Espanha

O que aconteceu no terceiro e último dia do julgamento de Daniel Alves?

Preso desde o começo do ano passado, Daniel Alves falou em audiência; sentença final só deve ser divulgada em 30 dias

O julgamento de Daniel Alves, ex-jogador do Barcelona, São Paulo, Seleção Brasileira e outros, chegou ao seu terceiro e último dia nesta quarta-feira (7), no Tribunal Provincial de Barcelona. Ele é acusado de agressão sexual contra uma mulher de 23 anos, em dezembro de 2022, quando ambos estavam em uma boate chamada “Sutton” na cidade catalã. Além do brasileiro, também foram ouvidos na audiência profissionais da medicina forense e os advogados deram suas últimas declarações com o término dos depoimentos de 28 testemunhas ao logo dos três dias. A Trivela faz um resumo do que aconteceu nesta quarta.

A versão da Daniel Alves

Após mudar de versão quatro vezes em depoimentos anteriores, o brasileiro alegou na audiência de hoje que estava embrigado no momento que teria feito sexo consensual com a suposta vítima – estratégia já vista no dia anterior, com depoimentos da esposa Joana Sanz e de amigos.

Alves contou o passo a passo naquela noite de dezembro. Ele afirmou que teria ido a dois estabelecimentos antes da boate e já teria ingerido álcool antes de chegar a Sutton. Por lá, enquanto estavam em um camarote, chegaram três mulheres, uma delas a denunciante, que dançou com o brasileiro até ele convidá-la para ir ao banheiro, onde teriam feito sexo de forma consentida.

– Ela estava na minha frente e começamos a relação. Lembro que ela sentou em mim. […] Estávamos apenas nos divertindo lá. Em nenhum momento ele me disse algo que quisesse parar. Não sou um homem violento. Não a forcei a praticar sexo oral forçadamente. – afirmou Daniel ao tribunal.

É aqui que divergem os depoimentos. A denunciante disse que não sabia que indo ao banheiro com o brasileiro. Lá, segundo a mulher, o jogador teria a penetrado de forma não consensual com o uso de violência.

Daniel Alves ainda detalhou o momento que chegou em casa e defendeu sua versão. Por fim, falou, chorando, das dificuldades que estaria sofrendo por conta do processo, com “contratos rompidos e contas bloqueadas”.

– Quando cheguei em casa, lembro que ela [Joana Sanz] estava em casa na cama e dormi na sequência. Sim, estou dizendo o mesmo que das outras vezes. Soube pela imprensa que estavam me acusando… Estava praticamente arruinado porque tive todos os meus contratos rompidos, contas bloqueadas – finalizou.

Já antes do julgamento, os jornais espanhóis La Vanguardia e El Periódico haviam publicado a mudança na versão do jogador. O motivo de alegar embriaguez por parte da defesa é a tentativa de diminuição da pena.

Ao término da audiência de hoje, a defesa, feita pela advogada Inés Guardiola, solicita absolvição do brasileiro e liberdade condicional, com a retirada dos passaportes do Brasil e da Espanha.

Profissionais divergem em interpretação

Também nesta quarta, profissionais da área da medicina forense explicaram e deram suas conclusões sobre os exames feitos. Eles confirmaram que tinha DNA de Daniel na suposta vítima, mas ouve divergência entre um dos cinco médicos que atenderam a mulher. Um deles apontou que o relato da mulher não corresponde levando em consideração os exames e que o sexo não teria sido “tão traumático”, principalmente por não houve lesão vaginal. No entanto, outro profissional afirmou que existem casos de sexo não consensual em que não há, necessariamente, ferimentos na parte íntima.

As divergências não ficam apenas na questão física. Enquanto uma das médicas citou que a vítima teria sintomas de estresse pós-traumático, outra afirmou que poderia ser apenas a um transtorno de ansiedade.

E agora?

Preso desde 20 de janeiro do ano passado no Centro Penitenciário Brians 2, Daniel Alves teve quatro pedidos de liberdade negado. Ele pode ser condenado até 12 anos de prisão – pena solicitada pela defesa da mulher, feita pela advogada Ester García.

– Não é não. Ela disse ‘quero ir já’. Ele sabia que ela não queria, pois ela tinha manifestado. Ele deu tapas na cara. Ato de humilhação – disse García, defendendo a pena máxima ao jogador nesta quarta.

Por outro lado, Inés Guardiola defendeu a absolvição do brasileiro, negou a agressão e ainda apontou que seria uma tentativa de fazer o cliente dela como “um perseguidor”.

– A violência descrita pela denunciante na penetração é incompatível com a prova pericial médica. Nenhum ferimento nas suas genitais interna ou externa. Corrobora que a relação sexual foi consentida. […] Não tinha nenhuma vermelhidão nem sinal [no rosto]. É incompatível com a mecânica que descreve. […] É essencial avaliar o comportamento anterior para avaliar o consentimento – disse Inés.

A justiça espanhola não divulgou um prazo para divulgação da sentença final, mas a imprensa da Espanha aponta que pode ser em um mês.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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