La Liga

Real Madrid conquista La Liga pela 33ª vez com marca de Zidane e brilho de Ronaldo

O Real Madrid é um clube de uma grandeza ímpar. Por isso mesmo, a sua torcida é também uma das mais exigentes do mundo (o que significa que às vezes são até injustos e chatos com seus técnicos e craques). O Real Madrid é campeão em duas das últimas três Champions League. Está na terceira final em quatro anos. Mas fazia falta a coroa em casa. Faltava La Liga. Desde 2011/12 sem vencer, a sede estava grande. O título deste domingo sacia esse desejo. Com o ídolo Zinedine Zidane no banco de reservas, o Real Madrid consegue recuperar um jogo ofensivo, ainda que tenha sofrido tantas vezes.

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Era preciso só um empate, depois da vitória no meio da semana contra o Celta. Com menos de dois minutos de jogo, Isco já achou Cristiano Ronaldo livre e o português driblou o goleiro e marcou 1 a 0. Ficou mais fácil. Ainda mais depois que o Eibar abriu o placar no Camp Nou contra o Barcelona.

No segundo tempo, o Real Madrid fez 2 a 0 e logo depois o Eibar também marcou 2 a 0 para o Eibar contra o Barcelona. Os catalães ainda arrancaram uma virada, com pênalti inexistente, e chegaram aos 3 a 2. Não adiantava. Os merengues já tinham colocado as duas mãos na taça com uma atuação sem erros diante do Málaga. O título estava garantido a essa altura. E um título que tem muitos protagonistas. A começar pelo técnico.

Zidane e a busca do equilíbrio
Zinedine Zidane comemora com jogadores do Real Madrid (Photo by Gonzalo Arroyo Moreno/Getty Images)
Zinedine Zidane comemora com jogadores do Real Madrid (Photo by Gonzalo Arroyo Moreno/Getty Images)

Zidane conquista o título espanhol como técnico, depois de ter ganhado como jogador do Real Madrid uma única vez, em 2002/03. Era o time de galácticos, que contava ainda com Ronaldo, Raúl, Roberto Carlos, Figo e o capitão Fernando Hierro. Aos 44 anos, Zidane conquista a liga que o clube tanto queria. E, para isso, precisou trabalhar o time em diversos aspectos. Um deles foi ser mais coletivo, em um elenco tão recheado de estrelas.

Quando assumiu, em janeiro de 2016, Zidane tinha a missão de fazer o Real Madrid, até então comandado por Rafa Benítez, jogar melhor. Melhorou, encontrou equilíbrio com Casemiro no meio-campo e conquistou a Champions League. Nesta temporada, o próprio Zidane falou sobre a conquista de La Liga quase como uma prioridade. Era importante para o clube, seus torcedores e o orgulho levantar esta taça.

Só que a caminhada não foi fácil. Os resultados vinham, mas as atuações nem sempre convenciam. Em alguns momentos, o questionamento chegou até mesmo a Cristiano Ronaldo. Zidane precisava administrar mais os minutos do elenco, dos jogadores, inclusive Cristiano. O que não é fácil quando o time ainda oscilava em atuações, mesmo que não em resultados. Zidane, com o peso que te, conseguiu convencer Ronaldo a ser mais poupado do que em temporadas anteriores.

As vitórias continuavam chegando, os pontos sendo somados, mas as atuações pareciam abaixo. Zidane foi teimoso em manter o mesmo time titular, mesmo que Gareth Bale não estivesse jogando bem e, ao longo da temporada, alguns reservas começassem a se destacar muito.

Na metade final da temporada, já neste primeiro semestre de 2017, a lesão de Bale e as atuações em alto nível de Asensio, Morata, James Rodríguez e especialmente Isco faziam com que o técnico precisasse melhorar o time titular. O francês assim o fez com Isco. Ele passou a ser fundamental em um momento chave da temporada e da sua carreira, quando se falava sobre renovação.

O camisa 22 foi brilhante. Equilibrou o time do Real Madrid. Isco, não só pelo futebol, mas também pela forma de posicionar-se, compondo o time como meio-campista, mas indo à frente como atacante. Com Isco no time ao invés de Bale, o time ganhou em criatividade e os meio-campistas passaram a jogar mais. Especialmente Luka Modric, mas também Toni Kroos. Mais equilibrado, o Real Madrid passou a jogar mais futebol, mais bonito e mais eficiente também.

O mérito de Zidane está também no uso do elenco como um todo. Alguns jogadores, mesmo reservas, ajudaram demais o time a conquistar pontos. Por isso que tantos reservas se destacaram a ponto de serem considerados para tomar a posição dos titulares. Asensio, voltando de empréstimo, se mostrou muito talentoso. James Rodríguez, que começou em baixa, termina a temporada em alta. Álvaro Morata foi o vice-artilheiro do time, atrás apenas de Cristiano Ronaldo, porque aproveitou bem as chances e deu pontos ao Real Madrid.

Cinco anos de espera

A última conquista do Real Madrid tinha sido em 2011/12, com José Mourinho no banco. Cristiano Ronaldo já era o protagonista daquele time. Se considerarmos os últimos 10 anos, o Real Madrid só leva o título pela terceira vez. Em 2007/08 os merengues se sagraram bicampeões. Foram seis títulos do Barcelona no período, além de um do Atlético de Madrid. O gosto de La Liga fazia falta.

Após o jogo, Zidane falou sobre o título de La Liga ser o mais bonito da sua carreira. Falou sobre a dificuldade de se jogar 38 rodadas e chegar no alto da tabela ao final delas. “La Liga é o dia a dia”, disse o treinador. A Champions League, que Zidane já levou, é um banquete. A liga espanhola, como ele disse, é o dia a dia. É o arroz e feijão. É conseguir comer bem no dia a dia. É aquela comida feita em casa, com um tempero que você gosta, com um brigadeiro de panela de sobremesa.

Agora, o Real Madrid vai em busca do título da Champions League. No dia 3 de junho, em Cardiff, o Real Madrid tentará ser o primeiro a ganhar o bicampeonato da Champions League. Algo inédito desde a reformulação da competição, em 1992. Seria voltar a comemorar com um banquete, depois de se esbaldar em casa.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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