Futebol espanhol

Como manobra do Real Madrid na contratação de Mastantuono pode violar lei de LaLiga

Argentino usará a camisa 30 e, a princípio, estará registrado no Castilla, o que abre espaço para uma possível contratação de última hora no elenco principal

O Real Madrid apresentou oficialmente Franco Mastantuono e anunciou que o jovem argentino vestirá a camisa 30. Mais do que uma questão estética ou de superstição, a escolha do número tem efeito prático: o clube poderá inscrevê-lo inicialmente no Castilla, equipe B dos merengues, liberando assim uma vaga no time principal.

A decisão, no entanto, levanta dúvidas sobre a regulamentação de inscrição de LaLiga: seria o movimento apenas uma estratégia administrativa ou beira uma brecha na lei do campeonato?

Como funciona a inscrição nos ‘times B’ em LaLiga

LaLiga estabelece que cada clube pode ter no máximo 25 jogadores registrados no elenco principal. Acima desse número, as vagas extras só podem ser ocupadas por atletas do time B, normalmente com idade inferior a 23 anos.

Apresentação de Mastantuono no Real Madrid (Foto: Imago)
Apresentação de Mastantuono no Real Madrid (Foto: Imago)

Desde a criação do Limite de Custo da Equipe Esportiva em 2013/14, essa regra tem sido usada para ajustar elencos e evitar estouro do teto salarial, principalmente na Segunda Divisão.

No caso de Mastantuono, que acabou de completar 18 anos, o regulamento da RFEF permite que ele atue pelo time principal mesmo inscrito no Castilla. A exceção, porém, tem limite: se ele participar de 30% dos jogos oficiais com mais de 45 minutos em campo, passa a ser considerado, para efeito de controle financeiro, integrante definitivo do elenco principal.

A real motivação do Real Madrid

Financeiramente, o Real Madrid não atravessa dificuldades. O clube fechou a última temporada com lucro líquido de 24,3 milhões de euros e receita recorde de 1,185 bilhão de euros, além de uma dívida líquida irrisória de 12 milhões. Com teto salarial fixado em 754,89 milhões de euros, não há urgência para reduzir gastos.

O principal objetivo parece ser liberar a camisa 25, última disponível no elenco principal, para uma eventual contratação antes do fim do mercado de transferências. Isso ganhou relevância após as saídas de jogadores como Ceballos e Rodrygo não se concretizarem.

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Críticas e riscos para o Real Madrid

Para Miguel Galán, presidente da CENAFE, a Escola de Formação de Treinadores da Espanha, a inscrição de Mastantuono no time B pode configurar “fraude legal”.

Ele argumenta que, pelo valor de 62 milhões de euros pago ao River Plate e o salário anual de 3,5 milhões, o argentino é claramente jogador do elenco principal. Assim, registrá-lo como atleta do Castilla apenas para abrir vaga contrariaria o espírito do artigo 125 do regulamento da federação espanhola de futebol (RFEF).

Galán alerta ainda que, se o Real Madrid escalar Mastantuono como jogador do time B de forma recorrente no time principal, poderia incorrer em escalação irregular, prevista no artigo 248 do Regulamento Geral da RFEF.

Casos parecidos até no Barcelona

O uso dessa estratégia não é novidade. Gavi e Lamine Yamal no Barcelona, além de Vinícius Júnior e Rodrygo no próprio Real Madrid, já foram inscritos pelo time B antes de consolidarem espaço no elenco principal. A diferença é que esses jogadores efetivamente atuaram nas equipes secundárias — o que não deve acontecer com Mastantuono.

O caso mais próximo é o de Toni Doblas no Huesca, registrado no time B por falta de vagas no principal. No Real Madrid, porém, trata-se de uma medida preventiva. Para dissipar qualquer suspeita, Mastantuono disse que escolheu a camisa 30 “porque o presidente me permitiu e era o número que eu usava no River Plate”.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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