Espanha

O carinho do povo é o melhor troféu para Cazorla, vivendo o sonho de jogar em casa, no Real Oviedo

Desde agosto no clube que o formou como jogador, Santi Cazorla falou da experiência de atuar em Oviedo

Há quatro meses, desde 16 de agosto desse ano, o mágico meia Santi Cazorla, aos 39 anos, vive o sonho de defender o Real Oviedo, clube que o formou como jogador do futebol, mas até então não tinha tido oportunidade de jogar como profissional. Já são nove partidas das 23 disputadas pela modesta equipe na temporada 2023/24, na qual atua pela segunda divisão da Espanha.

As lesões que acompanharam o meia por quase toda carreira seguem atrapalhando o momento atual, impedimento de estar no início da temporada e agora interrompendo boa sequência de jogos. Ao jornal espanhol Marca, o meia tratou a experiência no Oviedo como muito positiva e está realmente realizado.

– Muito positivo. Tem havido um pouco de tudo. Cheguei fora de forma, sem competir há vários meses e as primeiras semanas foram difíceis, porque vendo como estava a equipe, não pude ajudar dentro do campo. Mas a medida que comecei a trabalhar com o grupo e, como aconteceu com a mudança de treinador, os resultados também mudaram, tudo parecia mais positivo. Comecei a me sentir melhor, mas depois o azar dessa lesão que me deixou afastado por alguns jogos foi um duro golpe. Fora isso, muito feliz com tudo e com o entusiasmo das pessoas em conseguir algo grande. Tenho vivenciado coisas muito lindas desde que cheguei – exaltou Santi.

Questionado sobre como o povo de Oviedo o tem tratado, Cazorla detalhou o carinho que recebe, seja na cidade de seu clube ou quando visita os adversários pela La Liga 2. Para ele, melhor do que títulos, é receber o afago dos fãs.

O carinho do povo está acima do respeito pelo jogador de futebol, não só em Oviedo, que é minha casa e de de onde vim, embora não imaginasse receber tanto, mas onde quer que eu tenha ido, seja nos campos do Eldense, Amorebieta, Zaragoza. Em todos os lugares, as pessoas me mostraram seu amor. É verdade que ganhei respeito como jogador da seleção, mas sempre disse que o melhor troféu que vou ganhar é o carinho do povo acima de qualquer título.

Sobre as dúvidas de suas questões físicas para atuar na segunda divisão, o meia, que quase teve o pé amputado por uma grave infecção em uma lesão no tendão, mostrou que respeita seus limites atualmente. Apesar disso, se mostrou incomodado de não poder jogar as seis primeiras rodadas

– Claro que tenho o desconforto de não ter mostrado mais no primeiro round, estava me sentindo bem e agora só penso em respeitar minhas lesões e ajudar mais. Eu sabia que se estivesse no meu nível dentro da minha idade e sem lesões poderia somar e por isso tomei a decisão de voltar para casa – disse.

Real Oviedo começou a temporada brigando por rebaixamento

As seis primeiras rodadas de La Liga 2 sem Cazorla foram de nenhuma vitória para o Real Oviedo, sendo três derrotas e três empates, culminando na queda do técnico Álvaro Cervera após quase um ano no cargo. O jogador de 39 anos falou da responsabilidade do elenco na demissão do comandante e se pensou, nesses primeiros dias, se foi um erro retornar ao clube que poderia lutar pelo rebaixamento à terceira divisão.

– Álvaro Cervera tinha sua ideia e era muito respeitável, por alguma razão quando chegou a equipe conseguiu coisas importantes, mas no início da temporada os resultados não chegaram, na maioria devido aos jogadores de futebol. Sempre digo que quando eles demitem um treinador, me sinto culpado porque por mais que você concorde com as ideias do futebol, você é parcialmente culpado pelos resultados que não vieram e todo o elenco sentiu isso – disse, na sequência falando sobre um possível arrependimento:

– Não tem erro [retornar ao Oviedo], porque dei o passo e sou o cara mais feliz do mundo. Mas pensei ‘voltei para casa, tenho que lutar para ser rebaixado e ter um ano complicado, sendo que o que eu queria era curtir’. Aconteceu no começo. Só que sei que temos um elenco de qualidade, uma cidade e um torcedor por trás para, juntos, superarmos os momentos ruins como sempre foi feito – declarou.

Na estreia do meia, já sob comando de Luis Miguel Carrión, outro revés. No entanto, a partir de Santi debutar, seja pelo bom nível individual ou o incentivo que traz apenas por sua presença, o clube engatou nove jogos de invencibilidade e só voltou a perder no fim de novembro, antes de acumular mais duas vitórias e dois empates, se colocando de vez na luta pelo acesso à primeira divisão.

Cazorla disse como Carrión mudou a cabeça dos jogadores, trazendo alegria a partir dos resultados e diminuindo uma forte pressão.

– Aí chegou o novo treinador, Luis Carrión mudou a filosofia, um pouco a mentalidade do dia a dia, nos deu mais alegria e depois, tirando os resultados, eu sabia que quando houvesse uma vitória mudaria porque muitas coisas também aconteceu, pênaltis, gols de última hora que nos custaram jogos e um triunfo muda tudo, as pessoas se libertaram da pressão e agora queremos manter a boa dinâmica da equipe.

Atualmente, o Real Oviedo está em décimo e tem 30 pontos, apenas três a menos que o Racing de Santander, o primeiro time no G6 que dá uma vaga aos playoffs de acesso à La Liga. O sonho de disputar a primeira divisão, que não acontece desde a temporada 2000/01, segue vivo na cabeça de Cazorla.

– Muita coisa [sobre sonhar com o acesso do Oviedo], já fiz como torcedor, imagina estar no elenco. Seria o cenário ideal e de sonho para a minha carreira. Sempre disse que o ideal é que Oviedo esteja na Primeira Divisão não importa quem esteja lá e se isso for conseguido comigo seria muito especial pessoalmente.

LaLiga 2
# Seleção J V E D +/- Pontos
1 Leganes

Leganes

42 20 14 8 29 74
2 Valladolid

Valladolid

42 21 9 12 15 72
3 Eibar

Eibar

42 21 8 13 24 71
4 Espanyol

Espanyol

42 17 18 7 19 69
5 Sporting Gijon

Sporting Gijon

42 18 11 13 9 65
6 Oviedo

Oviedo

42 17 13 12 16 64
7 Racing Santander

Racing Santander

42 18 10 14 8 64
8 Levante

Levante

42 13 20 9 4 59
9 Burgos

Burgos

42 16 11 15 -2 59
10 Racing Ferrol

Racing Ferrol

42 15 14 13 -3 59
11 Elche

Elche

42 16 11 15 -3 59
12 Tenerife

Tenerife

42 15 11 16 -3 56
13 Albacete

Albacete

42 12 15 15 -6 51
14 FC Cartagena

FC Cartagena

42 14 9 19 -14 51
15 Real Zaragoza

Real Zaragoza

42 12 15 15 0 51
16 Eldense

Eldense

42 12 14 16 -10 50
17 Huesca

Huesca

42 11 16 15 3 49
18 Mirandes

Mirandes

42 12 13 17 -8 49
19 Amorebieta

Amorebieta

42 11 12 19 -16 45
20 Alcorcon

Alcorcon

42 10 14 18 -21 44
21 FC Andorra

FC Andorra

42 11 10 21 -20 43
22 Villarreal B

Villarreal B

42 11 10 21 -21 43

 

Vai aposentar? Cazorla ainda se sente bem – mas sabe que está próximo de deixar os gramados

Em 13 de dezembro de 2024, Cazorla chegará aos 40 anos. Antes disso, em 30 de junho do próximo ano, seu contrato finaliza. O meia foi sincero sobre um possível baque emocional quando se aposentar, momento que trata “não muito perto nem muito longe”.

– Sim [medo de sentir mentalmente a aposentadoria], principalmente para quem gosta tanto do dia a dia, de treinar, de estar com os companheiros, do nervosismo do dia do jogo, de viajar… claro que dá medo e quando você vê que o fim se aproxima e você tem que ir passo a passo. É preciso estar preparado mentalmente e não é fácil. Já vi colegas entrarem em uma minidepressão ao se aposentarem. Agora, não vejo muito perto nem muito longe, mas tenho que estar preparado para tudo – afirmou.

No período após pendurar as chuteiras podemos esperar Cazorla como treinador? Segundo ele, agora não, preferindo ser um membro da diretoria esportiva. Sabemos que no Real Oviedo as portas estão abertas para Santi em qualquer cargo, como disse o próprio presidente do clube.

– Estarei sempre ligado a este clube, no final não sei como, mas é a equipe da minha terra, da minha gente e tudo o que contribuo como jogador de futebol espero fazer e depois estarei disponível para o que for. É necessário e todos no clube sabem disso, veremos o que se decide, mas sempre ajudarei Oviedo – finalizou.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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