‘Ninguém no Barcelona tem impacto maior na dinâmica geral que Raphinha’
Brasileiro participou de seis gols contra o Newcastle na Champions League e foi exaltado
A goleada do Barcelona por 7 a 2 sobre o Newcastle, na última quarta-feira (19), serviu como mais do que uma classificação tranquila às quartas de final da Champions League. Para o time comandado por Hansi Flick, foi também a confirmação de que seu principal jogador está novamente no auge: Raphinha.
O brasileiro participou diretamente de seis dos sete gols do Barça: marcou duas vezes, distribuiu duas assistências, sofreu o pênalti convertido por Lamine Yamal e ainda cobrou a falta que originou o gol de Marc Bernal. Uma performance que praticamente elimina qualquer dúvida sobre seu protagonismo no elenco.
Mais do que números, chamou atenção a forma como esteve em todos os lugares do campo. Com e sem a bola, Raphinha se mostrou o jogador mais confiável dentro da estrutura de Flick e certamente o mais influente no funcionamento coletivo.
Caminho duro de Raphinha até retorno ao auge no Barcelona
A atuação de gala não veio por acaso. A temporada do brasileiro foi marcada por interrupções físicas, especialmente por problemas na coxa, que o afastaram de nove partidas entre setembro e novembro, incluindo convocações para a seleção brasileiro.
Após retornar de uma nova lesão no início do ano, Raphinha demorou a reencontrar o ritmo. Foram cinco jogos de LaLiga sem participações em gols, além de atuações ainda abaixo do seu padrão, incluindo o jogo de ida contra o Newcastle.
Diante desse cenário, a comissão técnica tomou uma decisão pouco intuitiva: em vez de poupar, optou por dar mais minutos ao atacante. Enquanto outros titulares foram preservados contra o Sevilla, Raphinha foi mantido em campo quase o tempo todo. A ideia de Flick era clara: acelerar a recuperação de confiança do jogador.

O resultado foi imediato. Antes mesmo do jogo decisivo, ele já havia respondido com um hat-trick em apenas 51 minutos. Contra o Newcastle, veio a consolidação.
Internamente, nunca houve dúvidas sobre a importância de Raphinha. O próprio Flick já havia deixado isso claro após derrotas no início da temporada, como no revés para o Chelsea.
Na visão do treinador, o brasileiro é um dos poucos jogadores do elenco que traduz perfeitamente sua ideia de jogo: intensidade, leitura de espaços e participação constante em todas as fases.
“Senti muito a falta dele, é claro. Ele é um dos jogadores mais fundamentais do nosso elenco, que se encaixa perfeitamente no nosso estilo e filosofia. Ele causa um impacto enorme no nosso jogo. Sei que ele quer melhorar e mostrar ao mundo o quão bom ele é”, disse ele sobre o meia na coletiva pós-jogo.
Em sua análise sobre o jogador, o site inglês “The Athletic” reforçou como o capitão pode não ser o mais genial do elenco, mas se faz o jogador que mais traduz o estilo do time em campo:
“Não existem muitos nomes no nível de Bola de Ouro que tenham esse tipo de comprometimento com o coletivo. Raphinha, aos 29 anos, não é tão talentoso quanto Yamal, nem tão refinado quanto Pedri no meio-campo. Mas ninguém no elenco do Barcelona tem um impacto maior na dinâmica geral do time”, diz o site.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Reconhecimento de Raphinha ainda em aberto
Apesar do impacto em campo, o reconhecimento individual ainda parece aquém do que o jogador entrega. O próprio Raphinha já falou publicamente sobre a sensação de ser subestimado, principalmente por não vencer e ficar até mesmo de fora do top-3 da Bola de Ouro de 2025.
Adding another to the collection. pic.twitter.com/NR1MtipTKy
— FC Barcelona (@FCBarcelona) March 18, 2026
“Sim, acho que merecia muito mais reconhecimento após a temporada passada. No fim, é algo que não posso controlar, pois são pessoas e jornalistas que votam. Tento controlar tudo o que faço em campo, e lá acredito que tive uma campanha espetacular. Isso basta para mim”, disse Raphinha em uma coletiva em novembro.
Nomes de peso do futebol europeu concordam com essa percepção. O técnico do Atlético de Madrid, Diego Simeone, por exemplo, já afirmou não entender por que o brasileiro não recebeu mais destaque na Bola de Ouro.
Os números reforçam o argumento: são 27 participações em gols em 30 partidas na temporada, mesmo com lesões e inconstâncias. O que a atuação contra o Newcastle deixa claro é que, em plena forma, Raphinha eleva o nível do Barcelona a outro patamar. Bom para o Barça e para a seleção brasileira.



