Pagamento de R$ 1,1 milhão de Mbappé a policiais vira alvo de investigação na França
Capitão da seleção francesa alegou tratar-se de doações, mas relação com viagens pessoais levanta dúvidas sobre uso indevido de função pública
Kylian Mbappé, astro do Real Madrid, está no centro de uma investigação administrativa da IGPN, a Inspeção Geral da Polícia Nacional da França, após realizar doações a cinco policiais ligados à segurança da seleção francesa.
A apuração gira em torno de possíveis irregularidades envolvendo pagamentos feitos pelo jogador em 2023, que somam mais de 180 mil euros (R$ 1,1 milhão, na cotação atual). O nome de Mbappé já foi protagonista recente de manchetes jurídicas na Europa depois que o atacante decidiu processar o PSG, seu ex-clube.
A investigação sobre caso envolvendo Mbappé
Segundo o jornal investigativo francês “Le Canard Enchaîné”, os beneficiários fazem parte das Companhias Republicanas de Segurança (CRS), unidade que presta serviço à seleção.
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Entre os policiais envolvidos, estão quatro sargentos que receberam, cada um, 30 mil euros (R$ 194 mil) e um comandante que recebeu 60.300 euros (R$ 390 mil), todos por meio de cheques emitidos por uma conta em nome do próprio jogador do Real Madrid, em junho de 2023.
Os dados constam em um relatório do Tracfin, órgão francês responsável por monitorar crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.
O documento despertou atenção por apontar que o comandante beneficiado, além de liderar os demais agentes, também acompanhou Mbappé em viagens pessoais, como durante visitas a Camarões e à região de Vaucluse, no verão europeu de 2023.
A suspeita da IGPN é de que ele possa ter atuado como segurança pessoal fora de sua função pública, o que configuraria quebra de probidade administrativa.
Mbappé, por sua vez, afirma que os pagamentos fazem parte do valor que decidiu doar após a Copa do Mundo do Catar de 2022, como forma de agradecimento à equipe de segurança e a algumas instituições sociais.
Em declaração assinada, o atacante assegura ter consultado um advogado tributarista, que teria garantido que os beneficiários não precisariam declarar os valores ao fisco por se tratar de “doações de uso”.
Kylian Mbappé est dans le 11 type 2024 de la FIFPRO ! 👏🇫🇷
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— Equipe de France ⭐⭐ (@equipedefrance) December 9, 2024
Ainda segundo o Canard Enchaîné, o jogador se colocou à disposição para prestar esclarecimentos e reforçou que sua intenção foi apenas reconhecer o trabalho de quem garantiu a proteção da equipe francesa no Mundial.
Contudo, para a IGPN, a questão central não é a legalidade dos valores em si, mas se o comandante teria extrapolado sua função oficial ao acompanhar o jogador fora de compromissos da seleção, criando uma situação de conflito de interesses.
A investigação segue em curso, e o desfecho dependerá da análise da natureza dos pagamentos e do comportamento dos agentes envolvidos.