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Se a situação de Mourinho no Real é delicada, a culpa é dele

A situação de José Mourinho no Real Madrid se torna cada vez mais insustentável. A eliminação nas semifinais da Liga dos Campeões e a distância para o Barcelona em La Liga são partes pequenas do problema. O treinador cria rusgas com os líderes do elenco merengue, alguns até pouco tempo seus aliados, e ganha a antipatia da torcida. Uma crise que torna a saída do português questão de tempo. E que, possivelmente, estaria sendo arquitetada pelo próprio treinador.

Mourinho vem forçando sua situação há algumas semanas. No entanto, o incêndio aumentou justamente depois da queda na Champions, principal ambição do Real. Logo na entrevista coletiva após o jogo contra o Borussia Dortmund, o técnico disse que “não se sente querido em Madri”. Na sequência, passou a atacar os principais símbolos do elenco merengue, entre eles Cristiano Ronaldo e Iker Casillas.

As críticas ao goleiro, em especial, não desagradaram apenas os torcedores, mas também o restante dos jogadores. Em 2011, Mourinho tinha afirmado que Casillas era o melhor do mundo, essencial para o título da Copa do Rei. Agora, disse que, se pudesse, teria trazido Diego López ao clube ainda em 2011. A contradição não foi engolida pelo elenco, vista como ingratidão. Tanto que Pepe, visto antes como um dos principais escudeiros do treinador, saiu em defesa do colega. Mais um sinal da iminente despedida de Mourinho.

A intenção de Mourinho com a guerra interna

Segundo o jornal El País, José Mourinho confia que as provocações serão benéficas ao seu bolso, por mais que firam seu ego. Em matéria assinada pelo jornalista Diego Torres, uma fonte ligada à Gestifute, agência que representa o técnico, a intenção do português é ser liberado pelo Real Madrid ao final da temporada. A quebra unilateral do contrato geraria uma multa de € 20 milhões, algo que Mourinho quer evitar antes de firmar o provável retorno ao Chelsea.

No meio do entrave está Florentino Pérez. Conforme o jornal, o presidente do Real Madrid não estaria disposto a liberar Mourinho facilmente. Primeiro, porque o técnico recuperou sua popularidade entre os sócios. Depois, porque pretende receber ao menos uma parte dos € 18 milhões pagos pela rescisão do contrato do português com a Internazionale. Pérez até aceita baixar a multa, mas espera que o Chelsea pague de € 5 a 10 milhões pela contratação.

Roman Abramovich não dará um salário a Mourinho tão alto quanto os € 11 milhões depositados anualmente pelo Real. Contudo, o magnata promete pagar um bônus pelos objetivos que o técnico cumprir com os Blues. Um valor que deve aumentar caso o russo economize o dinheiro da rescisão. E, se o Chelsea não conseguir a classificação à próxima Liga dos Campeões, Mou já teria o Paris Saint-Germain como segundo plano.

A situação de conflito criada no Real Madrid se assemelha com a saída de Mourinho do Chelsea, em 2008. Porém, agora não precisa entrar em atrito com o presidente do clube, como fez com Abramovich, mas sim com a massa social que sustenta a gestão merengue. Quem paga o pato desta vez são os jogadores, em um ambiente desgastado, e a torcida, farta pela promessa não cumprida do décimo título na Liga dos Campeões.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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