La Liga

Cruel como a bruxa dos contos de fadas, o Betis tirou do Girona a vitória de forma dolorida

Empate aos 47 minutos do segundo tempo impediu vitória do Girona, que agora precisa torcer contra o Real Madrid

Na última partida do ano de La Liga, pela 18ª rodada, o Girona tinha a chance de confirmar a liderança até janeiro de 2024, mas sofreu um dolorido empate do Betis no fim, em jogo nesta quinta-feira (21), no Estádio Benito Villamarín. O centroavante ucraniano Artem Dubyk abriu o placar e é o vice-artilheiro do Espanhol com 11, atrás apenas de Jude Bellingham. Germán Pezzella jogou água no chope aos 43 do segundo tempo.

Agora, o Girona precisa torcer que o Real Madrid perca ou empate com o Alavés em jogo disputado ainda hoje. Os Vermelhos e Brancos somam 45 pontos, três a mais que os Blancos, que venceram o confronto direto e têm vantagem em caso de igualdade na pontuação.

Savinho consegue pênalti e Dovbyk não perdoa

Comparado ao último jogo, Michel promoveu uma mudança na equipe, tirando o atacante Portu e colocando o meia Pablo Torre. Com isso, antes em uma linha de cinco, agora o Girona atuou no 4-2-3-1, com Eric Garcia como o lateral-direito e Yan Couto dando um passo à frente para ser o meia/ponta pela direita. Miguel Gutiérrez, antes ala, agora ficou como lateral – que joga como meio-campista por dentro no momento ofensivo. Mas nada é estático neste time, muito bem treinado, alternando diferentes formações e jogadores exercendo diversas funções no jogo.

O Betis de Manuel Pellegrini utilizou o 4-2-3-1 de sempre, com e sem bola, tendo o brasileiro Willian José como a referência no ataque, deixando Borja Iglesias no banco. Vale citar o desfalque do meia Isco, suspenso.

Mesmo fora de casa, quem tomou conta das ações ofensivas no início foram os Brancos e Vermelhos, principalmente utilizado os pontas brasileiros, Couto e Sávio, bem abertos pelos lados do campo. A presença de Gutiérrez no meio também causa dor de cabeça dos adversários. O lateral recebeu um lançamento para sair na cara de Rui Silva e chutou em cima do arqueiro. O Betis tinha extrema dificuldade para sair jogando, muito pela pressão insuportável do visitante.

Antes dos 15, Pellegrini teve que tirar o lesionado Hector Bellerín, que se machucou em uma dividida com Savinho logo no começo, e colocou Aitor Ruibal.

Mesmo com dificuldades para sair, o time alviverde quase marcou aos 20 minutos, em bonita tentativa de Ayoze Pérez após dominar de chaleira um cruzamento de Juan Miranda e bater por cima do gol. Após isso, o jogo ficou um tanto anárquico, com chances empilhadas pelos dois lados. No Girona, Yan Couto apareceu na direita e cruzou na segunda trave para Savinho pegar de primeira e mandar nas mãos de Rui. Na sequência, mais duas dos donos da casa. Primeiro, se aproveitando da linha alto do adversário, Assane Diao atacou as costas da defesa, brigou com Yan e ficou na cara do gol, desperdiçando porque bateu muito forte e viu a bola subir demais. Paulo Gazzaniga só foi trabalhar efetivamente em uma bomba rasteira de Willian José de fora da área.

Após esse período um tanto caótico, o Girona soube se segurar e passou a ter a mesma postura de dominar a bola de antes. Acalmou-se também a partir da parada para substituição do zagueiro David López, lesionado, entrando Juanpe. Em uma jogada característica, saindo do meio para ponta, Savinho recebeu na esquerda da área e quando cortou para dentro, foi derrubado por Ruibal, pênalti. Na bola, Artem Dovbyk foi com sua calma de sempre e esperou Rui Silva escolher um lado para bater rasteiro às redes.

Nos minutos finais, a partida esquentou. Dovbyk soltou o braço em uma jogada área, foi amarelado e tomou o troco de Andrés Guardado, minutos depois, também advertido. Marc Roca fez uma falta forte e foi outro a receber cartão amarelo.

Betis iguala no fim, e Girona não tem tempo para tentar vitória

Amarelado, Guardado foi substituído por William Carvalho. Não deu nem tempo do volante português esquentar e o Girona tava na pequena área quase fazendo o segundo com nem um minuto no relógio. Cheio de espaço, Yan Couto disparou na direita e cruzou na pequena área, vendo a bola bater em Dovbyk e ir para linha de fundo. Depois, foi a vez de Savinho quase marcar, em contra-ataque rápido pela esquerda, e uma batida por cima do gol – Iván Martín já ia entrando na área e o passe seria a melhor opção.

A cada jogo, o time da Catalunha mostra um repertório tático muito grande na forma de atacar. Contra uma defesa postada, o jogador que tem a bola sempre tem uma opção para servir, seja por fora ou por dentro. Também tem uma naturalidade para acelerar as jogadas em contra-ataques, especialmente com os rápidos brasileiros nas pontas. É muito difícil bater o Girona e não sofrer pelo menos um gol deles.

A partida esfriou um pouco e Michel decidiu trocar dois nomes no ataque pouco antes dos 20 minutos. Dovbyk deu lugar ao também centroavante Cristhian Stuani e o meia Pablo Torre foi sacado por Portu. Ao mesmo tempo, do lado do Betis, foram três de uma vez: Iglesias (na vaga de Willian José), Sergi Altimira (Roca) e Abde Ezzalzouli (Rodri Sánchez) entraram.

O Betis passou a dominar mais a bola nesse momento, enquanto o visitante recuou para se aproveitar dos contragolpes. Mas o time da casa mostrou uma dificuldade enorme para infiltrar na defesa adversária, muito bem fechada. Só conseguiu furar com muita insistência e sorte. Escanteio aos 43 minutos do segundo tempo cobrado na segunda trave, Iglesias escorou para dentro da área, a defesa afastou, Carvalho tentou e foi travado, até que a bola sobrou perfeita para o zagueiro Germán Pezzella pegar de primeira e igualar o placar.

Com mais quatro de acréscimos, o jogo teve emoção e os dois lados tentaram marcar, mas o placar ficou empatado.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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