Tebas: “Será praticamente impossível que o Barcelona possa contratar novos jogadores no verão”
Javier Tebas comentou a situação do Barcelona no Fair Play Financeiro de La Liga e afirmou que o organismo impediu reforços no inverno
Barcelona e La Liga atravessam um momento de tensão nos bastidores do futebol espanhol. O chamado “Caso Negreira”, em que o clube é investigado por pagar €1,4 milhão à empresa do antigo vice-presidente da comissão de arbitragem da federação espanhola, aumentou os atritos. La Liga exige mais rigor, enquanto há uma série de disputas entre clube e entidade sobre temas como a Superliga Europeia e o acordo de investimento com o grupo CVC. Já nesta quinta-feira, as declarações de Javier Tebas devem ter incomodado um pouco mais a alta cúpula blaugrana. O presidente de La Liga afirmou publicamente que, com as contas atuais do Barça, o clube não estará apto para fazer contratações no início da próxima temporada.
Na última semana, aconteceu uma reunião em La Liga na qual foram apontados os novos limites salariais dos clubes. Conforme as movimentações no mercado de transferências, o fair play financeiro da competição estipula os parâmetros das equipes. O Barcelona não chegou a fazer transações e ainda assim segue em situação delicada. Tebas também aproveitou para criticar os mecanismos de alavancas financeiras, com vendas de negócios, que permitiram ao Barça investir bastante em reforços no último verão.
“Já faço o anúncio e o presidente Laporta ligará para mim bravo… Mas é que será praticamente impossível que o Barcelona possa incorporar novos jogadores no verão. Muito terá que mudar porque, senão, a instituição estará com problemas. Não deixamos o Barcelona contratar jogadores nesse inverno e, no próximo verão, não poderá contratar. Com as famosas alavancas, o clube conseguiu 5% de seu negócio. Mas, em outros clubes, isso poderia ser um problema. Atuamos e nos regulamos com rapidez. Ninguém consegue fazer alavancas que representem 5% do negócio”, salientou Tebas.
O presidente de La Liga ainda prometeu rigor na aplicação das regras: “A pior coisa que o controle econômico pode ter é uma instituição que não o cumpre. Se fizemos vista grossa no tema econômico com o Barcelona, que é um clube importantíssimo para La Liga, faríamos um desserviço para a competição”.
Perguntado se preferia os tempos em que não havia controle, e muitos clubes espanhóis ficavam suscetíveis às falências, Tebas rechaçou a ideia: “Não sinto falta da época em que não existia controle e nem a quero. Quero uma competição mais equilibrada, não quero que o Real Madrid possa comprar qualquer jogador com uma facilidade extraordinária. Tampouco é o que queria para o futebol inglês. As normas de dez anos atrás não valem agora”.
Outro tema na conversa foi a força econômica da Premier League. Tebas preferiu um discurso mais conciliatório, sem colocar a culpa na liga inglesa em relação ao desequilíbrio, mas com uma proposta de desenvolver mecanismos nas ligas vizinhas.
“Inveja? Não. A nível comercial e audiovisual, a Premier League é o melhor produto do mundo, fruto de muitos anos de trabalho. Somos realistas, e para La Liga é muito difícil chegar ao nível da Premier League. Mas me sinto muito orgulhoso do Real Madrid, do Sevilla, do Villarreal nas competições europeias. Demonstram que nem tudo é dinheiro no futebol. Ele te dá vantagem esportiva, mas há outros fatores. Não pensamos que seja uma questão de tirar dinheiro da Premier para dar a outras ligas. Eu me sinto orgulhoso do êxito, porque com menos dinheiro há mais trabalho de base e observação”, analisou.
A preocupação de Tebas segue com a Superliga Europeia, talvez a maior ameaça à existência de La Liga no formato atual. O dirigente se agarra ao discurso de que os superclubes sugariam o dinheiro do futebol para si com a competição. Mas preferiu não negar a validade em certas pautas levantadas.
“A Superliga não morreu, porque é a mensagem de que o futebol europeu deve estar nas mãos dos mais ricos. É a mensagem do presidente do Real Madrid, de que ‘vamos distribuir entre os melhores e ao resto daremos pouco dinheiro para ficarem contentes’. É como se os bancos governassem os países. É verdade que a Superliga tem razão em algumas coisas, como melhorar a governança e o controle financeiro. Não é por acaso que o Madrid lidera o fair play financeiro da Superliga, porque não pode perder dinheiro. Mas o caminho é melhorar a governança, buscar equilíbrio entre clubes grandes, médios e pequenos, ter fair play”, apontou.



