Sem Mbappé, Alonso ganha fôlego com Real Madrid de brasileiros dribladores e meio-campo encorpado
Merengues venceram Betis em um dos melhores jogos sob comando do técnico espanhol
O Real Madrid iniciou 2026 pressionado, com Xabi Alonso sabendo que, se não entregar resultados, será demitido. O primeiro jogo do novo ano, sem Mbappé, lesionado, poderia tornar agilizar esse processo antes da disputa de uma difícil Supercopa da Espanha, mas se transformou em um fôlego para o técnico.
Isso porque os Merengues dominaram quase que totalmente o Betis, derrotado no último domingo (4) por 5 a 1 no Santiago Bernabéu. A atuação, uma das melhores desde que o jovem treinador assumiu o cargo, trouxe soluções interessantes na ausência.
Vinicius Júnior e Rodrygo foram um dos grandes potencializados pela nova estratégia. Entenda como funcionou o “novo” Real nesta análise tática da Trivela.

Funcionamento ofensivo contra o Betis tira o melhor de Vinicius Junior e Rodrygo
No momento com a posse de bola contra os Verdiblancos (o que ocorreu por 61% do tempo), o Real Madrid teve uma postura mais posicional, menos fluída quando tem Mbappé, montado em 3-2-5 que lembrava o que fazia o Bayer Leverkusen de Alonso.
Tchouameni se juntava aos zagueiros, no meio deles ou à esquerda, enquanto Camavinga e Bellingham davam o apoio logo à frente. Vinicius Júnior ficou preso ao lado esquerdo, dando amplitude em quase 100% do tempo, o que é muito diferente nas partidas que Mbappé está, pois o francês também cai por esse setor e dá ao brasileiro a liberdade para flutuar para dentro.
Do outro lado, Valverde fazia essa função, mas Rodrygo também teve momentos colado à linha lateral para que o uruguaio atacasse por dentro ou até ajudasse na saída de três (com isso, Tchouameni subia uma linha). Por fim, Carreras avançava para dar apoio a Vini no espaço entre o zagueiro e o lateral-direito do Betis e Gonzalo García prendia os zagueiros como camisa 9.


Vini Jr. especialista nas jogadas mano a mano e muito rápido, brilhou isolado na ponta porque sempre estava sozinho contra Angel Ortiz, quem comete a falta que culmina no primeiro gol merengue e sai no intervalo da partida porque foi amarelado na infração.
Uma das formas de explorar os dribles dele era, após superar a marcação, tocar para trás para chegada de Bellingham ou Camavinga porque os outros quatro “atacantes” empurravam a defesa do Betis para área. Isso ocorreu na primeira chance do jogo, com ele tentando acionar o francês na meia-lua e a bola sobrando para Valverde chutar para fora.
Em 77 minutos em campo, o brasileiro acertou cinco de oito dribles tentados e venceu sete duelos pelo chão. Os dados são do “SofaScore”.

Rodrygo também se deu bem nos momentos que recebeu no mano a mano, sofrendo cinco faltas, além de acertar quatro dribles e sair vencedor em nove disputas pelo solo. Mesmo atuando na direita, setor que não é seu favorito, o camisa 11 teve liberdade para flutuar para dentro e até no lado esquerdo, como na jogada do segundo gol, aberto pelo corredor canhoto e com Vini por dentro.

- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Xabi Alonso preencheu o meio e corrigiu falha do Real Madrid
A fragilidade defensiva por dentro era uma das razões para o Real ser tão instável com Alonso, sofrendo defensivamente em transições e contra-ataques.
Antes meia ou ponta, Arda Güler passou a jogar como volante com Alonso, dando qualidade acima da média na saída de bola, mas, ao mesmo tempo, não conseguindo compensar no jogo sem bola, o que deixava Tchouaméni ou outro volante escalado na função sobrecarregado.
Frente ao Betis, o francês ganhou a companhia do compatriota Eduardo Camavinga, dupla que tinha o apoio defensivo de Rodrygo se dedicando muito à direita e Bellingham à esquerda em uma recomposição 4-4-2.

O Real, sem a posse, “encaixotava” o adversário e foi praticamente perfeito defensivamente em mais de uma hora de jogo. O jogo pelo lado do campo, mesmo quando o lateral adversário subia junto do ponta, era perfeitamente anulado pela recomposição com o ala, o atacante daquele lado e do volante mais próximo, deixando o time em superioridade numérica.
Ainda existem pontos de atenção
A entrada do meia Lo Celso no lugar de Deolsa, um volante, no intervalo do jogo deu ao Betis mais qualidade na criação, o que faltou ao visitante. Com isso, os pontas agora tinham um apoio a mais além do lateral nas jogadas pelo lado e conseguiu atacar com efetividade quando o placar já estava 3 a 0.
Com um Asencio hesitante, zagueiro que tem sido pouco confiável e teve jogadas estranhas mesmo com a vitória larga, Cucho Hernández diminuiu a derrota aos 20 do segundo tempo. A partir de jogadas pelas pontas, Courtois precisou fazer uma defesa em batida de Ruibal e Riquelme acertou a trave no mesmo momento do jogo.
Os sustos seguidos, com o Betis chegando a pressionar por cerca de cinco minutos, mostraram uma dificuldade do Madrid em reter a posse de bola e acalmar o jogo. A equipe da casa ainda tentava finalizar os lances rápido, o que devolvia a bola ao visitante para outra tentativa de ataque.
Nos nove minutos finais, vieram os dois gols que selaram uma gigante vitória dos Merengues e trouxeram calma antes da Supercopa da Espanha.
O próximo confronto do Real Madrid, nesta quinta-feira (8), mostra que o time já tem um plano para jogar contra o rival Atlético de Madrid, quem deu a Alonso uma das piores derrotas da temporada: 5 a 2, em setembro passado. O vencedor enfrenta Athletic Bilbao ou Barcelona, que jogam antes, nesta quarta (7).



