Espanha

‘Preferia ficar na Championship a ir para LaLiga para ganhar menos, não perdoo nem 1 euro’

Roque Mesa contou bastidores de quando estava no Swansea City e foi procurado pelo Sevilla na janela de transferências

Para o torcedor, futebol é paixão, porém, para a maioria dos jogadores, é um mero trabalho. Roque Mesa é grande exemplo dessa máxima ao revelar os bastidores de quando agiu como um profissional de qualquer área: priorizou o aspecto financeiro antes de aceitar uma nova oportunidade.

Em entrevista ao programa “Offsiders”, o volante relembrou de quando deixou o futebol espanhol pela primeira vez no início de 2017/18, quando foi contratado pelo Swansea City. À época, Mesa trocou o Las Palmas, que vinha de campanhas de meio de tabela em LaLiga, para brigar contra o rebaixamento na Premier League.

Em meio a altos e baixos na primeira metade daquela temporada, o jogador espanhol foi procurado por Betis e Sevilla para retornar à terra natal. Entretanto, Roque Mesa dificultou as conversas com os rivais da Andaluzia porque queria receber os mesmos valores acordados com o Swansea.

— O (Joaquín) Caparrós (então treinador do Sevilha) me queria, mas eu disse que o problema era o meu contrato. Preferia ficar na segunda divisão da Inglaterra a ir para o Sevilla se fosse para ganhar menos.

Roque Mesa pelo Swansea City, em novembro de 2017 (Foto: Imago)
Roque Mesa pelo Swansea City, em novembro de 2017 (Foto: Imago)

O volante espanhol explicou que o Betis o procurou primeiro, porém, ofereceu pagar apenas “70% do salário”. Mesa recusou a oferta, pois “não ia perdoar nem um euro”. Em janeiro de 2018, o Sevilla fechou empréstimo até o final da temporada e, em julho, o contratou em definitivo por 6 milhões de euros (cerca de R$ 37,4 milhões na cotação atual).

— (Sevilla) me ofereceu um contrato que cobria os dois anos que me restavam em Inglaterra, mais um. Fui coroado — concluiu o veterano de 36 anos.

Ao final de 2017/18, o Swansea City foi rebaixado para a Championship, onde permanece até hoje. Já o clube da Andaluzia terminou na 7ª posição do campeonato e garantiu vaga na Liga Europa da temporada seguinte.

Passagem de Roque Mesa pelo Sevilla

Enquanto esteve emprestado pelo clube ganês, o atleta espanhol não teve tanto espaço. Contudo, já em 2018/19, Roque Mesa se tornou uma espécie de 12º jogador do Sevilla. Só que tudo mudou com a volta de Monchi como dirigente em julho de 2019.

Roque Mesa pelo Sevilla, em janeiro de 2019 (Foto: Imago)
Roque Mesa pelo Sevilla, em janeiro de 2019 (Foto: Imago)

No início dos anos 2000, Monchi assumiu como diretor com o objetivo de levar a equipe de Andaluzia à primeira divisão da Espanha. Seis anos depois, o Sevilla conquistou seu primeiro título da Europa League. Com o dirigente, foram mais quatro títulos do torneio até 2017, quando ele decidiu ir para a Roma.

Sem sucesso na Itália, Monchi retornou à Andaluzia e decidiu que o volante não estava em seus planos. Mesa, por sua vez, cobrou que o Sevilla pagasse tudo que devia para ir embora ou continuaria no elenco. Em 2019/20, ele foi emprestado ao Leganés, que arcou com todo o salário.

— Acabei emprestado ao Leganés porque era o único clube que assumia a totalidade do meu contrato. Aquela equipe não jogava nada e, sinceramente, me custava ir treinar — confessou o espanhol.

Roque Mesa pelo Leganés, em julho de 2020 (Foto: Imago)
Roque Mesa pelo Leganés, em julho de 2020 (Foto: Imago)

Após a passagem medíocre pelo Leganés — que jogava LaLiga –, Roque Mesa ainda tinha mais um ano de vínculo com o clube andaluz. No último dia da janela de transferências de outubro de 2020, o volante foi para o Real Valladolid depois de firmar um acordo com o Sevilla por uma saída amigável, mas justa.

— Avisei (à diretoria) que, se quisessem que eu saísse, teriam que me pagar o último ano de contrato na íntegra. Acabaram pagando e eu assinei por três anos com o Valladolid.

Nas três temporadas que ficou no clube, Mesa jogou duas edições na elite e uma na divisão inferior. Em 2023/24, o jogador espanhol foi para o Sporting Gijón, em LaLiga 2. Esteve por último no Johor FC, da Malásia, e, agora aos 36 anos, está livre no mercado.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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