Desde a última vez que subiu para a principal divisão do futebol espanhol, em 2011, o Granada não briga por outra razão senão se manter em La Liga. Nas temporadas seguintes à do acesso, os resultados obtidos pelos nazaríes foram aliviantes, mas longe de serem satisfatórios, sempre escapando de uma possível volta à segunda divisão. Este ano, não tem sido diferente. A equipe treinada por Lucas Alcaraz tenta sobreviver em uma das temporadas do Campeonato Espanhol que mais tem aceitado surpresas em algum tempo. E um suspiro de desafogo foi dado pelo time após a goleada diante dos rivais regionais do Real Betis nesta sexta, a qual ficou marcada por, além do placar elástico, uma estatística histórica interessantíssima. Os 11 jogadores que entraram em campo pelo Granada eram de 11 nacionalidades diferentes, algo que nunca havia acontecido antes em La Liga.
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O goleiro mexicano Ochoa; os defensores Foulquier (francês), Hongla (camaronês), Ingason (islandês), Gastón Silva (uruguaio) e Héctor (espanhol); os meio-campistas Uche Agbo (nigeriano), Andreas Pereira (brasileiro), Carcela (marroquino), Wakaso (ganês); e o atacante Adrián Ramos (colombiano) constituíram o histórico time multinacional do Granada. A formação mais variada em termos de nacionalidades da história da primeira divisão espanhola, com apenas um jogador “da casa” e nenhum que poderia ser chamado de compatriota por outro. E olha que os rojiblancos já tinham pisado no gramado nesta temporada de La Liga com uma equipe bastante multinacional, com 10 jogadores de nacionalidades diferentes. Com todos os titulares porém, foi algo inédito no clube, que tem atletas de 17 países diversos, e, sobretudo, na liga.
Isso só foi possível porque uma grande parte dos jogadores tem dupla cidadania, o que fez com que a formação com 11 atletas de múltiplas nacionalidades não entrasse em conflito com as regras da federação espanhola e da própria Fifa em relação a extra-comunitários. De acordo com as normas, apenas três dos 25 jogadores possíveis que não possuem cidadania europeia podem ser inscritos pelos clubes na liga. Andreas Pereira e Carcela-Gonzalez, por exemplo, são considerados cidadãos do Brasil e de Marrocos, respectivamente, e defendem as seleções desses países, ainda que ambos tenham nascido na Bélgica. Ou seja, tem dupla nacionalidade. E como a legislação europeia não diferencia atletas espanhóis de outros que estão vinculados à União Europeia, essa marca histórica pode ser cumprida pelo Granada.
Algo idêntico aconteceu na Inglaterra também nesta temporada, com o Leicester escalando 11 jogadores de nacionalidades diferentes para encarar o Middlesbrough fora de casa. Aliás, o país britânico, por ter uma liga que recebe um número muito alto de estrangeiros, tem um histórico com situações como essa do Granada na partida ante ao Betis. Dá para citar o ocorrido do jogo entre Blackburn Rovers e West Bromwich Albion pela Premier League de 2010/11, em Ewood Park. Os Blues venceram por 2 a 0 a partida que teve 22 atletas de nacionalidades distintas presentes no banco e dentro de campo. Todo o time dos Baggies era formado por gringos, exceto pelo atacante inglês Jerome Thomas.
No jogo, os cinco gols marcados ficaram divididos entre dois brasileiros, um marroquino e um colombiano. Carcela abriu o placar com um belo de um gol, em lance que ele recebeu a bola pela esquerda e, de cobertura, fez a equipe de Lucas Alcaraz disparar na frente no resultado. O 4 a 1 do Granada foi construído na sequência com Adrián Ramos (duas vezes), Andreas Pereira, que marcou e foi expulso um tempo depois após atrito com atacante Nahuel e Petros, ex-Corinthians, descontando para os também andaluzes do Betis. O resultado, apesar de excelente para o Granada, ainda deixa os rojiblancos na degola, com 16 pontos, seis a mais do que o Osasuna, o último colocado. Os recém-promovidos, no entanto, ainda jogam na rodada e podem ficar próximos dos rojiblancos. Neste domingo, enfrentam o Celta em Balaídos. Partida difícil.
? Estos son los 11 titulares elegidos por @Alcaraz_Lucas para enfrentarnos al @RealBetis. Cortesía de @Alhambra_Es pic.twitter.com/dRsDfqxvie
— Granada C.F. (@GranadaCdeF) 17 de fevereiro de 2017


