La Liga

Simeone toca na ferida do Barcelona, mas cai em própria armadilha e vê Atlético sofrer virada

Colchoneros puniram fragilidade do Barça no início, mas expulsão após duelo com Yamal abriu caminho para vitória marcante dos catalães em LaLiga

O Atlético de Madrid até encontrou o caminho que mais incomoda o Barcelona de Hansi Flick, mas acabou derrotado por 2 a 1, de virada, neste sábado (4), no Riyadh Metropolitano, pela 30ª rodada de LaLiga. O resultado pode ter peso de título: além de vencer fora de casa, o Barça aproveitou a derrota do Real Madrid para o Mallorca, abriu sete pontos na liderança e ficou em posição muito confortável a oito rodadas do fim.

Nos primeiros minutos, o plano de Diego Simeone parecia fazer todo sentido. O Atlético atacou justamente a principal vulnerabilidade do Barcelona atual: a linha defensiva excessivamente alta. É um traço marcante — e controverso — da equipe de Flick, que costuma empurrar o bloco para frente e, com isso, oferecer campo às costas da defesa. Foi nesse tipo de lance que o time colchonero encontrou o seu gol, quando Lenglet lançou e Giuliano Simeone apareceu para fazer 1 a 0.

O problema é que, se por um lado Simeone leu bem a fragilidade do rival, por outro criou um desequilíbrio difícil de sustentar no próprio sistema. A decisão de improvisar Nicolás González, ponta-esquerda de origem, na lateral-esquerda acabou entregando ao Barcelona exatamente o corredor que mais precisava. Era ali que Lamine Yamal naturalmente iria atacar — e o jovem espanhol transformou o setor em um duelo quase insustentável para o Atlético.

A insistência culé por aquele lado acabou mudando o jogo ainda antes do intervalo. Depois de sofrer repetidamente no um contra um, Nico foi expulso no fim do primeiro tempo, obrigando o Atlético a jogar toda a etapa final com um homem a menos. A partir daí, o Barcelona cresceu, empurrou o adversário para trás e passou a controlar a partida com muito mais naturalidade, até transformar a pressão em virada.

Mesmo que o gol decisivo de Robert Lewandowski só tenha saído já no fim, o desfecho parecia cada vez mais provável à medida que o Atlético se afundava no próprio campo. No fim, Simeone acertou ao mirar a ferida mais exposta do Barcelona, mas comprometeu o plano ao abrir outra ainda maior do próprio lado.

Como foi a vitória do Barcelona sobre o Atlético de Madrid

Atlético e Barcelona fizeram primeiro tempo frenético no Metropolitano. O time catalão tinha mais posse e criava mais, mas pecava na hora da definição. Não à toa, foi punido por isso. Com postura reativa, de marcação forte, bola longa e transição rápida, os Colchoneros abriram o placar justamente nessa características. Aos 38′, Giuliano Simeone recebeu ótimo lançamento de Lenglet e tocou na saída de Joan García.

Para alívio de Hansi Flick na área técnica, a resposta blaugrana foi imediata. Praticamente no lance seguinte, Rashford tabelou com Dani Olmo, invadiu a área e bateu cruzado, deixando tudo igual em Madri.

Com um jogador a mais — Nico González foi expulso no final da etapa inicial por carrinho em Yamal —, a missão do Barça para volta do intervalo era clara: intensificar a pressão, virar a partida e se isolar ainda mais na liderança de LaLiga.

Por pouco, porém, essa superioridade numérica não caiu por terra nos primeiros segundos da etapa complementar. Gerard Martin foi expulso por entrada dura em Thiago Almada, mas o VAR recomendou revisão e o árbitro trocou a cor do cartão para amarelo — gerando revolta de Diego Simeone no banco e da torcida da casa.

No 11 contra dez, só deu Barcelona. Os visitantes empurraram o Atleti contra o próprio campo e empilharam chances de gol. Após muitas finalizações erradas e intervenções providenciais de Musso, Lewandowski apareceu para dar a vitória aos Culés. Aos 41′, Cancelo deixou Almada no chão duas vezes, encheu o pé e obrigou o arqueiro colchonero a fazer boa defesa. No rebote — e no susto — o polonês empurrou para as redes.

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Quando Atlético e Barcelona voltam a se enfrentar?

O confronto deste sábado (4) foi o primeiro de uma sequência de três encontros entre Atlético de Madrid e Barcelona em um intervalo de apenas dez dias. O próximo capítulo será na quarta-feira (8), no Camp Nou, pela ida das quartas de final da Champions League. Já a volta do mata-mata continental acontecerá no dia 14 de abril, no Metropolitano.

Vale destacar que, antes da partida deste fim de semana, os rivais haviam se enfrentado três vezes nesta temporada. O Barça venceu o clássico no primeiro turno de La Liga, por 3 a 1, mas o Atlético se saiu melhor nas semifinais da Copa do Rei: goleou na ida por 4 a 0, e conseguiu a classificação para a final apesar da derrota por 3 a 0 na volta.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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