Isco: “O Barça me procurou, mas eu não escutei, minha intenção era triunfar no Real Madrid”

Em certos momento da temporada passada, durante os primeiros meses, a permanência de Isco no Real Madrid era um enorme ponto de interrogação. O contrato do meio-campista duraria apenas até junho de 2018 e a falta de sequência parecia encurtar sua história no Santiago Bernabéu. Em meados de outubro, ele admitiu que a irregularidade com a camisa branca era mais culpa sua do que de qualquer outra pessoa. E o Barcelona crescia os olhos sobre o talento do camisa 22, vislumbrando um digno herdeiro para Andrés Iniesta dentro da engrenagem de seu meio-campo. Naquele momento, uma mudança ao Camp Nou era um tanto quanto factível.
Chegou outubro e, recuperado de uma lesão no tornozelo, Isco emendou uma boa sequência de jogos. Já em novembro, teve uma atuação transformadora justamente no dérbi. Passou em branco, mas gastou a bola para demolir o Atlético de Madrid dentro do Vicente Calderón. Sua confiança chegava ao ápice. Rodada após rodada, o camisa 22 provava a sua importância. Impulsionava a rotação, principalmente quando entrava ao lado dos (teóricos) reservas para manter o ritmo no Campeonato Espanhol. E a lesão de Gareth Bale, de certa forma, auxiliou o maestro. Isco foi um dos jogadores mais importantes do time na conquista da Champions e da Liga. Pode não ter acumulado tantos gols ou assistências. Mas fez a equipe orbitar em torno de si em vários momentos. Enfileirou os seus adversários com seus dribles, abriu defesas com seus passes.
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Passados meses daquela fase de incertezas, a saída de Isco hoje parece impensável – embora o Barcelona tenha voltado a procurá-lo na última janela de transferências, recebendo um óbvio não. Por isso mesmo, a renovação de seu contrato era apenas questão de tempo. Nesta sexta, o Real Madrid oficializou o novo vínculo com o meio-campista, até 2022. Justo reconhecimento por tudo o que fez e pela maneira como se dedicou para dar a volta por cima. Não há qualquer dúvidas sobre o protagonismo do camisa 22, não só pelos merengues, mas também na seleção espanhola – como ficou escancarado na atuação de gala diante da Itália, nas Eliminatórias da Copa.
Durante entrevista coletiva, Isco falou da relação com Zidane, do interesse do Barcelona e de todos os seus pensamentos ao longo das oscilações. Com um moral imenso, foi fabuloso no bicampeonato da Champions (sobretudo nos últimos três jogos) e na quebra da sina do clube em não faturar o Espanhol nas temporadas de conquista continental. Por aquilo que vem produzindo, os torcedores esperam que ele permaneça muito além das próximas quatro temporadas. Abaixo, destacamos algumas de suas declarações durante o evento:
A renovação
“Saiu tudo redondo. Estou muito feliz e orgulhoso de poder seguir representando o melhor time do mundo. Ganhar 11 títulos em quatro anos é algo que eu não esperava, a equipe sempre quer mais. É verdade que eu cresci como jogador, melhorei e tenho feito mais gols porque jogo mais próximo da área, nisso venho sendo muito importante a Zidane. Tive paciência de saber esperar quando não tinha oportunidades, sempre soube que queria triunfar em Madri”.
O interesse do Barcelona
“Nunca poderia ter ido ao Barça. Como disse, minha ideia sempre foi triunfar no Real Madrid. É verdade que se passaram momentos ruins, mas isso te faz saborear melhor os bons. Não me arrependo de nada. É histórico e permaneço com a fome da equipe. Até houve algum contato do Barcelona, mas nunca escutei, minha intenção era triunfar aqui, na equipe que apostou em mim. Quero me consolidar como titular, e ganhar muitos títulos. Com o time que temos, isso é muito provável”.
A relação com Zidane
“Zidane foi muito importante para mim. Ele me deu muita confiança nos momentos difíceis e eu correspondi. Tenho tido sucesso agora porque jogo mais adiantado, onde joguei sempre, mais perto do gol e dando mais assistências. Ele me conhece bem há anos e sabe tirar o melhor de mim. Desde o primeiro dia em que ele chegou, disse que contava comigo. Demonstrou sua confiança desde o primeiro momento. Tive paciência e, ao final, isso é uma equipe, você tem que esperar sua chance”
O ótimo momento
“É verdade que temos um elenco muito competitivo, todos somos titulares, com as rotações a equipe esteve incomensurável. Não me sinto titular, mas sim muito importante. É importante chegar a este nível, mas principalmente se manter. No Real Madrid e na seleção estão os melhores, e isso te faz não relaxar”.
Os altos e baixos
“Não deixei de ir, sempre trabalhei ao máximo e demonstrei isso em cada oportunidade. Este é o Real Madrid, o clube mais competitivo do mundo. Há jogadores muito bons e você tem que aproveitar a oportunidade quando chega. Trabalhei muito duro quando não tinha tanto espaço, para mostrar logo o que sou capaz”.
A ligação com o Real Madrid
“É difícil explicar com palavras o que o Real Madrid representa para mim. É o maior clube da história, todos querem jogar aqui. Ele me fez cumprir muitos sonhos que tinha desde pequeno. Minha intenção é ficar por aqui durante muitos anos e tomara que eu possa renovar muitas mais vezes”.



