La Liga

Thiago Galhardo sobre La Liga: “É um futebol em que os aspectos técnicos e o cuidado com a bola são muito valorizados”

Atacante do Celta, o brasileiro Thiago Galhardo conversou com a Trivela sobre o início de carreira na Espanha e o objetivo de se firmar no futebol europeu

É raro ver um jogador sul-americano se transferir para uma das principais ligas da Europa sem nunca ter jogador lá antes. Thiago Galhardo é um caso especial e não apenas por isso. O jogador teve uma trajetória longa no futebol brasileiro, passando por equipes de pequeno, médio e grande porte antes de explodir de vez no Campeonato Brasileiro atuando por Vasco, Ceará e Internacional. Seu bom desempenho o levou para o Celta. Em entrevista exclusiva da Trivela com o jogador, promovida pela Betway, site de apostas esportivas, ele comenta sobre a trajetória da carreira e o momento na Espanha. 

Galhardo é um caso raro de jogador que tinha uma outra carreira antes de optar pelos gramados. Em um país que as oportunidades nem sempre aparecem, Thiago Galhardo tinha o sonho de muitas pessoas: a estabilidade de um emprego público em uma grande estatal, a Petrobrás. 

Ele chegou a passar por um treinamento para trabalhar nas plataformas dos campos de petróleo do pré-sal. O salário também era atraente: cerca de 10 salários-mínimos, na época em torno de R$ 300, em 2008. Veio uma chance de tentar uma vaga no Bangu. Bastou um treino e ele foi aprovado. Abrir mão de um emprego estável para o futebol, que é muito instável e não oferece garantia nenhuma de sucesso, foi uma decisão corajosa. A mãe foi a única a apoiá-lo.

“Um momento de decisão muito difícil, mas que jamais me arrependi. Não porque hoje deu certo, posso te garantir, mas sim porque tive total apoio da minha mãe. No fundo nós sabemos o que vai dar certo e o que não vai dar. Era um sonho de menino, que não teria outra oportunidade. O concurso, você pode ter a segunda, terceira oportunidade. Decisão difícil, porém, bem tomada e hoje colho os frutos do meu sonho. Somente agradecer a Deus e minha mãe por tudo isso”, contou o jogador.

O Bangu foi o passo inicial, mas Thiago Galhardo passou por muitos clubes desde então. Botafogo, Comercial, América de Natal, Remo, Boa Esporte, Cametá, Brasiliense, Madureira, Coritiba, Red Bull Brasil, Ponte Preta, Albirex Niigata, Vasco, Ceará e Internacional, de onde partiu para o Celta neste ano de 2021. Entre os altos e baixos, o jogador sempre acreditou.

“Sempre se passa por momentos difíceis quando as coisas não saem como desejamos, mas aprendi que com trabalho e constância, os objetivos são alcançados. É preciso ter fé, confiança e trabalhar duro no dia a dia para dar o melhor de si mesmo a cada momento”, afirmou.

O Celta contratou Thiago Galhardo em agosto, por empréstimo vindo do Internacional. O clube espanhol tem opção de compra para ficar com o brasileiro em definitivo. Até aqui, são 10 jogos disputados pelo Celta em La Liga, com uma assistência. Chegou a marcar um gol contra o Barcelona, que foi anulado por impedimento corretamente marcado. O jogador comentou sobre a diferença de estilo de jogo no Brasil e a na Espanha.

“São competições muito diferentes, com exigências físicas diferentes, propostas táticas e ritmo de jogo diferentes. Na Europa também são diferentes as ligas de uns e outros países. Na Espanha, o ritmo de jogo é muito alto e os jogadores têm grandes capacidades técnicas. É muito bom jogar aqui, mas também é complicado. Gosto deste desafio porque mais uma vez tenho que dar o meu melhor para ajudar o time e melhorar como jogador de futebol.

Meio-campista de formação, Thiago Galhardo se acostumou a armar as jogadas, mas passou a atuar também como atacante e até uma espécie de centroavante, ou falso nove. No Internacional, especialmente, o jogador deslanchou nessa posição e se tornou artilheiro da equipe.

“Os jogadores vão evoluindo ao longo da nossa carreira e sempre tem que estar preparados para jogar onde o treinador precise de você. Comecei a jogar mais adiantado e me adaptei rápido a essa posição, que pude aproveitar muito bem minhas condições. Com Coudet tive números muito bons e espero que esta nova etapa no Celta também possa oferecer um bom rendimento”, explicou.

O futebol espanhol é casa de muitos jogadores latino-americanos, inclusive os brasileiros, com uma grande história na liga. Para Galhardo, La Liga é um lugar onde é preciso cuidar muito bem da bola, já que há uma exigência técnica de nível muito alto.

“O primeiro é se preparar bem do ponto de vista físico, porque é uma liga muito exigente, mas é um futebol em que os aspectos técnicos e o cuidado com a bola são muito valorizados. Estou me adaptando rápido e desejando ajudar a equipe o máximo possível”, declarou o atacante. 

A mentalidade é um dos aspectos-chave de qualquer profissão, ainda mais em uma liga de exigência alta como a espanhola. Perguntamos a Galhardo se ele vê diferenças entre as mentalidades do Brasil e da Espanha. 

“No final, o futebol é uma paixão, no Brasil, na Espanha e em outros muitos países, mas também, para nós, é nossa profissão e por isso temos que estar preparados da melhor forma possível do ponto de vista físico, tático e mental. A liga espanhola é das melhores do mundo e se cuida de todos os detalhes no máximo”, analisou o jogador.

O futebol é a profissão e a parte mais importante da carreira de um jogador, mas aproveitar o tempo livro também é necessário. Thiago Galhardo aproveitar o que a cidade onde mora tem para desfrutar sempre com a sua família. 

“Aproveito com a minha família. Vigo é uma cidade muito bonita, com muito encanto natural e lugares muito bonitos para comer ou passear. Não preciso de mais para estar feliz, jogar futebol e aproveitar com a minha família”, disse.

O Celta é um clube com muita história em relação a jogadores brasileiros, como Mazinho, campeão do mundo em 1994 pela seleção brasileira, Catanha, Vágner, Edu e mais recentemente Rafinha Alcântara, ex-Barcelona, que atualmente está no PSG. Sendo assim, a recepção aos jogadores brasileiros tende a ser melhor. 

“A recepção foi muito boa. Há um vestiário esplêndido e me aceitaram muito bem. Todos me ajudaram para que minha adaptação fosse a mais rápida possível. É verdade que o Celta teve muitos jogadores brasileiros que já deixaram uma recordação muito boa e isso sempre ajuda”, disse ele.

Eduardo Coudet trabalhou com Thiago Galhardo e o relacionamento foi tão bom que o treinador argentino indicou o jogador para o Celta. “A minha relação com ele [Coudet] é muito boa, mas é assim com todos. É um treinador muito próximo, que fala com clareza e, felizmente, muito exigente. Seu objetivo é tirar o melhor de cada um para que a equipe seja melhor e isso é algo a se agradecer. É verdade que já o conhecia e isso também me ajudou a me adaptar mais rapidamente ao jogo da equipe. Espero retribuir a ele e ao Celta a confiança que depositaram em mim com um bom rendimento”.

Quando Coudet chegou, na temporada passada, o Celta brigava contra o rebaixamento. Desde então, as coisas mudaram e o clube até sonha com uma vaga europeia. “É um grupo ambicioso, com jogadores muito bons e um grande treinador, mas a ideia é pensar só na partida seguinte, em ganhar a cada semana. Não começamos como gostaríamos, mas não tenho dúvidas que o Celta está crescendo e faremos um grande campeonato”.

Com 32 anos, Thiago Galhardo quer se firmar na Espanha. “Agora estou centrado em ajudar o Celta e meu desejo é seguir aqui e conseguir grandes coisas com esta equipe que me deu a oportunidade de aproveitar o futebol europeu. O meu objetivo é esse, triunfar com o Celta”. 

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo