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O retorno de Ansu Fati trouxe algo que andava faltando ao Barcelona: esperança

Em uma crise sem precedentes, Barcelona teve retorno de Ansu Fati e bom desempenho de jogadores da base, apesar de Koeman

O retorno de Ansu Fati foi de um jeito que fez com que todos os torcedores, companheiros e o próprio jogadores poderiam sonhar. Foram só 14 minutos em campo e o clube já vencia por 2 a 0, mas o gol que ele marcou, na primeira vez que entrou em campo com a camisa 10 às costas, fez com que os sorrisos se abrissem no Camp Nou. Ele acabou chamando a atenção, mas também teve o brilho de Memphis Depay, que voltou a ser destaque no time. A vitória do Barcelona por 3 a 0 sobre o Levante deixa uma sensação boa aos torcedores, menos pelo resultado, mas pelo que o time mostrou de reação, além do retorno do seu prodígio.

Ronald Koeman, sob fortes críticas – muitas com razão – tinha muitos desfalques para lidar. Pedri, Martin Braithwaite, Jordi Alba, Alejandro Balde machucados, e Frenkie De Jong, suspenso. Isso além de jogadores que sequer estrearam na temporada ainda, como Ousmane Dembélé e Sergio Agüero. Ao menos teve o retorno de Ansu Fati, no banco pela primeira vez na temporada – ele que é o novo camisa 10 do time.

Em campo, o técnico holandês decidiu colocar dois garotos da base, o que normalmente agrada as massas no Camp Nou: Nico González, 19 anos, e Gavi, 17 anos. Os dois foram uma boa notícia para os blaugranas: tiveram atuação consistente e mostraram que são não só opções, mas boas opções. Gavi, inclusive, teve uma grande chance de marcar e errou. Precisa melhorar nesse aspecto, mas mostrou qualidades em campo.

Diante de um cenário de tantas dúvidas sobre o futuro, com um desempenho em campo que por vezes deixa a desejar, qualquer jogo se torna tenso. Mesmo o Levante assusta jogando no Camp Nou. Mas tudo isso ficou apenas na teoria quando o jogo começou. Com seis minutos de jogo, Memphis Depay entrou na área, driblou e foi derrubado. Pênalti que ele mesmo bateu e marcou 1 a 0.

Pouco depois, aos 14, Sergiño Dest fez o passe para o centroavante Luuk De Jong, uma contratação tão contestada, que recebeu, ajeitou e bateu firme para marcar 2 a 0. Foi um belo gol, que dá alguma confiança para o jogador. Foi esse o placar que prevaleceu a maior parte do jogo. Dominando completamente a partida, o Barcelona poderia ter marcado mais gols. Philippe Coutinho, titular do time, teve um bom momento, especialmente no primeiro tempo. No segundo, deu lugar a Riqui Puig.

Com 36 minutos do segundo tempo, Koeman promoveu a entrada do jogador mais aguardado a estrear na temporada. Ansu Fati, enfim em condições de jogo, substituiu Luuk De Jong. Nem precisou de muito tempo para mostrar a qualidade que tem e porque ele era tão esperado. Com 45 minutos do segundo tempo, o atacante recebeu em velocidade, balançou para lá e para cá, deixou o marcador sem saber para onde ir e finalizou bem, no canto: 3 a 0 no placar.

A comemoração mostrou um pouco da sua importância. Ronald Araújo, companheiro de categorias de base, foi em direção a Ansu Fati e o levantou. Os companheiros o cercaram, com sorrisos e comemorações. A torcida pareceu voltar a ter alegrias. A vitória já estava garantida, mas os torcedores culés deixaram o Camp Nou neste domingo com algo que anda faltando por lá: esperança.

É difícil saber o quanto Ansu Fati pode melhorar o time, mas é evidente que ele pode fazer isso. É um jogador de alto nível, apesar de ter apenas 18 anos. Ele assumiu a camisa 10, uma responsabilidade grande: substitui Lionel Messi, o maior nome da história do clube. Antes dele, quem usava o número era Ronaldinho, outro jogador histórico. Nada disso parece ser um problema. É muito justo que a torcida tenha esperança. Koeman segue com um trabalho contestável, mas se conseguir ao menos voltar ao nível da temporada passada, na primeira metade, pode brigar no alto. Mas o treinador precisa não atrapalhar.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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