La Liga

Melhor em campo, Real Madrid é quem mais lamenta empate com Barça no Camp Nou

O Barcelona de Ernesto Valverde tem repetido o mesmo roteiro incômodo para os seus torcedores: um time coletivamente pouco eficiente, muito dependente da individualidade dos seus excelentes jogadores e pouca capacidade de reagir a adversários com um plano de jogo que complique o seu time. Contra o Real Madrid, nesta quarta-feira, no sempre aguardado El Clasico, o roteiro foi esse. Em campo, o melhor time foi o da capital espanhola, mesmo jogando na Catalunha. Com isso, os merengues tiveram mais motivos para lamentar o empate por 0 a 0 do que o time da Catalunha. Os dois times seguem empatados na ponta da tabela de La Liga.

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O jogo foi disputado neste dia 18 de dezembro depois do jogo originalmente marcado para o dia 26 de outubro ter sido adiado. O motivo foram os protestos na Catalunha na época, com manifestações sociais contra a prisão de líderes separatistas catalães. Houve protestos novamente, desta vez muito mais amenos. No estádio, a torcida levou faixas, o Barcelona colocou balões com as cores da Catalunha, e a torcida fez cantos pedindo liberdade. Entre as faixas mais simbólicas estão a da foto abaixo.

Faixas de protesto no Camp Nou. À esquerda, o pedido “Espanha, sente e converse”. No telão, a mensagem “Não importa de onde viemos, seja do sul ou do norte”. E, à direita, a faixa “Liberdade” (Getty Images)

Os dois times vivem temporadas com problemas, mas o que se viu em campo foi um time que sabia o que fazer no lado do Real Madrid, e que executou com razoável sucesso. Desperdiçou oportunidades que poderiam ter levado o time à vitória. Zinedine Zidane levou a campo uma equipe com a cara do time tricampeão europeu, com Isco em campo e Luka Modric no banco e Federico Valverde em campo. Gareth Bale foi escalado no ataque com Karim Benzema.

Depois dos primeiros 20 minutos com o Barcelona melhor em campo, chegando mais à frente e rondando a área dos merengues, foi a vez do contrário depois disso. A começar por uma cabeçada perigosíssima de Sergio Ramos em um cruzamento, que Gerard Piqué salvou em cima da linha. O zagueiro do Real Madrid chegou a reclamar da bola ter entrado.

O Real Madrid se assentou no jogo, começou a melhorar em campo e levou perigo. À medida que o tempo passou, a estratégia de Zidane pareceu prevalecer. Benzema, se movimentando muito, começou a receber mais a bola. O meio-campo dos visitantes não dava espaços e, com jogadores de qualidade, ocupava os espaços. Aos 30 minutos, Sergio Ramos salvou uma bola em cima da linha que impediu o Barcelona de abrir o placar.

O primeiro tempo acabou com a sensação que o Barcelona foi pior, com o Real Madrid sem conseguir aproveitar a vitória no duelo de meio-campo. Na volta para a etapa final, o Barcelona tentou uma pressão inicial, como tinha feito no primeiro tempo. E até chegou com algum perigo, ainda que bem longe de controlar o jogo.

Se tinha um nome a se destacar era o do meio-campista Federico Valverde, que tem sido o trunfo de Zinedine Zidane no Real Madrid. Muito bem no meio-campo, deu velocidade ao jogo merengue quando teve a bola, além de se mostrar presente em muitos lugares do campo. Ao lado de Casemiro e Toni Kroos, tornou o meio-campo a principal vantagem dos visitantes.

Ernesto Valverde tentou equilibrar o jogo colocando em campo Arturo Vidal. Ele substituiu Nelson Semedo e o meio-campista Sergi Roberto foi deslocado para a lateral. Vidal deu mais força e presença física no setor, mas o efeito não foi tão eficaz quanto se imaginava.

Aos 14 minutos, Griezmann fez uma bela jogada tirando da marcação, tocou para o meio e, incrivelmente, Messi se enrolou com a bola e não conseguiu finalizar. Os dois times tinham suas chegadas perigosas no ataque. Bale chutou com perigo uma bola que sobrou no lado esquerdo, mandou para fora, mas assustou a torcida.

O Real Madrid quase comemorou aos 26 minutos. Mendy foi lançado por Casemiro na esquerda, cruzou rasteiro e Gareth Bale chegou para completar para o gol e estufar a rede. O assistente, porém, imediatamente marcou impedimento, que foi confirmado pelo VAR. O jogo seguia sem gols.

Isco e Federico Valverde deram lugar a Luka Modric e Rodrygo no fim do jogo, em uma tentativa de Zidane de levar perigo nos minutos finais – já eram 35 minutos do segundo tempo. Do outro lado, Ansu Fati entrou no lugar de Griezmann e, atuando pela ponta esquerda, foi perigoso.

Zidane conseguiu executar um plano de jogo que se baseou no seu setor de meio-campo, com Casemiro fazendo uma ótima partida. Como Federico Valverde também foi bem, e o meio-campo do Barcelona sofria com Sergi Roberto e Frenkie De Jong ao lado de Ivan Rakitic, houve problemas. Sergio Busquets fez falta, mas também faltou um pouco mais de capacidade de controlar o jogo por ali. Tanto que Messi por vezes buscou o jogo. Algumas vezes, foi preciso uma ligação mais rápida com Luis Suárez, ou mesmo Antoine Griezmann. Com o meio-campo mal, o Barcelona sofre, inevitavelmente.

O Real Madrid deixa El Clasico com mais motivos para comemorar que o Barcelona. Não só porque jogou melhor, mas porque houve sinais em campo que podem ser interessantes. Bale teve uma boa atuação, foi participativo, e tem perspectivas. Isco não foi muito bem, mas Karim Benzema, por sua vez, foi mais uma vez muito bem. O time coletivamente mostrou ter capacidade de se colocar em um jogo grande.

O Barcelona tem problemas para resolver. Vidal entrou bem em campo, muito melhor do que estava Sergi Roberto, uma opção que fez pouco sentido. Ernesto Valverde precisa repensar isso. Busquets, no banco, fez falta. Mas ele vinha jogando mal também em um time que tem sofrido. Nelson Semedo não foi uma boa opção do lado direito. Não conseguiu ser seguro, nem mesmo dar uma boa saída de bola. Há muito trabalho a ser feito para um time que se pretende dominante em todos os campeonatos que disputa. Hoje, está longe disso.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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