Futebol espanhol

‘Isso me dói, não gosto’: Por que improvisação de Valverde incomoda Mourinho no Real Madrid

Técnico português assume incômodo por utilização do meia uruguaio na lateral direita

Uma das razões para a evolução recente do Real Madrid, com cinco vitórias seguidas, incluindo sobre o rival Barcelona, passou por uma reformulação no meio-campo. Aurelién Tchouaméni foi mantido, mas Fede Valverde foi movido à lateral direita. Arda Güler e Bernardo Silva ganharam minutos como volantes e deram mais controle e qualidade no passe ao time de José Mourinho.

A improvisação do meia uruguaio na ala, porém, incomoda o técnico português, como afirmou em entrevista coletiva neste sábado (31). “Isso me dói. Não gosto de provocar sentimentos ruins nos meus jogadores, gosto de proporcionar bons sentimentos a eles.”

A razão para tanta “dor” é porque, para Valverde voltar à lateral — posição que já exerceu antes com Carlo Ancelotti e Xabi Alonso e chegou a dizer que não nasceu para jogar nela –, precisou que Trent Alexander-Arnold e Denzel Dumfries, dois que se formaram na posição, ficassem no banco de reservas.

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Não é absurdo colocar que, nos últimos anos, os dois laterais-direitos de origem foram alguns dos melhores do mundo na posição. Mourinho justificou sua decisão por entender que é o melhor para o coletivo.

— Quando você monta um elenco com uma base de dois jogadores por posição e, depois, coloca um terceiro para jogar, é algo de que não gosto, que me machuca e me deixa triste. Mas existem coisas mais importantes do que esses sentimentos: aquilo que é melhor para a equipe em determinado momento.

— Pensei que, naquele momento específico, o melhor para a equipe era mexer no meio-campo e colocar Fede como um lateral muito mais ofensivo do que os outros, pensando na equipe e menos nos jogadores.

Reservas do Real Madrid não se incomodaram com improvisação

Técnico experiente, com 63 anos e mais da metade em comissões técnicas, o “Special One” sabe como lidar com situações como essa. Ele comunicou e explicou a Arnold e Dumfries a razão para usar um atleta improvisado à frente deles.

— Trent e Dumfries tiveram uma boa receptividade quando explicamos a eles que era uma decisão em benefício da equipe, e não contra os jogadores.

Alexander-Arnold, Camavinga e Dumfries no banco de reservas em jogo do Real Madrid
Alexander-Arnold, Camavinga e Dumfries no banco de reservas em jogo do Real Madrid (Foto: IMAGO / AgenciaLOF)

Mourinho antecipou que, neste domingo (1º), contra o Racing Santander, o uruguaio não jogará. O calendário apertado, com três jogos entre La Liga e Champions League em menos de uma semana, obriga a rodar o elenco. O Madrid ainda duela com o AEK, da Grécia, na quarta-feira (4) e com o Valencia, no outro sábado (7), ambos fora de casa.

— No fim das contas, todos vão jogar. Por exemplo, amanhã Fede não começará a partida, e um dos outros dois é que vai jogar. Na partida contra o Barcelona, pelas circunstâncias do jogo, Dumfries e Trent acabaram entrando em campo. Não acho que eles vão pedir para sair. As dificuldades da temporada, com tantos jogos e essa ‘gentileza’ de jogar três partidas em seis dias, o acúmulo de cartões, o acúmulo de cansaço, alguma lesão… No fim, todos vão jogar.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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