Espanha

‘Provocador e meio palhaço’: ex-jogador brasileiro culpa Vinicius Júnior por racismo sofrido

Carlos Alberto Pintinho, ex-Sevilla e Fluminense, criticou atacante do Real Madrid

Frequentemente perseguido nos estádios da Espanha, Vinicius Júnior tem sido uma forte voz contra o racismo no esporte mundial. Não tem medo de expor os preconceituosos e é um exemplo a ser seguido pelos mais jovens.

Sua postura, obviamente, irrita espanhóis, que acreditam que o brasileiro é um “provocador“. Mas essa postura não está limitada a europeus. Já vimos brasileiros ao lado dos algozes de Vini.

Por exemplo, o zagueiro Gabriel Paulista exaltando a torcida do Valencia no Mestella após o duelo contra o Real Madrid em 2023, marcado por ataque contra o atacante. Depois, o defensor afirmou que “talvez” tenha se expressado mal.

Não é apenas Gabriel que fez esse papel a favor daqueles que atacam o brasileiro.

O ex-jogador Carlos Alberto Gomes, conhecido como Pintinho, com passagens por Sevilla e Cádiz, decidiu culpar Vinicius pelos ataques sofridos em entrevista ao Flashscore.

Pintinho diz que Vinicius Júnior é ‘provocador' e ‘meio palhaço'

O ex-meio campista, que atuou por Vasco e Fluminense no Brasil e jogou a Copa América de 1979 pela Seleção Brasileira, afirmou que está há mais de quatro décadas na Espanha e nunca foi chamado de “negro“.

Por isso, ele acredita que os ataques a Vini é culpa do próprio atacante, apesar de ressaltar que o jogador do Real “está um pouco melhor”.

Tenho sido muito crítico com Vinicius. É um jogador que saiu do Flamengo, veio para cá e as pessoas deram todo o apoio do mundo para ele. Mas começou pela questão do racismo… Estou aqui há 44 anos e nunca fui chamado de “negro”. Mas o que acontece é que ele, já que é um provocador… Bom, agora ele está um pouco melhor… Ele é meio palhaço, o que ele tem que fazer é se dedicar a jogar futebol.

Pintinho detalhou que as torcidas espanholas que perseguem o atleta da Seleção bebem, vão ao estádio e provocam para que Vinicius perca o foco.

Para o ex-volante, o atacante, que possui dois títulos de Champions League, inclusive marcando gols nas duas finais, e é o favorito para Bola de Ouro nesta temporada, ainda não o “convenceu”.

Agora a criançada que é novinha, bebe duas cervejas, vai para o campo de futebol e se dedica a provocar o cara [Vini Jr] para ele perder o foco e não fazer o que tem que fazer no campo de futebol, que é jogar, que é dele profissão. […] Deram um pequeno toque nele e ele está um pouco melhor na cabeça. Mas a verdade é que ainda não me convenci se é um [grande] jogador… em todo caso, não estou falando só de futebol.

Vinicius Junior virou uma voz contra o racismo em todo o mundo esportivo (Foto: Icon Sport)

Por fim, o ex-jogador de 69 anos, atualmente vivendo na Espanha como intermediário em negociações, quer que o camisa 7 do Madrid seja um exemplo para os jovens.

Ele tem que ser exemplo para os jovens e a questão da provocação dele não passa muito pela minha cabeça, mas ele está melhorando e espero que melhore ainda mais para o bem dele, para o bem do futebol e para o bem de todos vocês, sua família, seja uma pessoa que dá exemplo, algo que você não fazia antes.

Antes, ex-jogador brasileiro afirmou ter sofrido racismo na Espanha

Carlos Alberto se contradisse ao falar que em 44 anos nunca sofreu racismo na Espanha. Isso porque, em 2023, contou um caso de preconceito sofrido em uma partida contra o Osasuna, em entrevista ao portal ElDesmarque.

– Aconteceu comigo em Pamplona. Fiquei com raiva, é claro, mas tive uma reação comigo mesmo e disse a mim mesmo: ‘Tenho que superar isso'. Continuei jogando e no final da partida marquei pênalti. Eles gritaram para mim a música ‘O que há de errado com o negro', uma música que era popular na época. Eles cantaram para mim durante todo o jogo.

Porém, Pitinho manteve o discurso de dar uma resposta aos preconceituosos dentro do campo, como um recado a Vini.

No final do jogo veio o [gol de] pênalti e eles tiveram que calar a boca. Vinicius tem que fazer o mesmo, focar no seu jogo e não olhar para os estúpidos que o insultam na arquibancada.

Quem é Pintinho?

Ídolo do Fluminense, Pintinho visitou CT do clube no ano passado (Foto: Marcelo Gonçalves/FFC)

O então volante marcou época no Fluminense da década de 70, chamado de Máquina Tricolor pelos três títulos estaduais (1973, 1975 e 1976).

Trocou o Brasil pela Espanha em 1981 para também ser um ídolo no Sevilla, onde permaneceu por quatro anos, o suficiente para viver por lá após a aposentadoria.

Carlos Aberto ainda passou pelo Cádiz e encerrou a carreira no Farense, de Portugal.

Pela seleção do Brasil, atuou apenas seis vezes e nunca disputou uma Copa do Mundo.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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