Espanha

O adeus anunciado de Mourinho ao Real Madrid

José Mourinho não irá dirigir o Real Madrid na próxima temporada. O anúncio foi feito pelo presidente Florentino Perez, que declarou que era o momento de romper com o treinador, que tinha contrato até 2016. O excessivo desgaste com o clube e com os jogadores e a falta de um título relevante nesta temporada foram os principais motivos da ruptura entre o clube merengue e o treinador português.

O desgaste com jogadores de peso no elenco, como o goleiro e capitão Iker Casillas e o zagueiro Sergio Ramos, contribuíram para a perda de controle dos vestiários. O técnico já tinha entrado em confronto com Mesut Özil e em uma guerra velada com Kaká. Além disso, a sua tradicional antipatia com os jornalistas também já não fazia muito sucesso. A diretoria não via com bons olhos a administração do vestiário feita pelo português.

Com esse clima ruim no vestiário, a saída de Mourinho já era vista como certa. Após a eliminação do Real Madrid na Liga dos Campeões para o Borussia Dortmund, Mourinho disse na entrevista coletiva que não sabia se continuaria, porque gostaria de estar “onde é amado”. A sua saída parecia iminente e foi confirmada pelo presidente Florentino Pérez, que também confirmou que clube e treinador entraram em um acordo. A verdade é que foi o próprio Mourinho se colocou em uma situação muito complicada.

“Ninguém foi demitido, foi um acordo mútuo”, afirmou Pérez. “Não é agradável que ele saia, mas depois de três anos chegamos à conclusão que era o momento de romper essa relação”, disse. “Ele acredita que o melhor é deixar o clube, eu partilho de suas razões. É uma decisão adequada para começar um novo projeto. Não há multa rescisória, reitero. Mou é o treinador há mais tempo no cargo entre os 20 times do Campeonato Espanhol. Ficar três anos não é fácil, e menos ainda em uma instituição com tanta pressão quanto esta”, analisou ainda o presidente merengue.

A análise do presidente, ao menos no discurso, é que Mourinho foi bem-sucedido no cargo. “Há ligas que foram ganhas com 60 pontos. A palavra fracasso não corresponde à realidade,m seria injusto. Na nossa cultura, não é suficiente”, continuou.

“Demos um salto qualitativo muito importante, e no esportivo e no competitivo. Hoje o Real Madrid está onde deve. Foram seis anos sendo eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões, sem ser cabeças de chave. Hoje estamos sempre nos quatro primeiros, sempre nas semifinais ou finais. O balanço é positivo”, avaliou o dirigente mais alto na hierarquia madridista.

Apesar dos elogios, Pérez deixou claro que nesta temporada, o desempenho não foi suficiente. “No ano passado, estávamos todos encantados, criamos um futebol espetacular, havíamos batido todos os recordes. Este ano, para nós não é suficiente chegar às semifinais da Liga dos Campeões, à final da Copa do Rei e ser segundo na Liga. Por isso o Real Madrid é grande, somos exigentes, nossa cultura é ganhar”, declarou.

Florentino Pérez admite que a avaliação poderia ser outra se o time tivesse conseguido o seu grande objetivo, a Liga dos Campeões. “Esta decisão foi tomada por muitas razões. Se tivéssemos ganhado uma Liga dos Campeões, talvez agora não estivéssemos aqui, não sei. Mourinho acredita que três anos são suficientes. Tem o seu desgaste”, disse.

No Real Madrid, Mourinho conquistou uma Copa do Rei (2010/11), um Campeonato Espanhol (2011/12) e uma Supercopa da Espanha (2012). Teve dificuldades para vencer o Barcelona, o principal rival. Foram derrotas, seis empates e quatro vitórias – três dessas quatro vitórias vieram nesta última temporada (uma pela Supercopa, uma pela Copa do Rei e uma pelo Espanhol).

O futuro para o Real Madrid e para Mourinho

O técnico mais cotado para dirigir o Real Madrid na próxima temporada é Carlo Ancelotti. O treinador, de 53 anos, conseguiu sucesso nos seus últimos trabalhos, por Milan, Chelsea e Paris Saint-Germain.

Ancelotti venceu suas vezes a Liga dos Campeões pelo Milan (2002/03 e 2006/07), ganhou o Campeonato Italiano (2003/04) e Copa da Itália (2002/03). Pelo Chelsea, conquistou a Premier League (2009/20) e Copa da Inglaterra (2009/10). No Paris Saint-Germain, levou o título do Campeonato Francês (2012/13). É visto como um técnico com perfil mais pacificador, menos propenso ao confronto, ao contrário de Mourinho.

Já o português tem seu nome fortemente ligado ao Chelsea. O técnico levou o time de Roman Abramovich ao seu primeiro título inglês em 50 anos, em 2004/05 e foi bicampeão no ano seguinte, 2005/06, além da Copa da Inglaterra, em 2006/07. A relação conturbada com o dono do clube foi o que fez Mourinho deixar a equipe em 2007, mas as arestas parece terem sido aparadas e o retorno é uma possibilidade. Especialmente porque Mourinho ainda é muito querido por jogadores remanescentes, como John Terry e Frank Lampard. A ver como serão os próximos capítulos.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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