VAR de Valencia x Real Madrid é demitido, e Cristo Redentor apaga as luzes em solidariedade a Vinícius Júnior
Segundo os jornais AS e Marca, o assistente de vídeo Ignacio Iglesias Villanueva foi dispensado pela Federação Espanhola após apresentar uma imagem editada que levou à expulsão do brasileiro

Com todas as instituições da Espanha com algum envolvimento com futebol pressionadas a tomar medidas enérgicas após o caso de racismo contra Vinícius Júnior no Estádio Mestalla no último domingo, a Federação Espanhola de Futebol decidiu demitir seis árbitros que atuam como assistentes de vídeo, incluindo Ignacio Iglesias Villanueva, que estava no comando do VAR durante a vitória do Valencia sobre o Real Madrid, por 1 a 0, segundo os jornais AS e Marca.
Vinícius foi expulso durante os acréscimos do segundo tempo após acertar o rosto de Hugo Duro. A edição das imagens que o VAR enviou ao monitor para a checagem do árbitro Ricardo de Burgos Bengoetxea excluíram o início do lance, quando o jogador do Valencia dá um mata-leão no brasileiro, e mostraram apenas o momento em que ele reage para afastar o lateral direito. Villanueva ainda trabalhará em Betis x Getafe nesta quarta-feira, mas não será mais utilizado pela Federação Espanhola.
Ainda de acordo com o Marca, os outros cinco árbitros de vídeo foram demitidos porque o Comitê de Arbitragem “considera necessária a mudança e a evolução do uso da ferramenta”. No seu segundo comunicado oficial, publicado nesta segunda-feira, o Real Madrid cobrou providências em relação ao VAR. “O árbitro e os responsáveis pelo VAR fugiram das respectivas responsabilidades e tomaram decisões injustas e apoiadas em imagens incompletas, que não foram vistas na íntegra, tendenciosas e que levaram à exibição do cartão vermelho ao nosso jogador Vinícius Júnior”, disse o clube merengue.
“Lamentavelmente, o que aconteceu e o modo de atuação dos árbitros e do VAR não é por nós entendido como algo isolado, mas sim como algo que se vem repetindo muitas vezes nos nossos jogos. A vítima que a sofre nunca poderá ser responsabilizada pelo crime”, acrescentou.
A reação às cenas desprezíveis no Mestalla continuou nesta segunda-feira e atingiu o patamar diplomático, com uma declaração do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o envolvimento de ministérios. O Cristo Redentor apagou as luzes às 18h desta segunda-feira, em um ato de solidariedade a Vinícius Júnior organizado pela CBF com o Observatório da Discriminação Racial no Futebol.
“Preto e imponente. O Cristo Redentor ficou assim há pouco. Uma ação de solidariedade que me emociona. Mas quero, sobretudo, inspirar e trazer mais luz à nossa luta. Agradeço demais toda a corrente de carinho e apoio que recebi nos últimos meses. Tanto no Brasil, quanto mundo afora. Sei exatamente quem é quem. Contem comigo porque os bons são maioria e não vou desistir. Tenho um propósito na vida e, se eu tiver que sofrer mais e mais para que futuras gerações não passem por situações parecidas, estou pronto e preparado”, escreveu no Twitter.
No Instagram, Vinícius publicou um compilado de casos de racismo que sofreu durante esta temporada e cobrou medidas das autoridades. “Quantos desses racistas tiveram nomes e fotos expostos em sites? Eu respondo pra facilitar: zero. Nenhum pra contar uma história triste ou pedir aquelas falsas desculpas públicas. O que falta para criminalizarem essas pessoas? E punirem esportivamente os clubes? Por que os patrocinadores não cobram a La Liga? As televisões não se incomodam de transmitir essa barbárie a cada fim de semana?”, encerrou.
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