Futebol espanhol

‘Seria muito perigoso’: A lição de Luis Enrique que serve ao Barcelona de Hansi Flick

Barça vem de duas derrotas seguidas após vencer as 11 primeiras partidas da temporada

Até então com 100% de aproveitamento, o Barcelona agora acumula duas derrotas seguidas para PSG e Real Madrid. Não é momento para a crise, mas chama atenção como o que era, de longe, o melhor time do mundo acabou caindo rapidamente. Uma fala de Luis Enrique, técnico que derrubou a invencibilidade culé, serve como lição ao time de Hansi Flick.

O treinador do Paris, bicampeão europeu e absoluto na França, assumiu que sua equipe não precisa estar preparada agora. O objetivo é que o auge aconteça só no próximo ano, período marcado pelas fases mais avançadas da Champions League.

— Estamos apenas no início da temporada. O caminho é muito longo. Às vezes, perdemos, às vezes, vencemos, mas estamos sempre buscando a vitória. Este não é o momento de estarmos a 100%. Não quero que estejamos a 100% agora. Seria muito perigoso se já estivéssemos. Estamos no nosso ritmo habitual, mas queremos chegar aos 100% por volta de abril, mais ou menos — disse Enrique.

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Claro que o PSG tem um privilégio quase único entre os gigantes europeus: pode poupar alguns de seus craques e mesmo assim continuar nas primeiras posições da Ligue 1. Mas é chocante que, no fim de outubro, o Barça já se sinta desgastado. “Hoje ficou evidente que não estamos 100% fisicamente”, assumiu Flick após o clássico.

— Normalmente, estaríamos mais descansados. […] Não estamos jogando em nosso melhor nível, e isso tem a ver com o desgaste físico. Precisamos recuperar a energia da equipe — completou.

Barcelona chegou ao auge cedo demais

O início de temporada do Barcelona foi assombroso. Em 11 jogos, eram 11 vitórias e 48 gols marcados. Um time intenso, extremamente associativo e com jogadores em grande fase, como Raphinha — até agora, o melhor de toda a temporada –, Lamine Yamal e outros.

Parecia o auge da equipe justamente na reta inicial da temporada, quando nada é definido, afinal, a distância na liderança de La Liga só está em dois pontos e só passaram três jogos da Champions.

A fala de Flick sobre desgaste, as lesões recentes — Raphinha, Xavi Espart, Eric García, Andreas Christensen, Dani Olmo e Julés Kounde — e a queda de desempenho nos maiores jogos dão razão a quem afirmou que era muito cedo para chegar no pico físico, como apontavam os 11 primeiros jogos.

Xavi Espart sente lesão em jogo do Barcelona
Xavi Espart sente lesão em jogo do Barcelona (Foto: IMAGO / Pressinphoto)

O PSG é uma prova de que nem sempre precisa estar na ponta dos cascos na primeira parte da temporada. Nas duas últimas conquistas da Champions, o time parisiense sequer avançou entre os primeiros oito colocados e precisou disputar os playoffs para alcançar as oitavas de final (em 2024/25, exagerou na emoção e quase foi eliminado).

Quando chegou o mata-mata, os comandados de Luis Enrique ativaram o “modo rolo compressor” e passaram por todos os adversários para sair com o bicampeonato europeu, algo inédito desde o Real Madrid na última década.

O Barça exige mais foco porque La Liga é mais competitiva, tendo Real e Atlético de Madrid sempre na cola, mas é possível diminuir o ritmo, pelo menos nos jogos menores, para que guarde o fôlego para o momento mais decisivo da temporada. Após dois títulos nacionais consecutivos, o grande objetivo do Barça é levar a Europa. Estar bem fisicamente a partir de abril é essencial.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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