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Precisando desesperadamente de novos ares, Martial é emprestado ao Sevilla

De garoto-prodígio a encostado por Rangnick, o atacante francês de 26 anos chega à Espanha em busca de mais minutos em campo

Anthony Martial, 26 anos, precisava muito respirar novos ares e finalmente o fará durante os próximos meses após ser emprestado pelo Manchester United ao Sevilla até o final da temporada. Não há opção de compra, e o clube espanhol terá que assumir os vencimentos do vencedor do prêmio Golden Boy de 2015.

Surgiu como um meteoro pelo Monaco, com 12 gols em 48 partidas na temporada 2014/15, aquela que o levou a ganhar o prêmio de melhor jogador sub-21 da Europa e a ser contratado pelo Manchester United por € 60 milhões – em uma época em que esse valor era exorbitante por alguém tão jovem.

Em seis temporadas e meia, Martial passou por muita coisa. Louis van Gaal, responsável pela sua chegada, foi demitido. Teve problemas de relacionamento (quem não tem?) com José Mourinho, que questionou seu comprometimento em público. Altos e baixos com Ole Gunnar Solskjaer, com o qual teve seu melhor momento recente, marcando 17 gols em 32 rodadas da Premier League 2019/20.

Mas perdeu espaço com Ralf Rangnick. Seu empresário, Philippe Lamboley, falou com todas as letras em dezembro que Martial desejava sair do Manchester United na janela de inverno. Está sob contrato com os ingleses até 2024 e, no último fim de semana, ganhou seus primeiros minutos sob o comando do técnico interino alemão – oito na vitória por 1 a 0 sobre o West Ham.

Em toda a temporada, fez apenas 11 jogos e marcou um gol, contra o Everton, em outubro. O Sevilla, bem ao estilo da sua abordagem de mercado, tenta encontrar valor na contratação de um jogador de alto potencial que está em um momento de baixa. Teria sido uma cartada melhor do diretor Monchi se ele tivesse conseguido fixar um valor de compra, mas Martial pode dar ao clube espanhol um retorno em campo mais importante.

Porque o Sevilla é o segundo colocado do Campeonato Espanhol, a quatro pontos do Real Madrid, e não precisamos nos aprofundar muito na análise para sacar que estão faltando gols ao time de Julen Lopetegui, que fez apenas 34 em 22 rodadas. Disputa o título apesar de ter apenas o sexto melhor sistema ofensivo da elite espanhola.

Se encontrar mais gols, pode concorrer a sério com o Real, o time mais regular de La Liga, mas sem tanto brilho. O artilheiro do Sevilla no Campeonato Espanhol é Rafa Mir, com apenas seis gols. Lucas Ocampos e Erik Lamela aparecem na sequência, com cinco e quatro, respectivamente.

Segundo o El País, Martial havia dado a Monchi a sua palavra de que sairia do Manchester United apenas para jogar pelo Sevilla, apesar do interesse de outros clubes, como Tottenham, Newcastle e Juventus. O Guardian também disse que o Sevilla era sua primeira opção. Ele é o segundo reforço da janela de inverno de Monchi, ao lado de Jesús Corona, ex-Porto, um competente criador de chances que agora (talvez) podem ser convertidas por Martial.

Em seus melhores momentos, Martial conseguiria convertê-las. Pode ser um atacante letal, forte e rápido, com capacidade de ganhar vantagem no mano a mano e faro de gol. Habilidades que se perderam ao longo de anos conturbados em Old Trafford, entre quedas de rendimento, momentos fora de forma, atritos com os chefes e cobranças da torcida.

Ele precisava mesmo, mais do que a maioria, de uma mudança de cenário para recupera o seu futebol, seja para voltar ao United com mais moral ou para reconstruir sua reputação em busca de uma transferência em definitivo ao fim da temporada – talvez para o próprio Sevilla, dependendo de como as coisas andarem nos próximos meses.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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