Real Madrid sobra contra o Barcelona e fatura El Clasico no Bernabéu
Atuação superior dos madridistas na primeira etapa praticamente determinou o resultado
Foi mais fácil do que o placar sugere: o Real Madrid recebeu o Barcelona no Santiago Bernabéu e venceu por 3 a 1, por La Liga. Fazendo parecer um passeio no parque, a equipe de Carlo Ancelotti puniu uma defesa que bateu cabeça demais neste domingo (16).
Confortável com a bola e sem sofrer com a marcação blaugrana, o Real foi senhor do jogo desde o início e, como já mostrou algumas vezes, levou com frieza um jogo de suma importância para as ambições da equipe na temporada. Pacientemente, tocou a bola e reduziu os espaços do Barça, até que encontrou campo para exercer sua superioridade. Ter Vinícius Júnior e Karim Benzema em tão boa fase destrava defesas para os madridistas e Ancelotti sabe perfeitamente disso.
Experiência e sobriedade com a bola nos pés
Além de estar mais pronto como time, o Real vive uma fase muito mais favorável. Ao contrário do Barça, que está em vias de ser novamente eliminado nos grupos da Liga dos Campeões. Em La Liga, as coisas iam bem, até que Xavi e seus comandados tiveram um desafio à altura da tradição dos catalães. E nesse teste, os blaugrana falharam feio.
O primeiro gol do Real foi uma amostra da letalidade de Vini com a bola nos pés e partindo em velocidade. Ele carregou até a área rival e finalizou, forçando Marc-Andre ter Stegen a fazer uma defesa em puro reflexo. Mas no rebote, a zaga deu mole e Benzema apareceu para completar, dando o tom da festa nas arquibancadas. O relógio marcava 12 minutos.
O segundo saiu da genialidade de Vini enquanto articulador. O brasileiro tinha a posse e, em vez de gastar sua energia para tentar algo pela linha de fundo, preferiu segurar e fazer uma pausa, aguardando por mais companheiros na área. Cercado por três marcadores, Vini deu de calcanhar para Aurelien Tchouámeni, que acionou Ferland Mendy pela ponta.
A bola cruzou novamente a área e chegou em Federico Valverde, quase na meia-lua. O uruguaio tinha muito espaço para dominar, ajeitar e bater no canto de Stegen. Um gol que expôs mais uma vez a fragilidade defensiva do Barça, como se já não tivesse ficado suficientemente claro no duelo contra a Internazionale, no meio de semana.
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Mudanças questionáveis de Xavi
A questão para o Real Madrid era: um clássico que já foi tão complicado no passado, hoje transcorreu sem grandes dificuldades, com enorme imposição tática e vitória nos duelos individuais. O Barça só conseguiu diminuir o abismo técnico na segunda etapa, quando Xavi colocou Ansu Fati e Ferran Torres nas vagas de Ousmane Dembelé e Raphinha. O brasileiro não estava tão mal em campo, mas a mexida do treinador se provou correta nos dez minutos finais.
Empolgado com o aumento da intensidade, o Barça resolveu jogar bola nos 20 minutos finais. A tarde não estava muito animadora quando os visitantes viram Robert Lewandowski perder um gol debaixo da trave. Erros que não se pode cometer em um jogo dessa importância. O polonês fez pouquíssimo em campo além do corta-luz que deixou Ferran em condição de marcar.
Entretanto, o nome da jogada do único gol blaugrana foi Ansu Fati, que chamou a responsabilidade. Ao recuperar a bola com muito empenho, Gavi jogou em Fati, que caía pela esquerda do ataque. O camisa 10 arrancou até a ponta e cruzou para trás. Lewandowski veio no embalo para bater, mas tentou de letra e furou, para a sorte de Ferran, que apareceu livre na segunda tentativa para balançar as redes.
De nada adiantava que Eric García ainda continuasse jogando. A crise no coração da zaga culé ainda deve ter novos desdobramentos. O empate ficou ao alcance do Barça, mas García arruinou essa oportunidade em um pênalti infantil cometido em Rodrygo, detectado com a ajuda do VAR. O madridista vinha com a bola para o mano a mano e teve seu pé pisado com força pelo defensor catalão. O árbitro conferiu a posição de Rodrygo, que parecia ilegal, e confirmou o pênalti. Aos 91′, o próprio Rayo pegou a bola e bateu no canto de Stegen, que ainda desviou, mas não evitou o terceiro.
O Real Madrid confirma o favoritismo, a boa fase e o status de time a ser batido na temporada. Novo líder da competição, deixou para trás o seu arquirrival, problemático demais para ser levado a sério em longo prazo.
Além disso, Ancelotti vive uma ótima primavera no último trabalho de sua gloriosa carreira. Nesse momento, é ele o grande responsável pela explosão de Vini e Rodrygo, além da passada de bastão para Benzema como o capitão e referência decisiva do clube depois da saída de Cristiano Ronaldo, em 2018. O francês, aliás, deve ser coroado nos próximos dias com a Bola de Ouro. Prêmio justo a um atacante que envelheceu como bom vinho.
E aí temos o Barça, que vendeu o almoço para comprar o jantar em transações bastante preocupantes para o futuro, mas que vai ficando sem as duas refeições por incompetência e apostas altas que não deram certo. A Liga Europa pinta como o consolo na segunda metade da temporada, mas dificilmente o caos interno e as questões diretivas do clube irão dar sossego a Xavi nessa missão. Sem uma zaga minimamente confiável, falar em qualquer título em 2023 é uma loucura completa. E sem conquistas, o all in da alta cúpula do Barça pode terminar em desastre retumbante.



