‘Pedi para me tirar do Barcelona’, recorda Pedro sobre início de carreira
Ex-atacante espanhol relata trama em mudança para a Catalunha e quase desistência de passagem no Barça antes de era vencedora
A carreira de um jogador de futebol vem acompanhada de muita renúncia, em especial na adolescência, período em que muitos se mudam para locais desconhecidos e vivem apenas para praticar o esporte. Essa foi a realidade que causou sofrimento a Pedro Rodríguez, ex-atacante com carreira recém-finalizada e com passagens de sucesso no Barcelona, Chelsea e Lazio.
O espanhol, em longa entrevista ao jornal catalão “Mundo Deportivo”, relatou como foi delicado trocar Santa Cruz de Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde nasceu e jogava pelo CD San Isidro, para defender os Culés em 2004, com apenas 17 anos.
— Foi muito difícil, bem mais do que talvez as pessoas imaginem quando olham de fora. Você sai de uma ilha pequena e de um clube pequeno e chega ao melhor clube do mundo, em uma grande cidade como Barcelona — refletiu ao ser questionado sobre sua carreira e como todo esse sofrimento valeu a pena.
O deslumbre de uma enorme metrópole para um jovem não foi o único fator que pesou a ele, que precisou do apoio do pai para se manter no clube.
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‘Chorava muito': Pedro não conseguia se adaptar ao Barcelona
A transição de cidades também apresentou ao então atacante um novo idioma e uma rotina pouco flexível no clube catalão. A base do Barcelona, La Masia, não é uma referência à toa, e há toda uma estrutura para preparar o jogador da melhor forma para o mundo, independente se siga na carreira ou não. Tudo isso, mais a saudade de pessoas próximas, pesou a Pedro
— O catalão também foi um pouco complicado para mim, principalmente na parte acadêmica. Em Tenerife, eu tinha uma vida mais de rua, digamos assim, jogando futebol com meus amigos. Em La Masia, havia regras muito rígidas: dormir cedo, descansar, estudar, comer bem… No começo, tive muita dificuldade para me adaptar a tudo isso.
— Além disso, minha família e meus amigos não estavam por perto. Eu chorava muito, e meu pai estava sempre me apoiando, tentando me dar ânimo e me incentivar. No fim das contas, ele tinha razão. Eu não sabia que aquela era minha única oportunidade de chegar a um grande clube como o Barça.
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Essa realidade também pesou a Andrés Iniesta, que chegou à Catalunha aos 12 anos e pedia para voltar a Albacete, sua terra natal. Questionado se passou pela mesma situação, Pedro assumiu: “Eu ligava para o meu pai pedindo que ele me tirasse dali. Não porque estivesse mal, mas por tudo o que estamos falando”.
Apesar de ter tudo do melhor no clube, desde alimentação ao tempo de descanso, o espanhol “sentia falta de coisas básicas”.
— Conversar com meus amigos em um banco enquanto comíamos sementes de girassol, jogar no centro esportivo como eu fazia, às vezes, durante dez horas seguidas, ou ir à praia com meus amigos pela manhã… — exemplificou.
Ex-atacante teve êxito por onde passou
No fim, porém, ele conseguiu atravessar essa fase. Atuou no time sub-19 e no Barça Athlètic, a equipe B que disputa divisões profissionais inferiores do Campeonato Espanhol, onde foi comandado por Pep Guardiola e Luis Enrique, até sua estreia no time principal em 2008. “Foi um momento único.”
— Liguei para meus pais para contar o que estava acontecendo, e eles não acreditaram. Meu pai chamou todo mundo da cidade para ir à nossa casa assistir ao jogo — relembrou.
Foi o início de uma passagem que durou até 2015, período no qual somou mais de 320 jogos e foi importante em cinco títulos de La Liga, três da Champions League e em mais 12 entre futebol espanhol e europeu. Ao mesmo tempo, também era pilar na seleção espanhola campeã da Copa do Mundo de 2010 e da Eurocopa de 2012.
Depois da Catalunha, foi campeão inglês no Chelsea, onde jogou cinco anos, e se mudou para a Itália para defender a Roma e depois a Lazio, clube com o qual mais se identificou desde os Culés.
Agora aposentado, Pedro reflete e mira os estudos para ver em qual área atuará. “Não sei, talvez ser empresário de jogadores, ser treinador… Ter vivido em diferentes países me fez crescer como pessoa e aprender vários idiomas”, concluiu.