Copa do ReiEspanha

Dois relâmpagos de Torres ofuscaram o brilho do Real e classificaram o Atleti

A torcida do Real Madrid vivia uma grande festa no Santiago Bernabéu. Na entrada do estádio, centenas de pessoas receberam o ônibus do Real Madrid com fogos e bandeiras. Já quando os times foram a campo, as arquibancadas viram Cristiano Ronaldo exibir a sua terceira Bola de Ouro e homenagearam o craque com um enorme bandeirão. Para completar a noite de especial, no entanto, a equipe de Carlo Ancelotti precisava reverter o placar no dérbi contra o Atlético de Madrid na Copa do Rei. Não deu. Com dois gols, Fernando Torres comandou os colchoneros no empate por 2 a 2, que valeu a classificação para as quartas de final após a vitória por 2 a 0 no jogo de ida.

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A celebração pelos prêmios de Cristiano Ronaldo, James Rodríguez, Sergio Ramos e Toni Kroos pareceu ter deixado o Real Madrid desligado nos primeiros instantes da partida. Porque bastaram apenas 46 segundos para que Torres começasse a mostrar serviço. Griezmann aproveitou uma brecha enorme da defesa para arrancar e passar ao espanhol na medida. E o velho El Niño mostrou seu talento ao arrematar um gol que perdeu aos montes nos tempos de Milan e Chelsea, no primeiro gol da carreira contra os madridistas.

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A partir de então, o Real Madrid precisaria de quatro gols para a classificação. E saiu todo para o ataque, exercendo uma pressão imensa. Em um filme parecido com a final da Champions, Sergio Ramos igualou o placar, aproveitando uma saída estabanada do goleiro Jan Oblak. Porém, a pressão merengue funcionava pouco, com os colchoneros abafando bem as tentativas dos rivais. O time de Carlo Ancelotti chegou a ficar com 81% de posse de bola e finalizou cinco vezes mais que os rivais na primeira etapa. Mas, como dizem, o que vale é bola na casinha, e o placar se mantinha empatado.

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Na volta para o segundo tempo, outra vez a rapidez de Griezmann e Torres foi mortal. A dupla de ataque do Atleti conseguiu ser ainda mais rápida e, com 35 segundos, a bola morria nas redes. Após mais uma arrancada do francês, Torres dominou na área, deixou Pepe sentado após uma linda finta e chutou cruzado para vencer Keylor Navas. De novo, o Real precisava de quatro gols, e com ainda menos tempo para agir.

O jogo aéreo funcionou mais uma vez na sequência, em cruzamento de Bale que Cristiano Ronaldo completou na pequena área, deixando o 2 a 2 no placar. Contudo, os colchoneros estavam bem mais equilibrados na segunda etapa, conseguindo trabalhar a bola e ameaçar no campo de ataque. Os rojiblancos faziam o tempo passar, com o Real levando perigo apenas nos cruzamentos e bolas paradas. Não havia mais tempo. E o mais surpreendente é que o time de Diego Simeone nem precisou apelar muito para as pancadas, como de costume. Foram apenas seis faltas cometidas, embora quase sempre fortes, com quatro cartões amarelos.

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Embora não tenha sido uma vitória, o Atlético de Madrid reforça que aprendeu mesmo a jogar contra o Real Madrid, após 13 anos de freguesia. Desde a vitória na decisão da Copa do Rei 2012/13, são cinco triunfos e três empates em 11 partidas – e vale lembrar que, apesar do desgosto na final da Champions, os colchoneros só sofreram a virada a partir dos 48 do segundo tempo. Extremamente copeiro e moldado para grandes jogos, o time de Diego Simeone deverá enfrentar o Barcelona nas quartas de final da Copa do Rei. Sem temer craque rival ou peso de camisa.

Abaixo, os dois gols de Torres. Destaque para o segundo:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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