stamford Bridge. A partir de 1º de julho, ele assumirá um time que estará fora da Champions League, o que diminui a pressão e o permite focar o trabalho em uma boa campanha na Premier League.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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