O clássico serviu para reafirmar a personalidade de Federico Valverde no meio-campo do Real Madrid

Quando Zinedine Zidane assumiu o Real Madrid em 2015/16, a introdução de Casemiro no time titular se provou vital para a ascensão vivida pelos merengues no período. O volante se tornou intocável na equipe e um dos esteios na conquista do tricampeonato da Champions. Nesta segunda passagem de Zizou pela casamata madridista, a história se repete. A recuperação do Real possui enorme participação de Federico Valverde, que não apenas ajudou o time a se encaixar, como também se tornou um dos melhores jogadores do clube na temporada. E a maturidade exibida pelo uruguaio no Camp Nou, durante o empate por 0 a 0 contra o Barcelona, ratifica a sua importância no momento dos blancos.
Valverde, aliás, seria um nome em comum aos dois lados. E de maneira bastante distinta. Se Ernesto Valverde terminou o clássico criticado pela maneira como o Real Madrid foi superior no Camp Nou, mesmo sem a vitória, Fede Valverde se opôs como um dos melhores de sua equipe. Zidane teve um “revival” na Catalunha, com a influência de Isco na construção do jogo e a fome de Gareth Bale no ataque. Ao lado dos veteranos, o uruguaio deixou o campo entre os mais aclamados, por sua atuação consistente e cheia de personalidade.
Aos 21 anos, Valverde se tornou titular do Real Madrid em meados de setembro, na vitória sobre o Osasuna. Zidane bancou o jovem, diante da má fase de Luka Modric. A melhora no rendimento dos merengues é clara. Até então, os madridistas haviam vencido três partidas em seus primeiros seis compromissos na temporada. Com o uruguaio de titular, o time ganhou nove de seus 14 duelos, derrotado apenas contra o Mallorca – utilizando um time misto. E, nas ausências do “Pájaro”, os madridistas só empataram contra Club Brugge e Betis, reafirmando como anda difícil de suplantar a sua função em campo.
Atuando pelo lado direito da meia-cancha, Valverde ajuda bastante os companheiros ao seu redor. Casemiro fica menos sobrecarregado e pode sair mais ao jogo. Da mesma maneira, Toni Kroos melhorou muito nas últimas semanas e se coloca novamente entre os protagonistas do time. Mas não que o uruguaio seja apenas um coadjuvante, que carrega o piano aos demais. El Pájaro contribui à equipe como um todo, por sua intensidade na defesa e no ataque. Muito combativo, se empenha na pressão aos adversários. Além disso, avança para construir e para participar da finalização das jogadas.
O duelo no Camp Nou viu este mesmo Fede Valverde, sem sentir o peso de disputar o seu primeiro clássico. O meio-campista doou-se totalmente na marcação, fechando os espaços e travando o ataque do Barcelona – por mais que Lionel Messi tenha por vezes tenha batido de frente em seu lado. Jordi Alba e Antoine Griezmann pouco se criaram pela esquerda. Além do mais, Valverde deu gás ao ataque do Real Madrid, especialmente no primeiro tempo. Acelerou as transições e não se furtou a arriscar de fora da área. Foram dois chutes perigosos, exigindo uma boa defesa de Marc-André ter Stegen e tirando tinta da trave no outro.
Esta pode nem ter sido a melhor atuação de Valverde, mas complementa o muito que o garoto produz ao Real Madrid. É um meio-campista total. A “garra charrua” pode ser um clichê válido, pela sua leitura de jogo na marcação e pela vibração que contagia o meio-campo. Mas o novato vai além, com seus dribles em velocidade e com seus passes verticais. Isso faz a diferença, e os merengues percebem a cada jogo.
Se mantiver o rendimento, Valverde parece ser um jogador para vestir a camisa madridista por muitos anos. Que a fase de Modric não fosse das melhores, a substituição do “melhor do mundo em 2018” se explica por aquilo que acontece no gramado. Nesta quarta, o croata ficou restrito aos dez últimos minutos contra o Barça – e isso porque o veterano tem se mexido e reagido, com boas aparições desde novembro. O problema é superar a efetividade do Pájaro. A concorrência também faz bem ao Real.
Por tabela, o crescimento de Valverde no Real Madrid também ajuda a seleção do Uruguai. O meio-campista ganhou a posição na Copa América e se manteve entre os titulares nos últimos amistosos. Recheia ainda mais um leque de ótimas opções ao rejuvenescido setor de Óscar Tabárez. E nem teria como ser diferente. Se o início de temporada modorrento do Real Madrid transforma-se em ânimo, El Pájaro explica um bocado estas novas perspectivas. O clássico foi um passo a mais nesta sua afirmação.



