Espanha

‘Não quero dinheiro’: como Santi Cazorla retornou ao clube de infância

Com uma linda história no futebol, Santi Cazorla agora vive seu momento mais feliz na carreira no Real Oviedo

Bicampeão da Eurocopa com a Espanha, Santi Cazorla marcou uma geração jogando por Villarreal, Málaga e Arsenal. Com muita qualidade técnica, o meia continua esbanjando seu talento, hoje em La Liga 2. Quem vê de longe, pode pensar que o espanhol de 39 anos está em um final de carreira melancólico, atuando longe da elite. Entretanto, essa foi uma escolha para retornar ao clube da infância.

Cazorla retornou ao Real Oviedo no início desta temporada, após deixar o Al-Sadd, do Catar, onde estava desde 2020. Os Carbayones foram onde o meia deu seus primeiros passos no futebol, já que chegou lá aos oito anos. Entretanto, o espanhol não estreou profissionalmente pela equipe, já que a crise financeira — que afundou o time até a quarta divisão — obrigou a negociá-lo, contra sua vontade, aos 17 anos.

Santi Cazorla chegou a comprar ações do Oviedo no momento que seu clube de coração mais precisou. Agora, o meia realiza o sonho de jogar pelos Carbayones. O espanhol revela que recebe um salário mínimo para La Liga 2, que é de € 93 mil (cerca de R$ 519 mil) por ano. Mas, por ele, não queria receber dinheiro nenhum, já que sua volta para casa é uma demonstração de gratidão:

“Eu jogaria de graça, mas não é permitido. Eles fizeram uma boa oferta. A minha mulher disse: ‘Não, você não vai para Oviedo para ganhar, você vai para casa para aproveitar, para ajudar, para dar’. Liguei para o meu agente: ‘Não quero dinheiro’. Falei para o presidente: salário mínimo, 10% da venda de camisas para as categorias de base. (O negócio) foi feito naquela noite”, disse em entrevista ao The Guardian.

A linda relação de Santi Cazorla com o Real Oviedo

Santi Cazorla jogou no mais alto nível do futebol europeu em boa parte de sua carreira, inclusive sendo bicampeão da Copa da Inglaterra e da Supercopa da Inglaterra com os Gunners. Em 2023/24, o meia tem a missão mais importante de sua vida: levar o Real Oviedo de volta para La Liga, o que não aconteceu há 23 anos. E isso é possível, pois os Carbayones estão na zona de playoff de acesso na reta final da segunda divisão.

Sofrendo com inúmeras lesões ao longo das últimas décadas, Cazorla está longe de seu auge físico — a idade também contribui para isso. Mesmo assim, o meia disputou 20 jogos com o Oviedo em La Liga 2, sendo oito como titular, tendo distribuído três assistências. O veterano espanhol inclusive chegou a marcar um gol, que seria o primeiro entre os profissionais de seu clube de coração.

Isso aconteceu no dia 23 de março, contra o Alcorón, fora de casa. O placar estava zerado, até que Santi Cazorla balançou as redes e foi à loucura com a torcida do Real Oviedo, que ocupava o setor de visitantes do estádio. O meia quase foi para as arquibancadas, tamanha sua felicidade, beijando o escudo e tudo mais. Só que o VAR anulou o gol. Mesmo assim, o espanhol não tem dúvidas de que foi o momento mais especial de sua carreira:

“O gol que vivi com mais sentimento. E eu já tinha comemorado. Ele (árbitro) disse: ‘Lamento muito arruinar isso.’ Ele era de Huelva e disse: ‘Temos ótimas lembranças de você.’ Mas, quer saber? Nada pode tirar esse momento, mesmo que o VAR o faça. Falei com as pessoas nas arquibancadas e a experiência foi tão real, tão autêntica, que sempre estará lá. Meu primeiro gol profissional com esta camisa: esperei muito, muito tempo por isso”.

Aposentadoria? Ainda não dá para saber

Com contrato até junho, o futuro de Cazorla ainda não está definido. O meia avisou que pretende se sentar com a diretoria do Real Oviedo no final da temporada para discutir os próximos passos. Ele só está focado em conquistar o acesso para La Liga. E, mesmo que isso aconteça, o espanhol não promete que renovará. Isso depende de como ele vai se sentir fisicamente e mentalmente:

“O dia que eu chegar em casa e pensar ‘sofri por causa da dor’ ou deixar de gostar de futebol, será hora de parar. Tenho que aproveitar o tempo que me resta. Passa tão rápido. Parece que foi ontem que estive aqui nas categorias de base. Mas estou com 39 anos agora, perto do fim, jogando para meu povo, minha família, onde cresci e sempre sonhei estar”.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Formado em Jornalismo pela Unesp, é apaixonado por esportes, acima de tudo futebol. Ama escrever sobre o que acontece dentro e fora de campo. Após passar por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia, se juntou à equipe da Trivela com muita vontade de continuar crescendo.
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