Espanha

Julgamento de Daniel Alves: o que já aconteceu?

Trivela traz um resumo dos depoimentos e das principais informações sobre o julgamento de Dani Alves, acusado de estupro por uma jovem na Espanha

Nesta segunda-feira (5), começou o julgamento de Daniel Alves no Tribunal de Barcelona. O jogador é acusado de ter estuprado uma jovem na noite do dia 31 de dezembro de 2022 na boate Sutton, localizada na capital catalã. A pena para o crime de agressão sexual com penetração é de doze anos de reclusão na Espanha.

O ex-atleta do Barcelona compareceu à sala de audiência na manhã da última segunda-feira (5) para prestar depoimento. Nesta terça, segundo dia de sessões, familiares e amigos dele foram ouvidos. A estratégia da defesa foi salientar o excessivo consumo de álcool do ex-lateral da Seleção Brasileira na noite do suposto crime.

A seguir, a Trivela traz um apanhado de informações e o resumo dos depoimentos que estão sendo prestados à Justiça espanhola. 

Desde quando Daniel Alves está preso?

Dani Alves está preso preventivamente desde o dia 20 de janeiro do ano passado, pelo alto risco de fuga que seu caso apresenta às autoridades locais. Ele teve a liberdade condicional negada diversas vezes, apesar dos apelos da defesa. 

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Como será o julgamento de Daniel Alves? 

O julgamento terá duração de três dias, ou seja, irá até a próxima quarta-feira (7), e vai ouvir outras 28 testemunhas, tanto as indicadas pela defesa quanto pela acusação.

Seis testemunhas prestaram depoimento na primeira sessão, entre elas, a própria vítima e também a mãe de Daniel Alves. As demais vão contar suas versões no dia seguinte. 

A última sessão será dedicada à perícia e seus relatórios de evidências físicas. 

Qual a versão contada pela vítima de Daniel Alves?

Segundo fontes jurídicas do jornal espanhol Marca, a vítima do caso manteve a mesma versão contada à polícia, no início das investigações, em seu depoimento ao Tribunal de Barcelona. De acordo com a história contada pela jovem, Alves usou de violência para ter relação sexual não consensual com ela dentro do banheiro da boate.

Segundo disse a vítima, o grupo de amigas aceitou entrar na área vip, onde Alves estava com um amigo, depois de terem sido convidadas duas vezes através de um garçom. Naquele momento, elas entraram no local somente para beber. Porém, esse espaço vip possui um pequeno banheiro privativo, onde ela teria sido estuprada.

Questionada pelo Ministério Público, a vítima destacou que não notou qualquer sinal de embriaguez em Daniel Alves – tese que a defesa do jogador poderia usar para se beneficiar de uma circunstância atenuante para tentar reduzir a eventual pena.

Ela relatou que, quando Alves foi ao banheiro, ela foi na sequência para tirar satisfação sobre o comportamento abusivo dele. Lá, ela teria sido agredida e estuprada e, minutos depois de sair, enviou uma mensagem para a sua prima que a acompanhava na festa dizendo que “precisava ir embora”.

A jovem saiu do local chorando muito e “de coração partido”. Na sequência, contou às duas que o jogador a havia machucado, mas relutou em fazer qualquer denúncia enquanto repetia: “Eu só quero ir para casa, vocês não vão acreditar em mim.”

A declaração ao Tribunal foi concedida com voz distorcida e imagem pixelizada, para evitar que sua identidade seja divulgada em caso de vazamento.

Amiga e prima ajudaram a vítima a denunciar agressão sexual

Uma prima e uma amiga da vítima a acompanhavam no dia em questão e disseram que ela só queria ir para casa após a suposta agressão sexual. Elas afirmam que foi necessária muita insistência para que a jovem fizesse a denúncia aos seguranças da balada.  

A prima dela ainda revelou que Dani Alves tinha uma atitude “babaca” desde antes da suposta agressão. Na pista de dança, ele teria tocado nas partes íntimas dela e da vítima.

– Sei que ele também colocou a mão na parte íntima da denunciante. Eu me separei do grupo por um momento porque ele já tinha tentado comigo (assédio) e com outra. Depois, minha prima veio e me disse que ele insistia muito para que eles fossem para algum lugar privativo e ela não queria – afirmou. 

Nos dias seguintes aos acontecimentos, a jovem permaneceu em estado de choque, ainda sem querer denunciar, mas àquela altura já havia realizado os exames que, tempos depois, constatariam a presença de material genético do jogador em suas roupas. 

Segundo as testemunhas, a vítima sofre com ansiedade, mal sai de casa e se sente vigiada o tempo todo. Além disso, ela perdeu a “alegria” de viver e está obsessiva “com tudo”.

Fontes próximas da acusação estão satisfeitas com os depoimentos da prima e da amiga da vítima, porque as declarações delas refletem a gravidade do crime de que Alves é acusado.

Daniel Alves nega acusações e diz ser vítima de “tribunal paralelo”

Ao longo do ano em que está preso, Daniel Alves já mudou sua versão dos fatos pelo menos três vezes. No entanto, nesta segunda-feira, após aparecer pela primeira vez publicamente desde que foi preso, a defesa pede a anulação do julgamento. 

A advogada do jogador, Inés Guardiola afirmou que o jogador alega ser vítima de um “tribunal paralelo”, o da opinião pública, e bradou sobre a rejeição da juíza responsável pelo caso, de que um outro perito examinasse a vítima. A defesa também pediu que novos testes fossem realizados antes da continuidade do julgamento.

Testemunhas de Alves alegam que ele estava embriagado em noite do suposto crime

No segundo dia de depoimentos, a estratégia da defesa de Daniel Alves foi ressaltar que o “quão bêbado” estava o jogador na noite do suposto crime. Várias testemunhas, entre amigos e familiares, além da esposa de Alves, Joana Sanz, além de um funcionário da discoteca Sutton, deram detalhes sobre o estado do brasileiro.

Uma das testemunhas, que estava com o atleta na noite em questão, chegou a afirmar que ele foi o “que mais bebeu” entre o grupo de amigos. Além deste depoimento, ao longo de toda a sessão da manhã desta terça-feira (6), a defesa insistiu na estratégia do álcool.

No entanto, esse ponto não foi usado sem motivo. Obviamente, a empenhada defesa de Alves está buscando as brechas da lei espanhola para atenuar a possível pena do brasileiro. Segundo o artigo 20 do Código Penal da Espanha, o consumo excessivo de álcool pode ser um fator atenuante neste tipo de caso.

Destaques do depoimento de Joana Sanz, esposa de Dani Alves:

– Ele chegou em casa muito bêbado, cheirando a álcool. Ele bateu no armário e caiu na cama.

– Não valia a pena conversar com ele quando ele chegou, era melhor deixar para o dia seguinte.

– Pelo WhatsApp, perguntei se ele vinha jantar (em casa) e ele disse que não. Mais tarde, não me lembro (de mais nada). O último WhatsApp foi por volta das onze da noite.

Ela ficou brava com ele porque queria sair com ele e ele disse que era uma noite de meninos? “Isso é uma mentira”.

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