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Mourinho: “Qualquer um pode ganhar a Champions com Messi. Esse garoto torna tudo diferente”

José Mourinho tirou o final de semana para ser afetuoso com seus principais adversários dentro de campo. O técnico do Chelsea pode fazer os seus “jogos mentais”, mas demonstrou enorme respeito pelos craques que enfrenta. Primeiro, antes de pegar o Liverpool pela Premier League, exaltou o último confronto com Steven Gerrard. Para depois elogiar Lionel Messi de uma maneira como nunca havia feito antes, nem mesmo nos tempos de Real Madrid. Depois da atuação de gala do camisa 10 contra o Bayern de Munique, Mourinho o evidente. O que, mesmo assim, ganha importância enorme nas palavras de um treinador tão renomado e de um rival tão íntimo do craque.

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Só que, apesar dos afagos a Messi, o português também aproveitou a chance para alfinetar outras pessoas. Mourinho não dá ponto sem nó. Incluindo o Chelsea no meio, perguntou se qualquer time inglês não conquistaria a Champions com Messi também. Para depois questionar quais os méritos de Guardiola, tanto ao fazê-lo campeão, quanto na tentativa mal sucedida de tentar pará-lo com o Bayern de Munique.

“Vocês têm dúvidas que o Manchester City com o Messi poderia ganhar a Champions? Ou o Arsenal com o Messi? Ou o Chelsea? Ou o Manchester United, não acham? Eu acho. Uma coisa é um time. Outra é o time de Messi, uma história bem diferente. Ele jogou a final com Rijkaard e Guardiola, provavelmente jogará mais uma com Luis Enrique e, se um dia ele for treinado pelo Antônio (nome fictício), o Antônio também irá a uma final de Champions com ele. Quando as pessoas analisam times, precisam lembrar que esse garoto faz tudo diferente”, analisou.

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Além disso, Mourinho aproveitou a oportunidade para rebater as afirmações de Guardiola, de que não existe sistema tático para brecar Messi: “Se você está vendo um jogo de Messi, não pode se esquecer que também é técnico. Você aprecia tanto que às vezes esquece que está lá para trabalhar. Você precisa pensar sobre o que esse cara faz. Todas as vezes que eu enfrentei Messi, eu gastei horas estudando e tentando pará-lo. Fui bem sucedido em algumas vezes, em outras não. Com a Inter, paramos nos dois jogos. A melhor maneira de fazer isso é no mano a mano, melhor do que envolver a todos. Quando você vai para o mano a mano, vai com um poder similar. Todas as vezes eu pensava qual a melhor maneira coletiva de dá-lo uma partida difícil – e não estou falando em pará-lo. Acho que é a expressão correta. Não é sobre pará-lo, mas dificultar sua vida. Isso é o máximo que você pode fazer contra ele”.

Por fim, Mourinho também comentou sobre as chances de Messi deixar o Barcelona. O próprio Chelsea foi apontado como um possível destino, diante os problemas internos no Barcelona e a queda de produção meses atrás: “Minha opinião pessoal é que não existem chances de Messi sair. Só uma opinião. Mesmo um grande clube, um cheio de dinheiro. O Barcelona não pode perder Messi. Ele pertence ao Barcelona, pertence aos seus torcedores. Não acredito que ele poderia deixar. No futebol, você nunca sabe, mas eu não acredito”. Vale ressaltar que, por vezes, foi aventado o projeto de Messi parar no Newell’s Old Boys, clube de sua infância.

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As declarações de Mourinho valem demais. Ainda que sejam mais pesadas do que deveriam. Ainda que não seja nada fácil, existem mesmo maneiras de “deixá-lo jogar menos”, como Di Matteo, Heynckes ou Simeone também conseguiram na Champions durante os últimos anos. Só que nenhum deles deu tantos espaços ao camisa 10 no campo ofensivo como Guardiola fez no Camp Nou, adiantando sua linha defensiva. Só que também não dá para negar os méritos do técnico espanhol em transformá-lo neste craque que não se pode parar.

A evolução do argentino a partir de 2008 é notável, e seus números tornam isso evidente. A mudança de posicionamento e a mentalidade aplicada por Guardiola ao Barcelona ajudaram demais Messi. O treinador abriu mão do melhor ponta direita do mundo na época para terminar de formar um dos maiores jogadores da história, e isso não é pouco. De um jogador a mais para fazer a diferença, o camisa 10 se tornou aquele que consegue isso mais do que qualquer outro, e mesmo nas situações de maior pressão. Se desde 2012 Messi caminha com as próprias pernas, também tem é por aquilo que Guardiola o possibilitou. Talvez Antônio, ou nem mesmo Mourinho, tivessem essa percepção que o espanhol teve.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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