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O réquiem de um ataque encantador: Messi, Suárez e Neymar

Há quem diga que foi o melhor ataque da história. Uma afirmação difícil de sustentar, se considerarmos que um dia Di Stéfano jogou ao lado de Puskás, com outros craques como Kopa em volta, ou que Pelé e Garrincha, juntos, nunca perderam uma partida. Mas Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar compuseram um trio de ataque indubitavelmente encantador, uma música em perfeita sinfonia, um entrosamento imediato e uma combinação de habilidades responsáveis por centenas de gols em apenas três anos. Infelizmente, por apenas três anos.

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O anfitrião da festa foi Messi, desde sempre no Barcelona. Recebeu Neymar, em 2013, e Suárez, no ano seguinte. O MisterChip nos ajuda com os números: marcaram 228 gols em 110 partidas atuando juntos, um a cada 39 minutos, ou o tempo que você demora para ver um episódio de uma série, com 84 vitórias, aproveitamento de 76%. Deram 124 assistências entre eles. Colocaram 122 bolas na rede na temporada da Tríplice Coroa; 131 na seguinte; e 111 na última.

Tudo acontecia muito rápido quando os três estavam juntos, e cada um tinha sua especialidade. Além dos refris, Neymar trazia os dribles, imponderáveis, imprevisíveis, e Suárez finalizava de qualquer jeito de qualquer lugar, enquanto Messi basicamente fazia tudo isso e mais um pouco, em todos os lugares do campo, lançando, enfiando bolas, invertendo o jogo e dando o ritmo da equipe. Tabelas, cruzamentos e movimentações que expressavam em campo a aparente amizade que os sul-americanos cultivavam fora dele.

Porque se é verdade que “sair da sombra de Messi” tem sido citado como um dos motivos para levar Neymar ao Paris Saint-Germain, também é que nunca houve grandes problemas de relacionamento entre estrelas gigantescas de uma constelação futebolística em que cada vez mais cada um busca brilhar sozinho. Houve uma consciência pouco comum de quais eram suas posições dentro do Barcelona, tão bem estabelecidas que o brasileiro sentiu a necessidade de ir embora para que os holofotes se dirigissem para ele. E, até onde se sabe, não houve rusgas na separação, como indica esta bonita mensagem de Messi para Neymar.

A vida anda. O Barcelona reconstruirá seu ataque com outro grande jogador, o Paris Saint-Germain certamente montará um trio de alto nível, há outros, como o BBC, para apreciarmos. Mas, infelizmente para todos que gostam do esporte – com exceção dos torcedores das vítimas do tridente – , Messi, Suárez e Neymar ficaram juntos por apenas três anos, tempo suficiente para que a sigla MSN deixasse de significar um serviço de mensagens eletrônicas falecido e se tornasse referência de um dos momentos mais sublimes do futebol. Sorte nossa que pudemos presenciá-los com os próprios olhos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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