La Liga

Até virar: Atlético consegue arrancar os três pontos do Espanyol graças a gol tardio de Lemar

Dez minutos de acréscimo permitiram que o time de Simeone virasse o jogo fora de casa

O que os mais antigos conhecem como “Fergie Time”, as repetidas façanhas do Manchester United em arrancar vitórias no fim da partida, voltou a acontecer hoje, na Espanha. Em Barcelona, o Atlético de Madrid sofreu e acabou vencendo, como sempre, diante do Espanyol. O placar de 2 a 1 só foi possível por conta dos largos descontos no relógio dados pelo árbitro Juan Martinez Munuera.

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Tem sido uma constante no trabalho de Diego Simeone o fato de sofrer demais em jogos que, em tese, não deveriam ser tão complicados. Mas uma série de fatores foram obstáculos para que o atual campeão de La Liga somasse mais três pontos. O primeiro deles é o fato de que muitos atletas titulares voltaram desgastados da esticada Data Fifa, em um momento da temporada no qual o preparo físico ainda não é o ideal. O segundo foi a falta de pontaria colchonera, que quase custou caro.

E o terceiro, e não menos relevante, é que o Espanyol soube golpear o adversário para abrir o placar e, posteriormente, mostrou competência para se defender. Pergunte a qualquer torcedor dos Periquitos: você topa um empate contra o Atlético, que tem amplo favoritismo para reter seu título da Liga? A resposta será uma só: é claro que sim.

O oportunismo de Raúl De Tomás

Dito isso, o time mandante adotou uma postura bastante cautelosa, mas não covarde, para tentar surpreender o Atleti. E no fim da primeira etapa, conseguiu ser premiado em um lance fortuito. Raul De Tomás achou pouco espaço na zaga atleticana e fuzilou Jan Oblak para abrir o placar. Até aquele momento, a equipe de Simeone levava pouco perigo, não chutava ao gol e via em seu setor ofensivo uma certa lentidão. O Espanyol, eficiente, esfregava as mãos para cometer o famoso crime contra os campeões.

Apesar da expectativa de ver Luís Suárez e Antoine Griezmann juntos novamente, a parceria não funcionou em um primeiro momento. Apagado, Griezmann não trouxe dinamismo ao ataque e sequer gerou chances claras de gol, sendo substituído pouco após o intervalo. E foram justamente os atletas que vieram do banco que salvaram a partida para o Atlético.

Simeone, então, foi cirúrgico. Aproveitou de seu elenco versátil para promover as entradas de Thomas Lemar (na vaga de Kieran Trippier), Renan Lodi (na vaga de Ángel Correa), Matheus Cunha (com a saída de Suárez), João Félix (no lugar de Griezmann), ao longo da segunda etapa. Na primeira janela de mudanças, o impacto foi imediato. Lemar chegou a marcar o gol de empate, mas a arbitragem, com apoio do VAR, pegou uma interferência de Suárez, adiantado, antes do toque final, anulando o lance.

O show tem que continuar

O que se viu depois disso foi um show comandado por três nomes: João Félix, Lemar e Yannick Carrasco, que já estava em campo, mas resolveu dar o ar de sua graça. O belga deixou tudo igual com a sua marca, de um craque brigador e muito técnico. Desafiou as leis da física e, com a bola grudada aos seus pés, achou uma fresta na barreira do Espanyol dentro da área para marcar. Mais intenso e forçando o adversário a apenas afastar a bola do perigo, o Atlético parecia destinado a virar.

Faltava pontaria, no entanto. Poucos dos chutes arriscados iam na direção da meta de Diego López. Mas há algo neste Atlético que nunca falha: o sangue no olho até o apito final. Foi assim na reta decisiva da temporada passada, com viradas bastante sofridas. E a escrita se repetiu no Cornellà neste domingo, ainda que com o relógio a favor.

A revisão do gol anulado pelo VAR e a lesão temporária do zagueiro Felipe, somadas à parada técnica para hidratação e as alterações na etapa complementar ajudaram: para a revolta da torcida local, o árbitro concedeu mais dez minutos de jogo. Era a senha para ainda mais sofrimento. Mas quem tem Lemar não fica a pé: o francês entrou na área convicto de que só pararia nas redes e assim foi. Um chute estranho, mas que desviou na defesa e bateu Diego López, aos 99 minutos.

Agora o plano de Simeone é de repousar seus craques e saborear mais uma reviravolta em cima da hora. Na quarta-feira, o time colchonero volta aos gramados para estrear na Liga dos Campeões diante do Porto. Manter os 100% em La Liga era a missão do dia e esta foi, com bastante suor, cumprida.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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