Copa do ReiEspanha

A vibração do Atleti de Simeone fez a diferença na terceira vitória sobre o Real em 2014/15

Durante 13 longos e tenebrosos anos, o Atlético de Madrid viveu um pesadelo contra o Real Madrid. Os colchoneros não venceram um clássico sequer contra os maiores rivais. A final da Copa do Rei de 2012/13, no entanto, libertou o clube. Desde então, a equipe de Diego Simeone parece jogar ainda mais quando vê a camisa merengue pela frente. Como nesta quarta, no duelo pelas oitavas de final da competição. Os merengues não estavam com força máxima, é verdade, sobretudo porque Cristiano Ronaldo começou no banco. Da mesma forma como o Atleti não tinha Koke, Arda Turan e Mandzukic, e mesmo assim triunfou por 2 a 0 no Vicente Calderón. Das cinco derrotas do Real em jogos oficiais na temporada, três foram para o Atleti.

Logo no primeiro instante, o Atlético espantou o velho fantasma. Uma cabeçada certeira de Sergio Ramos, que aludia à trágica final da Champions, parou em uma defesa estupenda de Jan Oblak. E o goleiro apareceu muito bem para salvar as melhores tentativas merengues, fazendo coro na briga pela posição com Moyá. E, quando o arqueiro não pôde fazer nada, o assistente anulou um gol de maneira correta por impedimento.

Ainda assim, quem criava mais perigo era o Atleti. Fernando Torres reestreava pelo clube do qual é ídolo, mas, diante de uma atuação apagada do centroavante, quem infernizava os merengues era Griezmann e Raúl García. Navas precisou salvar com a ponta dos dedos, enquanto Marcelo e Varane também realizaram bloqueios vitais. Porém, veio o segundo tempo e os colchoneros finalmente transformaram a supremacia em gols. Depois de um pênalti óbvio de Sergio Ramos, Raúl García abriu o placar. E, mesmo com a entrada de Cristiano Ronaldo, José María Giménez aumentou a conta graças à fortíssima bola parada dos rojiblancos. Tranquilidade para a pedreira no reencontro dentro do Santiago Bernabéu.

A cena mais emblemática da partida, ainda assim, não aconteceu dentro das quatro linhas. Após o segundo gol, Diego Simeone ficou em chamas e deu um grande abraço em seu filho, que também é gandula no Calderón. Representa muito bem a maior marca deste Atlético: acima do bom futebol, a vibração, que mantém o time competitivo mesmo depois de perder tantos talentos individuais. Importante para as cinco vitórias nos 10 jogos contra o Real Madrid desde aquela fatídica decisão de Copa do Rei – com apenas três derrotas, incluindo a vendida caríssima na final da Champions. E que também deverá valer muito no próximo domingo, quando visita o caótico Barcelona no Camp Nou, podendo tomar a vice-liderança de La Liga.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo