La Liga

Simeone, campeão pelo Atlético: “Não tenho dúvidas que as pessoas se cansam, mas sou muito cabeça dura”

Campeão mais uma vez pelo Atlético, depois de sete anos da última liga, Simeone diz que acreditava que o clube tinha futuro e que não errou nisso

Ser campeão pelo Atlético de Madrid é algo especial. Em uma liga com Real Madrid e Barcelona, dois superclubes e que estão sempre entre as três maiores receitas do futebol mundial, vencer é algo enorme. Diego Simeone conseguiu esse feito duas vezes. Desde que assumiu o Atlético de Madrid, em dezembro de 2011, o treinador conseguiu oito títulos e, entre eles, duas vezes levantou a taça de La Liga, em 2013/14 e nesta temporada, 2020/21, quando se sagrou campeão após a vitória sobre o Valladolid. Simeone comentou como decidiu ficar no clube e a alegria em um ano de tristezas.

“Estou feliz por muita gente, as sensações que me vem são que tivemos um ano tão complexo, com tanta gente que nos deixou por causa do vírus [COVID-19], que ser campeão com o Atlético é diferente. Foi um ano difícil, como nossa história. Um dos melhores anos para ser campeão é este”, afirmou o técnico.

Simeone então foi perguntado sobre a comparação com o título de 2014. “São diferentes, outras sensações. O mundo vive uma situação muito triste e espero que possamos dar alegrias a muita gente. Estar 32 rodadas em primeiro lugar é enorme. Agradecimento total, sobretudo aos que jogaram menos. Seguimos o objetivo da equipe e fizemos isso o tempo todo”, explicou o argentino.

“Eu rio, me vem naturalmente começar a rir, não sei por que, mas dou risada, é uma alegria que vem de dentro de mim. Hoje repassava em prévia da partida quando deixávamos o Calderón e pensávamos se seguiríamos ou não. Dizia que ia continuar porque achava que o clube tinha futuro e não me equivoquei. O clube segue crescendo, fez um trabalho enorme na mão de Miguel, Enrique, todas as pessoas que não se vê. Eles deram ao clube uma estabilidade além dos resultados, eles sempre buscaram que isso acontecesse. Não estão aqui festejando, mas em breve nos abraçaremos”, disse ainda Simeone.

“Não tenho dúvidas que as pessoas se cansam, mas eu sou muito cabeça dura. Naquela tarde do Calderón, me perguntavam e eu sabia que o clube poderia seguir crescendo. E espero que siga assim”, continuou. O treinador foi perguntado sobre os dois jogadores que marcaram os gols na partida, Ángel Correa e Luis Suárez. “Falo de Ángel há muito tempo que tem que fazer um gol. Nós o treinamos e fez um golaço. Fico feliz que a seleção argentina o convoque, cresce dia a dia com humildade e as pessoas tem que cuidar dele. Suárez, disse a ele há dois dias, talvez tenha sorte, mas é Suárez, o nome fala por si”, comentou.

O impacto de Simeone no Atlético de Madrid é enorme. Quando foi contratado, em dezembro de 2011, o clube estava em outro patamar. Terminou aquela temporada, 2011/12, em quinto lugar. Nas oito temporadas anteriores, tinha terminado em 7º em 2010/11; 9º em 2009/10; 4º em 2008/09; 4º em 2007/08; 7º em 2006/07; em 10º em 2005/06; em 11º em 2004/05; e 7º em 2003/04. Não passava nem perto de brigar pelo título e chegar entre os quatro primeiros já era muito.

Desde a chegada de Simeone, as coisas mudaram muito. Na sua primeira temporada completa pelo clube, 2012/13, ficou em 3º, melhor colocação do clube desde a temporada que foi campeão, em 1995/96, quando Simeone ainda era jogador do time. No ano seguinte, 2013/14, levou o Atleti ao título, quebrando o jejum que durava desde a sua época como jogador dos colchoneros. Nos três anos seguintes, 2014/15, 2015/16 e 2016/17, foi terceiro colocado. Em 2017/18, foi 2º. Em 2019/20, foi 3º. Até que chegou esta temporada, em que chega novamente ao topo, como campeão. É inegável que Simeone teve um impacto gigantesco e seu tamanho dentro do clube, como técnico, só é comparável com Luis Aragonés, uma lenda.

A discussão sobre Simeone é frequente. O presidente do Atlético de Madrid, Enrique Cerezo, já disse certa vez que o treinador não é intocável, mas se defendeu da decisão de mantê-lo por tanto tempo. “Quem não gosta que compre um clube”. O dirigente ainda foi além: “Simeone joga como quer e os resultados são magníficos, não vamos discutir”.

É perfeitamente possível discutir a forma como o Atlético joga, mas é indiscutível que os resultados que Simeone trouxe, com um jogo com suas complexidades e méritos. É um treinador capaz de vencer La Liga duas vezes diante de duas das maiores potências que existem. Mais do que isso: desenvolveu muitos jogadores, tirou muito deles, com nomes como David Villa e Luis Suárez, que aparentemente não serviam para o Barcelona, se tornaram campeões espanhóis nas mãos do técnico. O que Simeone faz é histórico. E nenhum torcedor do clube pode questionar isso.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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