Espanha

Racismo contra Vinicius Junior vira tema de questão em ‘Enem da Espanha’

O atacante da Seleção Brasileira se tornou questão de vestibular na Espanha, na Avaliação do Bacharelado para Acesso à Universidade (EBAU)

Destaque do Real Madrid, craque da Champions League, favorito a levar a Bola de Ouro. Que Vinicius Junior é o nome da vez no futebol mundial, todos já sabem. Mas o protagonismo do jogador vai além do campo.

O atacante da seleção brasileira se tornou questão de vestibular na Espanha, na Avaliação do Bacharelado para Acesso à Universidade (EBAU) — comparável ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) realizado no Brasil.

O racismo, assunto sério e recorrente na vida de Vinicius Júnior, foi escolhido para a prova de Língua e Literatura Espanhola, de ingresso à Universidade de Castilla-La Mancha (UCLM). A questão tratava sobre o preconceito racial sofrido pelo craque do Real Madrid no futebol espanhol.

Os candidatos deveriam escolher um dos dois textos disponíveis no exame para argumentar. E um deles tratava exatamente dos insultos racistas direcionados ao atacante do Real Madrid em partidas de La Liga nas últimas temporadas.

O EBAU começou na última segunda-feira (3), quando alunos da Comunidade de Madrid e La Rioja foram convocados. O exame termina nos dias 11, 12 e 13 de junho. Nesta segunda convocatória, estudantes das Ilhas Baleares realizarão as provas.

Por que Vinicius Jr. virou questão de prova na Espanha?

Como citado, a inclusão de Vinicius Jr. em um dos exames mais respeitados da Espanha não só reconhece seu talento dentro das quatro linhas, mas também destaca a importância de se discutir e combater o racismo.

Os insultos ao atacante brasileiro infelizmente se tornaram frequentes nas partidas do Real Madrid.

A primeira situação aconteceu em um clássico contra o Barcelona, no dia 24 de outubro de 2021. Na ocasião, Vinicius Jr. foi insultado pelos torcedores culés pouco depois de ser substituído, no 2º tempo. Como resposta, ele apontou para o placar do Camp Nou: o Real vencia por 1 a 0.

Um dos casos mais pesados ocorreu em janeiro de 2023. Torcedores do Atlético de Madrid, que já haviam insultado Vinicius Jr. em outras ocasiões, penduraram um boneco com a camisa do brasileiro simulando um enforcamento, em uma ponte de Madrid.

Ainda em 2023, Vini sofreu racismo durante jogos contra o Mallorca, Real Betis e Valencia. Virou a temporada, e os insultos continuaram.

Desabafo na Seleção

Em março deste ano, o atacante se emocionou durante entrevista coletiva ao falar sobre os ataques racistas que sofre desde que se transferiu para o futebol espanhol.

— Que em um futuro bem próximo, possam ter bem menos casos de racismo, e que as pessoas negras possam ter uma vida normal como todas as outras. Quero seguir lutando por isso. Se fosse por mim eu já teria desistido, porque ficando dentro de casa ninguém vai me xingar, ninguém vai fazer nada comigo — disse, antes de prosseguir:

— Eu vou para os jogos com a cabeça centrada no jogo, mas às vezes nem sempre é possível. Tenho que me concentrar muito todos os dias. Só queria jogar futebol, só quero jogar, fazer de tudo pelo meu clube e pela minha família.

Vinicius Jr.chora em coletiva na Seleção Brasileira (Foto: Icon Sport)

Destaque absoluto dentro de campo

Apesar da enorme tristeza com o racismo sofrido, Vinicius Jr. não abaixou a cabeça. Pelo contrário. Além de se colocar como porta-voz da luta racial no esporte, o atacante do Real Madrid deu show em campo e está entre os favoritos a levar o prêmio Bola de Ouro, que elege o melhor jogador do mundo.

Primeiro brasileiro a marcar gol em duas finais de Champions League, Vini fez a melhor temporada de sua carreira. Campeão espanhol e europeu pelo Real Madrid, o ex-Flamengo marcou 24 tentos e concedeu nove assistências em 2023/24.

Após brilhar nos gramados europeus, Vini visa fechar a temporada com chave de ouro. Convocado pelo técnico Dorival Júnior, o craque representará a seleção brasileira na Copa América.

O torneio será realizado nos Estados Unidos, entre os dias 20 de junho e 14 de julho. A Canarinho é cabeça de chave do Grupo D, que conta com Colômbia, Paraguai e Costa Rica.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
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