O mundo do futebol aguardou cheio de expectativas a entrevista de Lionel Messi ao canal espanhol LaSexta, difundida neste domingo, às 21h25 no horário local. Em uma longa conversa com o jornalista Jordi Évole, o argentino falou sobre sua relação com o Barcelona, revelou que só definirá seu futuro ao fim da temporada e, em sua melhor imitação de Márcio Braga, afirmou não acreditar no retorno de Neymar ao Barça porque o clube “não tem dinheiro”.

Supostamente alvo de Manchester City e PSG, Messi prefere se concentrar nos desafios da temporada. Anteriormente, havia reconhecido que toda a situação da última janela de transferências havia tirado dele parte do foco no início de temporada, mas agora está plenamente envolvido e comprometido com os objetivos dos blaugranas. Questionado sobre sua escolha para o futuro, afirmou que deixará tudo para o próximo verão europeu.

“Até que termine o ano, não tenho nada claro. Vou esperar até o final da temporada, se não estaria quebrando o que lhe disse agora, que o importante é pensar na equipe, terminar bem o ano, pensar em tentar conseguir títulos e não se distrair com outras coisas”, contou ao canal LaSexta.

Messi reconheceu que, caso não estivéssemos vivendo em uma pandemia, que força os jogos a acontecerem com portões fechados, sua decisão inicial de querer partir talvez tivesse sido diferente, porque “saberia realmente a opinião do torcedor do Barça, o que ele pensa, porque ele mostraria isso no campo”.

“Sei que há muitas pessoas do clube, do Barcelona, o torcedor, que ainda me amam, que querem que eu fique no clube, também sei que há outras pessoas que, depois do que aconteceu, não veem assim. Mas eu vou fazer o que for melhor para o clube e para mim, não tenho dúvidas, e o que quer que me digam meu coração e minha cabeça”, explicou.

Reiterando não saber qual será seu destino a partir da próxima temporada, Messi tenta deixar uma boa relação para um possível cenário de saída. “Não sei se vou partir ou não, e se o fizer, gostaria de partir da melhor maneira. Sempre falando hipoteticamente, eu gostaria de voltar um dia, gostaria de voltar à cidade, de trabalhar no clube, de contribuir.”

Questionado sobre o que diria diretamente ao torcedor barcelonista, o argentino afirmou: “(Que) O Barcelona é muito maior que qualquer jogador, até mesmo eu, obviamente, e espero que o presidente que virá faça bem as coisas para levantar títulos importantes novamente”.

Recordando sua trajetória na Catalunha, Messi reforçou a gratidão que sente pelo clube e por Barcelona, a cidade, e apontou os laços indeléveis desta sua relação pessoal: “Sempre disse que o Barcelona é minha vida. Estou aqui desde os 13 anos. Cresci no clube, na cidade. Tenho mais tempo vivendo em Barcelona do que no meu país. Aprendi tudo aqui, cresci, o clube me formou como jogador e pessoa, me deu tudo, e eu sempre dei tudo pelo Barcelona. Tenho uma relação de amor porque é o que vivi desde que cheguei aqui, o amor que tenho à cidade, ao clube e a tudo o que tenha a ver com Barcelona. Meus filhos nasceram aqui também. Não sou muito de fazer tipo, o que eu falo é porque eu sinto”.

Tamanha é sua identificação que o craque revelou que planeja viver em Barcelona após encerrar sua carreira como jogador, possivelmente trabalhando para o clube em algum cargo de administração ou conselho mais tarde. “Penso em voltar. Vou seguir vivendo em Barcelona e quero voltar para o Barcelona no futuro, porque quando deixar de ser jogador quero estar no clube, de alguma forma, contribuindo com o que sei. É isso que quero e é isso que sinto.”

Questionado então sobre o “voltar” significar antes um “partir”, explicou-se melhor e revelou um curioso desejo de talvez um dia atuar na MLS. “Sempre disse que tenho a vontade de desfrutar da experiência de viver nos Estados Unidos, de viver essa liga (MLS) e essa vida, mas se isso vai acontecer ou não, não sei, não é um agora ou no futuro, e é por isso que digo isso de voltar.”

Ex-companheiro de Messi, amigo do argentino e envolvido em rumores sobre um retorno ao Barça, Neymar foi inevitavelmente um dos assuntos tratados na entrevista. De maneira bem direta, o camisa 10 mostrou descrença na possibilidade de que o futuro presidente do Barcelona, que será eleito no próximo mês, consiga trazer de volta o brasileiro. O motivo é simples: dinheiro.

“Vai ser difícil trazer jogadores porque falta dinheiro. Não há dinheiro. Há vários jogadores importantes (que se pode contratar) para voltar a lutar por tudo, e, por esses jogadores, você tem que pagar caro. Eu ri porque você falou do Neymar, que deve ser caríssimo por tudo o que faz. Para comprar e pelo salário.”

Mesmo em um cenário improvável em que Neymar aceitasse reduzir seu salário, Messi ressaltou: “E como você paga o PSG pela transferência? Não é fácil, vai ser uma situação difícil para o novo presidente. Terá que ser muito inteligente, organizar tudo e fazer muitas mudanças para que tudo corra bem”.

Aos 33 anos, conforme se aproxima dos anos finais de sua carreira, é natural que tenhamos uma curiosidade sobre quais serão os passos seguintes de Messi após pendurar as chuteiras. O argentino afirmou não saber exatamente, mas descartou se tornar treinador, preferindo um cargo de gestão.

“Não sei o que serei, não pensei nisso, mas algo relacionado ao futebol, é o que eu gosto, o que acho que conheço. Algo relacionado ao futebol, mas não técnico. Eu não me vejo como treinador. Talvez eu seja um diretor esportivo para trazer jogadores que eu quero ou que eu acho que o clube em que eu estiver precise, vamos ver.”