La Liga

Sete anos após divórcio amargo, Marcelino Toral está de volta ao Villarreal

O experiente e competente treinador asturiano será o terceiro treinador do Submarino Amarelo nesta temporada

O tempo é o melhor remédio e, sete anos depois de uma separação amarga, Marcelino está de volta ao Villarreal. O Submarino Amarelo buscou o nome mais experiente e confiável disponível no mercado para ser o seu terceiro técnico nesta temporada, após as demissões de Quique Sétien e Pacheta. A campanha no Campeonato Espanhol não é boa, com apenas uma vitória nas últimas oito rodadas.

Apesar de ter comandado uma recuperação que terminou no quinto lugar da temporada passada, substituindo Unai Emery, que foi ao Aston Villa, as ideias de Sétien não deram liga com líderes do elenco. A campanha na Conference League foi fraca e a pré-temporada foi recheada de derrotas pesadas. O começo irregular de La Liga foi a gota d’água para sua demissão no começo de setembro.

O Villarreal avaliou as suas opções e chegou ao nome de Pacheta, cujos maiores feitos foram acessos com Elche e Valladolid. A experiência durou dois meses. Ele venceu apenas dois jogos por La Liga, com quatro derrotas e três empates, e até foi relativamente bem na Liga Europa, com seis pontos em nove possíveis na primeira trinca de jogos. Recebeu a notificação do RH na última sexta-feira, antes da derrota para o Atlético de Madrid no Civitas Metropolitano no domingo.

Marcelino estava no mercado, após ser vítima da crise do Olympique de Marseille, e carrega um currículo importante no futebol espanhol. Em três anos e meio, retirou o Villarreal da segunda divisão e o levou a terminar entre os seis primeiros de La Liga três vezes consecutivas. O ápice foi na temporada que antecedeu sua saída, com o quarto lugar e uma semifinal de Liga Europa. Em seguida, conquistou a Copa do Rei com o Valencia e comandou o Athletic Bilbao em outras duas finais – uma delas para a rival Real Sociedad, referente ao ano anterior, que havia sido adiada pela pandemia.

Divórcio amargo

Para o retorno de Marcelino ser bem sucedido, arestas precisam ser aparadas com o presidente do Villarreal, Fernando Roig. Porque além dos desgastes naturais de um ciclo de quase quatro anos, houve um episódio específico e polêmico que deu início à deterioração das relações em 2016.

O Submarino Amarelo chegou à última rodada da edição 2015/16 de La Liga com o quarto lugar garantido, e Marcelino decidiu dar folga estendida aos jogadores antes de enfrentar o Sporting Gijón, fora de casa, além de manter alguns titulares, como Cédric Bakambu, no banco de reservas.

Nada estranho para a reta final da campanha de um time sem ambições, se Marcelino não tivesse afirmado com todas as letras que gostaria que o Sporting Gijón, pelo qual tem afeto declarado, escapasse do rebaixamento. E principalmente se sua esposa não tivesse tuitado “missão cumprida” após a derrota por 2 a 0 que serviu para salvar o clube asturiano.

Marcelino foi bastante criticado na época pelo presidente do Rayo Vallecano, Raúl Martín Presa, que chegou a fazer uma analogia infeliz com a queda de um avião da Lufthansa, em 2015, deliberadamente causada pelo co-piloto e que resultou em 150 mortes. Claro que, após uma declaração de tanto mau gosto, o dirigente do Rayo teve que ir a público esclarecer que não estava comparando Marcelino ao piloto, apenas isentando o Villarreal de responsabilidade pelo ocorrido.

O treinador se defendeu dizendo que não é “louco e nem assassino”, mas um “profissional honrado”, e admitiu que foi um erro ter expressado em público o desejo de que o Sporting Gijón se mantivesse na primeira divisão. Quando anunciou a saída de Marcelino alguns meses depois, no começo de setembro, o presidente do Villarreal fez alusão ao caso dizendo que “sempre defendeu a honra no futebol e não podia permitir circunstâncias como as do final da última temporada”.

Àquela altura, outros problemas haviam aparecido no trabalho de Marcelino, como a retirada da braçadeira de capitão do zagueiro Mateo Musacchio que gerou uma forte discussão e, segundo o Marca, deixou os líderes do vestiário insatisfeitos. Roig descartou que a discussão com Musacchio foi crucial para a demissão de Marcelino, mas a experiência prévia com outros momentos parecidos.

– Há alguns anos, houve problemas na pré-temporada e naquele ano fomos rebaixados. Há quem não entenda a decisão, mas eu a tomo tentando evitar que a mesma coisa aconteça. E que não se venda que a decisão foi tomada pela discussão com Musacchio. A decisão é do presidente e é motivada pelo que aconteceu no final da (última) temporada – disse, na época.

Tudo indica que os problemas ficaram para trás porque o retorno do profissional de 58 anos foi anunciado como uma volta para casa.

-O Villarreal e Marcelino García Toral chegaram a um acordo para que o asturiano seja o treinador do Submarino Amarelo até 2026. Bem-vindo de volta à casa, Marce! – escreveu o clube em comunicado.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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