Espanha

‘Vou até a morte com ele’: vítima de racismo, goleiro senegalês se inspira em Vini Jr

Cheikh Kane Sarr, goleiro do Rayo Majadahonda (3ª divisão espanhola), foi alvo de insultos racistas de torcedores do El Sestao River

O futebol espanhol novamente registrou um lamentável episódio de racismo. No último sábado (30), em jogo válido pela 3ª divisão do país, Cheikh Kane Sarr, goleiro do Rayo Majadahonda, sofreu insultos de uma parte da torcida do El Sestao River, mandante do duelo. Indignado com a situação, o arqueiro partiu para o embate contra os adeptos. A confusão tomou proporções maiores, e os jogadores do Rayo, em defesa de Cheikh, decidiram voltar para o vestiário. Por volta dos 45 minutos do segundo tempo, a partida foi suspensa pelo árbitro.

Dois dias se passaram, e Cheikh Sarr resolveu se pronunciar. Em entrevista à “Rádio Cadena COPE”, o goleiro senegalês de 23 anos agradeceu o apoio manifestado por Vinicius Júnior e disse que o atacante brasileiro é sua inspiração na luta antirracista.

– Vou até a morte com ele (Vinicius Júnior). Porque ele também viveu várias vezes, e quando ele estava vivendo, eu dizia ‘Não é normal’. Basta de racismo… não tem lugar no esporte. Não tem sentido -, disse Sarr.

Sarr ainda revelou ter respondido à mensagem de Vinicius Júnior. O goleiro agradeceu pelo apoio do jogador brasileiro e reforçou que Vini não pode ser a única voz na luta contra o racismo no futebol espanhol.

— Estou muito, muito orgulhoso dele e agradeço por ele nos apoiar e também de lutar contra o racismo. Ele sozinho não consegue (…) Se todos os jogadores da nossa cor de pele fossem como ele, eu acredito que o racismo acabaria.

O que Vinicius Júnior disse?

Pouco depois do ocorrido com Cheikh Sarr, Vinicius Júnior manifestou apoio ao goleiro e citou outros dois casos de racismo ocorridos no futebol espanhol durante o último fim de semana.

— Neste fim de semana nem vou jogar. Mas tivemos três casos desprezíveis de racismo só neste sábado em Espanha. Todo o meu apoio ao Acuña e ao técnico Quique Flores, do Sevilla. Para Sarr e Rayo Majadahonda que sua bravura inspire outros. Os racistas devem ser expostos e os jogos não podem continuar com eles nas arquibancadas. Só teremos vitória quando os racistas saírem dos estádios direto para a cadeia, lugar que merecem — escreveu o atacante do Real Madrid.

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Como terminou o jogo entre El Sestao River x Rayo Majadahonda?

Pelo fato de ter entrado em confronto com os torcedores locais, Cheikh Sarr acabou expulso pelo árbitro da partida. Como citado acima, os demais jogadores do Rayo Majadahonda decidiram retornar aos vestiários em virtude dos insultos racistas proferidos contra o goleiro. No momento do incidente, o placar marcava 2 a 1 para o El Sestao River. Após ter inaugurado o marcador, o time visitante viu os donos da casa virarem o placar aos 38 minutos do 2º tempo.

Como já não havia mais substituições a serem feitas pelo técnico do Rayo Majadahonda, a expulsão de Sarr deixaria a equipe com oito jogadores e sem goleiro — dois atletas foram expulsos anteriormente. Com apenas um time em campo, o árbitro suspendeu a partida.

Esta foi a justificativa do juiz para expulsão de Cheikh: “o jogador agiu violentamente contra a minha pessoa, com clara intenção de me agredir, tendo que ser contido por seus companheiros presentes no campo de jogo, deixando o gramado finalmente o mesmo”, escreveu o árbitro na súmula.

Confira outras aspas de Cheikh Sarr

Em que momento escutou os insultos?

– No 2º tempo, quando trocamos de campo, comecei a notar alguns gritos. Aos 50 minutos, eles começaram a fazer sons de macaco, macaco. Aos 82 minutos, após sofrer o segundo gol, fui buscar água para beber. Aí ouvi tudo: “preto de merda, preto de merda.” Antes disso teve muita gente que insultou, não só a mim, insultou também os espanhóis, muita gente. Mas aí ouvi esse homem.

Reação enérgica aos insultos

– Eu não aguentava mais. Estava muito nervoso. Ouvi os gritos. Estou no Ramadã… Queria perguntar a ele por que ele me tratava assim, se ele tinha família e se conseguia me entender. Eu não tinha nenhuma intenção de atacá-lo. É por isso que eu o agarrei pelo lenço. Como eu iria bater nele? Eu nunca ataquei ninguém. Se eles me sancionarem, esta será a primeira sanção que terei em minha vida.

Ação do árbitro

– Não pode ser que alguém insultado seja punido. Não sei o que acontecerá com a decisão comitê da competição, mas gostaria que pensassem nisso. Insisto, não foi violência, foi vontade de conversar. Além disso, o árbitro nem veio me perguntar o que tinha acontecido. Como pode isso? A verdade é que pensei que a primeira coisa que ele ia fazer era me proteger, mas não. O que ele fez foi me expulsar.

A Espanha é racista?

– Acho que existe racismo em todos os países, mas isso não significa que os países sejam racistas como um todo. São essas pessoas que devem ser retiradas dos campos e punidas na sociedade, e proteger quem sofreu.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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